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Sempre gostei de fotografia, mas nunca soube o que diferenciava uma boa fotografia de uma ruim, fora as coisas óbvias. Pra isso, conto apenas com o instinto, e ele não tem me feito encantar com muita coisa ultimamente. Já tinha visto algumas fotos do Cartier-Bresson, claro. Mas hoje via um especial sobre o centenário dele na Globo News, recheado de imagens e aquilo me tocou bastante. Acho que nunca vi fotografias tão fascinantes. Não sei explicar se é a geometria, o “tiro”, como ele chamava, ou o quê. Sei que são. E que me deu uma vontade enorme de dividir essa sensação com alguém.
* Em homenagem ao centenário do nascimento de Henri Cartier-Bresson.
Alguém chegou aqui no blog procurando por “perco atual [ 2008 ] arroz tipo 2″.
http://delirioeternodeumamentecomlembrancas.blogspot.com/2008/08/campanha.html
Adiram à campanha vocês também!
* Agradecimento especial ao Houaiss, que me forneceu o imperativo do verbo aderir =)
O Ungaretti me sacaneou sem querer na aula e leu um trecho que eu tinha planejado postar aqui hoje. Ainda assim, acho que vale a pena, mesmo os meus dois leitores provavelmente terem ouvido de manhã. Sempre tem a chance de eles não estarem prestando atenção na hora.
“A mídia nativa prima pela desfaçatez, pela hipocrisia, pelo português indigente, pelas omissões e pelos erros de informação. Destes pontos de vista, é exemplo mundial. Nem por isso, cansa-se de proclamar, além de qualidade, seu apego à ética. Mas de que ética a amena turmeta deita falação?”
Mino Carta, no editorial da Carta Capital de 27 de agosto. Aliás, repito que está caindo de maduro uma monografia sobre os editorias do Mino Carta sobre a imprensa. Opa, isso não sou eu que digo…
A Carta Capital publicou uma materiazinha, daquelas que abrem a revista, sobre a campanha do Maluf em São Paulo. O ex-governador, ex-prefeito, ex-secretário e atual ladrão é hoje considerado um “nanico”. Com míseros 9% das intenções de voto – o que eu já acho um absurdo pra uma cidade daquele tamanho, convenhamos -, ele é o lanterninha na arrecadação de fundos pra campanha, tendo conseguido apenas 2,6 mil reais. A ponto de ele ter que cobrir os custos da campanha com seu próprio dinheiro. Um horror, considerando que o próprio dinheiro do Maluf corresponde a uma módica quantia de 39 milhões de reais. Esses são os que ele declara, pelo menos. E a ponto de ele fazer tudo a pé. Diz que é pra conseguir mais voto, mas deve ser pelo preço da gasolina.
Gilberto Kassab, prefeito porque herdou o cargo, naquelas politicagens que a gente acha que conhece, mas que não tem a menor idéia de quão baixas são, divide a posição nas pesquisas com Maluf. Os dois estão tecnicamente empatados. A diferença é que o atual prefeito tem três zeros a mais na conta. A campanha de Kassab arrecadou 2,6 milhões de reais. A que conclusão podemos chegar com tudo isso? A de que o Kassab é um incompetente pra arrecadar voto, pelamordedeus.
“A África do Sul, por exemplo, tem vários atletas na natação, chegando às finais, e lá não tem nem piscina, eles treinam nos Estados Unidos.”
Não consegui pegar o nome do cara que disse isso, mas era um gordinho do SporTV que estava conversando com a Daiane dos Santos e a Jade Barbosa. Como é que um jornalista, um formador de opinião, diz tamanha bobagem? A África do Sul é um país grande, com uma posição importante, junto com Brasil e Índia, representando os países em desenvolvimento, e que vai abrigar a próxima Copa do Mundo. O cara cria um preconceito, incentiva um pensamento distorcido. É como se os Estados Unidos falassem isso do Brasil, por puro desconhecimento do que acontece fora de suas fronteiras, por preconceito contra países mais pobres. Isso nós acharíamos um absurdo. Mas aqui a situação é pior, porque nem há uma superioridade econômica tão gritante do país do repórter com relação à África do Sul, como seria o caso do exemplo americano em relação ao Brasil. E o cara vem e fala essa merda. Daqui a dois anos, ele provavelmente vai ser recebido muito bem no país africano, em um hotel com piscina, e vai fingir que acha tudo lindo e blá blá blá, blá blá blá.
