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Um táxi pára. Uma velhinha, bem velhinha, de muleta, vai entrar nele. Entrega a muleta pro motorista, enquanto se segura na porta e no teto do carro, coloca uma perna pra dentro, senta e, quando vai puxar a outra perna, eu vi, juro que vi. A velhinha estava de All Star.
Dormir à meia noite e acordar às três da manhã. Depois, não dormir mais até as 8h. Com a casa em silêncio, sem poder tomar nenhum estimulante como café ou coca-cola. Se alguém um dia quiser fazer um eletroencefalograma, já fique sabendo: dá sono.
Pois bem, as três horas aquelas que eu podia dormir, não consegui. Daí ficar enrolando até de manhã. Pelo menos meu namorado e episódios de Friends me ajudaram. Bastante, diga-se de passagem (obrigada, amor). Aí no exame me mandam dormir. Tá, Cristina, pensa em outras coisas, não concentra no exame. Tu quer dormir, tá com sono, finge que tá na cama ou no sofá. Pára de girar, mundo. Não posso abrir os olhos. Agonia. Dormi. Quê? Nossa, tinha que dormir pra acordar assim em seguida? Tá, respiro pela boca. Acabou? Bah, lavar o cabelo aqui? É, não dá pra sair na rua assim mesmo. Tá, lavo o cabelo toda torta, molho minha roupa, mas pelo menos posso ir embora. No fim não foi tão terrível assim. Até porque já acabou.
Bom, agora é ir pra casa, fazer uma horinha e aula. Mas claro, chuva. Não podia faltar, oras. Mas muita chuva, o mundo caindo. Pés muito molhados. Droga, frio o dia inteiro agora. Aula chata. Mas sabe que até não estou com sono? RU. Um lagarto no meu arroz. Do tamanho de um grão de arroz, branco igual, mas era um bicho. Juro que era. Frio nos pés. Mas pelo menos pude fazer uma boa ação, emprestei uma sombrinha extra a uma amiga dessombrinhada.
Ligo pro asilo, pra escola, pro ex-fabicano, pra outra escola, pro outro asilo. Consegui marcar as entrevistas. Agora vai esse negócio.
Bah, consegui dormir depois do almoço. Mais de uma hora até. Acordei atrasada, mas tudo bem. Nossa, que médica chata! Arrogante, prepotente, se acha a rainha da cocada preta. E ainda só me fala em dinheiro na consulta, de como a Unimed não cobre o tratamento. Nossa, mesmo que eu tivesse dinheiro, nunca pagaria pra ser atendida por essa mulher. Mas acabou, e posso falar mal de alguém, o que é muito bom de vez em quando.
Vixi, esqueci de marcar a outra médica. Esqueci de entregar a encomenda da minha mãe. Malditos telefonemas, me fizeram esquecer o mundo. Putz, o ônibus não parou na minha parada. Bom, assim já compro pão.
Hoje eu tenho que postar no Jornalismo B. Leio as matérias. Olha, até já escrevo alguma coisa, vai ser fácil hoje, nem sempre é. E caramba, e o sono? Não vem mesmo., que bizarro. Acho que vou escrever pro Interpretando hoje. O que eu escrevo? Hmm…
Não bastasse se bandear para a direita para se concorrer à cadeira de prefeito do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, um ícone da transparência no impeachment de Severino Cavalcanti e nas CPIs do mensalão, agora aparece com suspeita de corrupção na sua última campanha a deputado. A denúncia foi feita por Mauricio Dias na Carta Capital na edição dessa semana.
Nas eleições de 2006, o deputado declarou gastos de 117 mil reais com uma empresa para “criação e inclusão de páginas na internet”, promoção de eventos e “diversos a especificar”. A Lavorare Produções Artísticas Ltda. pertence a Neila Tavares, atual namorada e assessora de Gabeira. Detalhe, a empresa não faz sites nem promove eventos nem nada a especificar. Na sede declarada no CNPJ funciona uma empresa de assessoria a empresas teatrais, o verdadeiro ramo da senhora Gabeira.
Como se não bastasse a falta de predicados da moça para o tema, o deputado já tinha um colaborador que sabe criar sites e afins na sua equipe. E agora, cadê a transparência, Gabeira?
