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Amanhã deve ser votado o projeto do Pontal do Estaleiro. Tenho diversos motivos para ser contra. Vários deles expressos aqui – é um post desse mesmo blog, então dá uma olhada lá e tal… O fato é que vai ter manifestação e eu não vou poder ir, mas para quem tiver interesse, é amanhã, às 13h, na Faculdade de Arquitetura da UFRGS. Aí começa uma caminhada. A votação acontece às 14h na Câmara de Vereadores. Ainda dá tempo de assinar o abaixo-assinado eletrônico. Diga não!
“Se há uma coisa que a cidade sabe fazer é construir: um terço dos guindastes do mundo está aqui, a maioria deles diretamente em frente à minha janela no hotel. Tento contá-los, mas desisto no número 70. O mais alto ergue-se 1 quilômetro no ar, sobre o Burj Dubai, que já é o edifício mais alto do mundo, e ainda não está terminado. No mês que vem será inaugurado o maior shopping center do mundo, o Mall of Arabia, e pouco depois você poderá pousar no maior aeroporto do mundo, com seis pistas, e do tamanho da ilha de Hong Kong.”
Pode parecer um pouco de exagero, as condições são diferentes, o governo é diferente, mas isso que acontece em Dubai é o melhor exemplo da tendência que está tomando conta do mundo, incusive de Porto Alegre. Dubai é gigante, tem prédios enormes, é o capitalismo máximo no meio de um mundo muçulmano, com um governo autoritário. Mas o mais incrível é que tudo isso aconteceu de uma hora para outra. Em 30 anos, Dubai deixou de ser um deserto para virar uma metrópole, uma megalópole. Porto Alegre nao vai virar Dubai, mas está assumindo a mesma mentalidade. É isso que a gente quer? Esses prédios enormes anulam as pessoas, afastam, criam uma sociedade impessoal. Dubai atraiu o mundo inteiro para lá. As pessoas quase não falam mais árabe. Só se ouve o inglês. A cidade ganhou dinheiro com o turismo, mas e daí? As condições de vida são péssimas, a liberdade é mínima. Economia rica não é garantia de vida melhor.
O trecho entre aspas é da Carta Capital da semana passada. Não encontrei o texto no site, mas achei ele aqui e tenho a revista para quem quiser emprestado. Vale muito a pena. É a desmistificação de uma cidade emergente, fantástica até, exótica e que tanto chama a atenção. E melhor, a matéria foi feita por alguém que esteve lá (Carole Cadwalladr), que viveu Dubai por um tempo. Foi comprada do The Observer, e vale pela reflexão sobre o mundo. É grande. Na verdade é enorme, mas flui tri bem a leitura. É só tentar começar que vai até o fim.
A pancadaria da Brigada Militar contra os bancários e contra os manifestantes da Marcha dos Sem, ambas no mesmo dia, é só uma ilustração do que é esse governo estadual. Britto é fichinha perto de Yeda. Autoritarismo não parece suficiente para descrever o que está acontecendo. É uma completa falta de respeito ao Estado de Direito, à democracia, à constituição. Eles não estão nem aí para os interesses do povo. Importa os interesses dos grandes. Aliás, nem sei direito o que importa, é difícil saber. Sei que não é o interesse do povo mesmo, definitivamente. Porque bater em pessoas que têm constitucionalmente o direito de se manifestar só por bater não me parece um respeito ao povo. É isso, falta respeito ao povo. Chegar ao ponto de bater em um deputado por defender os manifestantes mostra que não importa quem está na frente, mostra que a coisa já está bem feia por aqui. Uma análise muito boa foi feita pela Paula no blog dela. Eu sei que a maioria das pessoas não clica nos links, mas recomendo de verdade, fica acordando mais 10 minutos e lê esse texto.
Quando a Yeda se elegeu, eu fiquei chateada, sabia que seria ruim. Não só por ser PSDB, conservador e todas aquelas coisas feias, mas é só olhar pra ela pra ver que ela se sente de uma classe superior. E isso não faz bem, nunca fez. Mas bom, eu achava que seria ruim, mas minha imaginação, apesar de fértil, não chegava a tanto. O que acontece hoje é uma forma de ditadura disfarçada. Em todos os governos que a gente vê as coisas erradas, meu maior medo é sempre de que as pessoas não estejam vendo e reelejam aquele cara ou aquele partido, como vai ser na prefeitura de Porto Alegre. E isso acontece agora também. Tenho muito medo que as pessoas simplesmente não enxerguem. Tenho um alívio enorme (sério, é uma sensação muito boa) quando vejo que não está acontecendo isso agora, que está difícil de enganar. Que a coisa é tão feia que está transbordando, que não está dando pra esconder (mesmo que a mídia tente e tente e tente e a cada dia tente de novo, como fez a Zero Hora nessa ocasião – mais detalhes no blog Jornalismo B). A cada vez que eu vejo uma pesquisa de opinião dizendo que esse governo é uma merda, me sinto um pouco mais feliz (tomara que saia uma hoje, que é meu aniversário =P).