E eu acordei pra ver a ginástica…
Minha última descoberta foi o tênis de mesa. Ou ping pong, como preferem os mais informais. Assistindo a um jogo das Olimpíadas, percebi como é emocionante. Quando coloquei no SporTV3, a partida já estava adiantada. Fiquei observando em silêncio. Eu, o narrador, os jogadores, a platéia. Ninguém falava nada. Quase um minuto ouvindo apenas o ploc ploc ploc ploc das bolinhas (imaginem o som em ritmo acelarado). O momento mais emocionante foi quando o atleta (pois é, eles chamam de atleta quem joga ping pong) errou ao raquetear a bolinha e ela voou alguns metros. É quase uma metáfora da vida, vocês percebem? É sempre a mesma coisa, de repente acontece uma coisa imprevisível, diferente… Tá, péssimo. Mas que ping pong é bom pra pensar na vida, isso é. Pelo menos se tem altos sonhos assistindo a uma partida, tamanha emoção. Se o quarto estiver escuro e a pessoa estiver deitada embaixo das cobertas, melhor ainda. Pena que é só de quatro em quatro anos, né?
Tenho me controlado pra não postar aqui diariamente citações do livro que eu estava lendo. Já nos primeiros anos como jornalista, Gabriel García Márquez já tinha textos fantásticos. O livro Textos Caribenhos é o primeiro da obra jornalística do autor, e vai de 1948 a 1952. Nas suas 864 páginas tem de tudo, desde crítica de autores ou músicos da época até comentários sobre a vida, passando por personagens criados ou observados pelo autor e pelo já presente realismo fantástico, que depois atinge seu auge em Cem Anos de Solidão. Não sou exatamente uma crítica literária, muito pelo contrário, mas gosto de avaliar os livros que leio. Esse tem crônicas espetaculares, que a cada pouco eu tinha vontade de sair correndo e anotar um trecho, ou marcar a página para ler muitas e muitas vezes e admirar a capacidade de escrita de um grande autor. Mas tem também umas partes bem chatinhas, como as críticas de muitos escritores e músicos colombianos, os quais eu não conheço nem de ouvir falar, e que me deixavam um tanto perdida nos comentários. É claro que é interessante ver o lado leitor de um grande escritor e estudar a sua forma de pensar através das suas leituras e dos seus gostos, mas não é uma parte exatamente gostosa de degustar. Minhas crônicas preferidas são as mais ingênuas, e ao mesmo tempo muito profundas, em determinados casos, sobre detalhes da vida. É de uma perspicácia surpreendente, e são engolidas sem um piscar de olhos, devoradas. No final, percebe-se um sorriso no canto da boca, pela idéia simples de um texto fantástico. No fim das contas, se houvesse uma seleção mais criteriosa dos textos e fosse elaborado um volume menor apenas com os melhores, a leitura fluiria mais e o livro seria dos melhores.
Alguém por favor me explica o que foi a última pergunta do William Bonner. Detalhe que a Globo cortou no vídeo que foi pro site metade da resposta do judoca, quando ele explicou que não tinha problemas de peso. A entrevista foi ao vivo, ou seja, 7 da manhã em Pequim.
Uma matéria de uma página, lá pro fim da Carta Capital dessa semana, fala da estratégia do governo Uribe no resgate de Ingrid Betancourt. Aquela história de enganar as Farc com uma falsa ONG tava difícil de engolir, tamanha seria a ingenuidade da organização. Pois bem, sabe-se agora que os soldados fardaram-se com camisetas da Cruz Vermelha, não de uma ONG inexistente. Isso é crime de guerra. A Cruz Vermelha tem que ser neutra, para poder ajudar todas as pessoas, de todos os lados. A partir do momento em que se usa o nome da entidade de forma falsa, quem trabalha de verdade para a Cruz Vermelha passa a correr sérios riscos, pois não se pode mais confiar em uma operação de verdade. Acaba com o trabalho humanitário da Cruz Vermelha.