Vi hoje na TV uma campanha do governo do Estado focada nas estradas. O mote principal da propaganda é a Rota do Sol. Aparecem várias pessoas falando como a vida deles melhorou com a estrada, como as coisas estão muito melhores e tal. O que ninguém fala é que um ano é muito pouco tempo pra construir uma estrada do tamanho da Rota do Sol (que liga a Serra ao Litoral). Ou seja, o governo se gaba por uma obra que, evidentemente, não foi ele que fez, que é fruto de governos anteriores, que agora ele só inaugurou. Põe cara de pau nisso!
Milhões de documentos, de trocentos cartórios e tabelionatos de várias cidades, com firma reconhecida em outros cartórios e tabelionatos de outras cidades. É mais ou menos isso que precisa pra fazer a cidadania italiana.
Aí, depois de sete anos esperando, sou chamada no consulado, entrego todos os documentos de todos os tabelionatos e cartórios, com firma reconhecida, e, claro, tem um nome errado em um, falta um nome em outro. Mais documentos, mais tabelionatos e cartórios. E mais dinheiro. Porque tabelionatos e cartórios não enriquecem do nada. Cada documento custa uns 40 reais. O reconhecimento de firma mais uns outros 10. Fora a tradução de cada um, nos escritórios autorizados pelo consulado. Trinta reais por lauda. No total, gasta-se uns 300 a 400 reais.
Pode?
Faz pouco mais de uma hora que o terremoto aconteceu e já tem comunidade. Há quase uma hora (ela foi divulgada às 21:27, ou seja, doze minutos depois do que a comunidade diz ter sido o fim do tremor).
Eu estava no hospital acompanhando meu avô. Era uma sala branca, grande, com vários leitos sem divisórias ao redor de toda a sala, um espaço grande vazio no meio. Mas não era um lugar pobre. Era assim, pronto. Eu estava entre duas camas, sentada em uma poltrona, fazendo companhia ali. Meu avô estava diferente, mais alegre, apesar de no hospital.
Uma cirurgia ia acontecer em instantes. Não com meu avô, mas ali, no meio daquela sala, com um desconhecido qualquer. Os aparelhos foram sendo trazidos. Coisas grandes, modernas. Ia ser um acontecimento e tanto. Talvez o acontecimento do ano. E eu estava ali, ia poder assistir.
Começou o jogo. Era Brasil! Meu avô levantou, tocado pelo hino. Subiu na cama, colocou a mão no peito e cantou, como um bom brasileiro. E os caras arrumando as coisas pra cirurgia, nem aí pro Brasil. Que espécie de brasileiros eram eles?
Mas antes eu tinha que assistir a uma aula. O jogo já ia começar, mas a aula… Desci, a sala era no andar de baixo, um bando de gente, todo mundo interessado. Claro, aula com o Cazuza, quem não quer? Cheguei, cumprimentei o professor, com aquela faixa vermelha na cabeça. Ele me respondeu no seu legítimo carioquês. Sentei naquela cadeira pequena, àquela mesinha redonda, cheia de cadeirinhas ao redor. Sabe aquelas mesinhas de creche, uma cadeira de cada cor? Essa mesmo, a mesa azul claro. Ao meu lado, meus coleguinhas de faculdade, todos espremidos nas micro cadeirinhas.
A aula começou e acabou e eu nem vi. Caramba, o Cazuza ali e eu não consegui absorver nada. Maldita cirurgia, tenho que voltar logo, senão eu perco. Rápido, elevador. Escada, escada é mais rápido, é um andar só. Epa, quem são essas pessoas? Como assim já está lotado? Ei, meu avô está ali dentro. Droga, perdi a cirurgia. O acontecimento do ano. Por aquelas frestinhas não dá pra enxergar. E a cirurgia lá, acontecendo. Já deviam estar abrindo o paciente. A pessoa desconhecida. Meu avô assistia, assim como todos os outros pacientes daquela sala grande cheia de leitos. Eu estava do lado de fora.
Daí… Bom, daí eu acordei.
Já sinto o cheiro da comida que eu sei que vai ter no meu feriadão. Já consigo sentir o gosto
quase. Por que que a gente é assim?
Sério mesmo, alguém já parou para pensar? Tudo o que a gente precisa é de proteínas, carboidratos, alguma coisa de gordura, açúcar e tal. Por que então umas coisas são tão melhores que outras? E claro, as que engordam estão sempre no primeiro grupo. É um processo puramente físico, não deveria ter nada além da necessidade a nos impelir a comer. Vai entender.
Por que salivamos por picanha e o fígado quase não apetece? Não é tudo proteína? Por que chocolate é mais empolgante que fruta, se a fruta é mais saudável?
Já pensei nisso algumas vezes, e me parecia mesmo que a evolução fez a gente escolher as coisas mais importantes pro nosso organismo, com o passar do tempo. Mas essas preferências não se explicam. Ou eu é que não consigo captar as vantagens nutritivas da picanha e do chocolate, na comparação. É só paladar. Taí, alguém por favor me explica o paladar, que eu estou indo comer.
A nova miss Brasil, gaúcha, seguiu direitinho o manual das misses: admitiu, em entrevista à Folha, que seu livro preferido é o Pequeno Príncipe (pobre do Saint-Exupéry)…
E mais:
“Folha Online – Você já se sentiu “patinho feio”?
Natália Anderle - Toda menina que vira modelo já passou por isso. Eu era magrinha, nossa, bem magrinha! Eu era bonitinha, né, só que eu tinha as perninhas finas. Então no colégio me chamavam de “Olívia Palito”, “taquarinha seca”, mas são coisas de criança. Sempre tem a taquarinha seca e a baleia assassina. Eu era a taquarinha seca. Bem melhor do que ser baleia assassina, né?”
Não merece comentários.
“Por que não pensar no alerta da comunidade científica sobre os cuidados a tomar no caso das plantações extensivas de eucaliptos? Essa ‘planta beberrona’ não agravará as secas na fronteira? Com banhados e restingas secas, o que será da fauna nativa, das emas às lebres ou dos pássaros do pampa? Ou da flora que compõe a medicina caseira do gaúcho e tem uma biodiversidade ainda pouco estudada?
Não toco no desaparecimento do gaúcho bom de laço, substituído pelo lenhador exímio na motosserra. A modernidade modificou a sociologia (o jipe 4 X 4 em vez do cavalo) e me conformo. Mas e o impacto ambiental?”
Flávio Tavares, Zero Hora, 13.04.08
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“A questão da reparação foi tratada de formas diferentes quando acabou o último ciclo dos governos militares na América do Sul. No Chile, Pinochet foi ameaçado até morrer com processos, para que pagasse pelo menos judicialmente pelos anos de repressão e terror que comandou. Na Argentina, a responsabilização criminal de torturadores e seus mandantes, dos tempos da ditadura se repete. No Brasil, preferiram a anistia.”
L. F. Verissimo, Zero Hora, 14.04.08
Desde que se elegeu senador, em 2006 (ou seja, está no cargo há menos de um ano e meio), Fernando Collor (PTB-AL) já tirou licença do cargo duas vezes. Agora, de quatro meses. Segundo a revista IstoÉ da semana passada, os motivos declarados seriam afetivos. “Vou me dedicar mais à minha família. Tenho duas filhas pequenas e a política já atrapalhou muito minha vida familiar.”
Aí eu pergunto: por que diabos então ele concorreu ao cargo? Vai passar o tempo com a família e pára de se meter em política, que, a gente sabe, não dá muito certo. Ele que não se esqueça que é um cargo público e que ele tem que trabalhar pelo povo de Alagoas. Não quisesse, não concorresse.
Não consigo entender toda essa condenação que o Ziraldo e o Jaguar vêm sofrendo porque eles aceitaram a indenização de mais de um milhão de reais que receberam pela perseguição nos tempos da ditadura.
A Cláudio Laitano é uma que questiona a atitude dois, em um texto muito bem escrito, mas meio contraditório. Ela pergunta: “será correto receber dinheiro quando apenas agimos conforme a nossa consciência?”. Aí é que tá, eles não estão recebendo essa indenização por terem feito o que achavam certo, mas por terem sido reprimidos por isso. Não é pelo que eles fizeram, mas pelo que o Estado fez com eles.
Pelamordedeus, será que só eu estou enxergando uma inversão nisso tudo?
E o Zoneamento Ambiental virou, na boca do Lasier Martins, zoneamento florestal. Já encontra eco na ZH de hoje.