A descoberta, ocorrida através de um vídeo vazado, é muito séria. O presidente Uribe alega que não sabia de nada e que o oficial colocou a camiseta da Cruz Vermelha só quando estava com muito medo. Agora os ingênuos somos nós se acreditarmos nessa história.
O mais incrível é que isso não sai em lugar nenhum. Bom pro Uribe e pra Ingrid. Pra Colômbia e pros EUA. Nem a Carta Capital deu muito destaque. O que não interessa não aparece, certo?
Ando descobrindo que esse negócio de crescer é uma das coisas mais complicadas da vida.
Você já leu a Zero hoje? Não? Então vai lá, página 14, editorial. “A lei do esquecimento”. O título se refere à lei de anistia, a que está sendo discutido atualmente por conta de uns comentários propícios do ministro Tarso Genro. A opinião do jornal é bem diferente da de Tarso, e coincide com a dos militares. A Zero Hora, absurdamente, defende o esquecimento mesmo. Na cara dura. Ali diz que tem que lembrar das prisões, das torturas, do exílio forçado, tudo isso. Balela! Eles querem esquecer, tá escrito no início do texto. O olho diz “A retomada desse tema pelo ministro da Justiça e pelo secretário nacional de Direitos Humanos representa um retrocesso que prejudica o país”. Não retomar é esquecer, não é?
A opinião do jornal diz que punir os crimes seria “revanchismo”. Quer absurdo maior? O jornal vai contra a opinião de todo o mundo, dos veículos mais sérios, das discussões mais importantes do mundo. Vai contra a justiça, contra os direitos humanos. Não é posível que um jornal sério hoje em dia defenda a impunidade de quem torturou de forma tão bárbara tantas pessoas. Forçando um pouco, é como se a Zero Hora defendesse os crimes da ditadura. Quase como se defendesse a ditadura. É grave, bastante grave.
Justiça seja feita: no vôlei de praia, sem o Galvão do lado, a Leila comentou muito bem.
- A seleção feminina de vôlei de quadra jogou contra a Argélia essa madrugada. Foi um baile. Fica meio complicado avaliar o desempenho das brasileiras, porque o time da Argélia é muito ruim. A líbero Fabi cometeu alguns erros que, segundo o Tande, que comentava o jogo, ela nunca havia cometido. Tem que dar um desconto também: bola nova, mais leve, mais murcha, pra não correr tanto e permitir mais ralis. Período de adaptação. No segundo set elas relaxaram um pouco, porque o jogo estava fácil demais. Mas ainda assim, me permito o comentário de que o time brasileiro é muito bom. É alto (tem jogadora de 1,96m), rápido, forte e bem entrosado.
- Não entendo muito de vôlei, mas arrisco um palpite. Entrou no fim do jogo uma menina de 21 anos, a que tem 1,96m. Ela está estreando, é jogadora reserva, mas nas próximas Olimpíadas essa menina vai jogar muito. O nome dela é Thaisa.
- A Leila podia ser ótima jogadora, muito carismática e ter vários ingredientes que os meninos gostam, mas como comentarista ela é péssima. Ainda bem que o Tande estava junto.
- O Galvão ficou se gabando das imagens que a Globo geraria no vôlei de praia. Pela primeira vez, uma empresa brasileira foi escolhida para gerar imagens oficiais dos jogos. Ele falava o tempo todo que a gente não podia ver no vôlei de quadra os tira-teimas, se a bola tinha realmente ido fora ou dentro, etc. Um pouco de exagero, pensei de cara. Mas depois começou o jogo na areia, de Ricardo e Emanuel, e tenho que dar a mão à palmatória: a transmissão era nota 10, bem melhor que a do de quadra.
- Imaginem a grana envolvida a cada edição dos jogos. Não falo nem do que Pequim gastou, das contruções monumentais. Olha a quantidade de gente que a Globo mandou. São milhões de repórteres, bilhões de apresentadores, zilhões de comentaristas, mais toda a equipe que está por trás, operando as câmeras, produzindo e tal. Só em passagem pra Pequim já foi uma fortuna.