Ontem o Consema (Conselho Estadual do Meio Ambiente) vetou a proposta de Zoneamento Ambiental para o Estado tal como ela tinha sido concebida, que regulamentaria as plantações de árvores exóticas, que prejudicam o ecossistema. Pinus, acácias e eucaliptos já vêm sendo plantados no Estado por Aracruz, Stora Enso e Votorantin, muitas vezes de forma irregular. Mais de seis horas depois do início da reunião e sai o veredicto, já sabido desde o princípio. Uma liminar tinha impedido a votação ontem, mas o Consema ficou reunido até que ela fosse suspensa e pudessem definir o caso. Por isso a demora.
Participam do Consema órgãos do governo, federações de empresários e de agricultores e ONG’s. Os ambientalistas são minoria, e se retiraram da reunião antes que a votação acontecesse, em sinal de protesto. Sabiam que não teriam chance, de qualquer forma. Os técnicos do governo responsáveis pelo projeto do Zoneamento foram proibidos pelo governo de participar da reunião. Proibidos! Eles, diga-se de passagem, já tinham cedido em vários pontos para que houvesse a aprovação de um meio termo, não o ideal, mas menos prejudicial ao meio ambiente.
O que aconteceu lá foi um teatro. Convoca-se empresários e governo – já comprometido com os empresários – e meia dúzia de ambientalistas. Segundo Flávio Lewgoy, presidente da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural) – o responsável pela liminar -, cria-se uma falsa democracia, pois quem decide, invariavelmente, é o Estado. Aparentemente, os órgãos de defesa do meio ambiente participam, mas não têm nenhum poder de decisão.
Que tipo de governo é esse em que o secretário de Meio Ambiente, Carlos Otaviano Brenner de Moraes, faz tudo para favorecer as empresas, passando por cima, justamente, do meio ambiente? Em que a principal tarefa da presidente da Fundação Estadual de PROTEÇÃO ao Meio Ambiente, Ana Pellini – autoritária, ela ameaça os funcionários que não colaboram -, é facilitar os licenciamentos para as empresas de celulose? Em que o governo proíbe a participação de seus técnicos na reunião de votação de seu próprio projeto?
Democracia? Onde?
Muita coisa já aconteceu por baixo dos panos. Na Zero Hora, como na grande imprensa, a história vira um conto de fadas, em que o governo agora facilita o desenvolvimento do Estado e todos ficam felizes. Se alguém quiser mais informações, posso conseguir algumas coisas. A história é longa.
Domingo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso assinou um artigo na Zero Hora em que aproveita os deslizes verbais do atual, Lula, para defender suas idéias neoliberais. Para ele, é absurdo “reviver a cantilena dos ‘dois Brasis’”, o dos pobres e o dos ricos. Compara a situação com a enfrentada por Obama e Mandela e seus discursos pró-igualdade e de união entre brancos e negros. Para FHC, deveria ser feito o mesmo entre os ricos e os pobres.
Incorre aí em dois erros graves. Primeiro, coloca o também neoliberal Barack Obama no mesmo patamar ideológico do líder popular sul-africano progressista Nelson Mandela. Que seja feita a devida distinção.
O segundo erro me surpreende na medida em que Fernando Henrique é um grande sociólogo, conhecido internacionalmente pelos livros escritos antes que ele nos mandasse esquecê-los. Mas é também um erro esperado de um político não só defensor do capitalismo, mas que se posiciona ao lado dos donos do capital dentro do sistema, buscando preservar essa sua condição. O erro, enfim, é que ele iguala as diferenças de raça às sociais. E invoca Nelson Mandela ao falar da “necessidade de reconciliação entre negros e brancos”.
Acontece que a “reconciliação” entre negros e brancos não acontece da mesma forma que a entre pobres e ricos. Reconciliar negros e brancos é acabar com o preconceito, é buscar a igualdade. Reconciliar pobres e ricos é fingir que não há aí um problema social, é aceitar a desigualdade como inerente ao sistema. Nesse caso, ao contrário do anterior, é não fazer nada.
Mas realmente, não é de espantar que FHC defenda essa inércia, pois, para o capitalismo, essa diferença de classe tem que existir, tem que estar sempre viva. É o típico pensamento, repito, neoliberal, que prefere ignorar que podem existir outros sistemas, que Marx falava na luta de classes, exatamente o oposto dessa reconciliação entre as classes proposta pelo ex-presidente. É melhor lembrar que existem classes, sim, do que ignorar as diferenças. Lembrar que existem os ricos e que existem os pobres. E que existem dois Brasis e que temos que fazer alguma coisa para mudar isso.