E sempre é bom lembrar quem esse governo está apoiando nas eleições municipais aqui de Porto Alegre, embora a candidatura Fogaça esteja se esforçando bastante (com o apoio dos meios de comunicação) para esconder esse fato. Mas é um fato, não dá pra negar.
Amanhã vai à votação na Câmara o projeto do Pontal do Estaleiro. Infelizmente não vou poder ir, mas vai ter manifestação lá na Câmara mesmo às 14h. Eu acho que vai acabar sendo aprovado, mas a esperança é a última que morre e, enquanto o último voto não for dado, eu não desisto de acreditar. Espero de coração que não seja aprovado. Tá, não vai mais ter votação amanhã, ela foi adiada pro dia 29, logo depois das eleições (por que será, né?), mas meu post estava pronto e o assunto vale e não vai demorar muito pra acontecer e a manifestação vai ser mantida. Dia 28 eu coloco um link pra esse post aqui.
Se for, vários prédios (não lembro agora quantos) de muitos andares vão ser construídos na frente do Guaíba, bem pertinho do lago, ali quase em frente ao Museu Iberê Camargo (o projeto está na imagem aí ao lado). Imagina que bonito! Bom, pra quem tiver grana pra comprar um apartamento ali ou alugar um quarto bem caro no hotel, vai ser mesmo bem bonito ter uma baita vista na janela da sala. Mas pra quem não tiver essa grana, a vista vai ser cortada por aqueles prediozões. Quem não tiver dinheiro ou chegar tarde, que se foda, certo? Bom, pela lógica do dinheiro, sim, muito certo. Mas caramba, tá errado. Mais alguém enxerga quão errado isso tá?
E não é só por causa da beleza. Embora eu não concorde, alguns podem achar que beleza é um argumento meio supérfluo. Mas bom, têm outros, de qualquer forma. Imagina toda a infra-estrutura que um projeto desse porte vai demandar. Todo o esquema de tratamento de esgoto, por exemplo. Mas pensa no transporte. Ali já tem bastante movimento, mas fica em uma via de mão única, o movimento ia aumentar um monte, vai ter que fazer novas linhas de ônibus, todo um esquema pra evitar congestionamento, todas essas coisas. É uma baita mudança, não só ali nos prédios e deu.
E a construção ali do Pontal do Estaleiro é só um reflexo de toda a mudança no desenho urbano que está acontecendo em Porto Alegre. As construtoras estão vindo com tudo, e querem construir prédios altos, com muitas torres, todo fechado, de forma que as pessoas fiquem trancadas ali naquele mundinho. As pessoas vão se isolando nesse sistema. Parece exagero, mas vai acontecendo aos poucos, a gente vai incorporando uma nova visão e não se dá conta. Daqui a pouco, as cidades vão ser cada vez mais altas e mais impessoais. As pessoas vão se falar menos e correr mais. É um estilo de vida incentivado pela indústria da construção. Ou é a indústria da construção que nasceu a partir desse estilo de vida, não importa. O que importa é que as duas coisas estão interligadas, uma é reflexo da outra. E aprovar o Pontal do Estaleiro é autorizar a construção de uns quantos prédios gigantes, mas é também incentivar esse modo de vida cada vez mais desumano.
Por isso tudo, estou em campanha.
É sempre assim, parece que elas vêm sempre acompanhadas. Às vezes, muito de vez em quando, vêm sozinhas, geralmente a má. Mas o fato é que agora vieram juntas, ambas fortes e importantes. Qual das duas notícias que todo o mundo já sabe eu dou primeiro?
Bom, a má notícia é que morreu o jornalista Luiz Pilla Vares. Ele era amigo do meu pai, militaram juntos não só no PT, mas no POC (Partido Operário Comunista), ainda nos tempos da ditadura. Ele trabalhava na Assembléia agora, lá onde eu encontrei ele semestre passado para entrevistá-lo. Além de tudo que andam dizendo por aí de importante a respeito do Pilla Vares, ele era um grande entendido de Rosa Luxemburgo. E o que mais me impressionou na conversa que tivemos foi a admiração com que ele falava nela. Pilla Vares tinha 68 anos.
A notícia boa é que o coronal Carlos Alberto Brilhante Ustra foi considerado pela Justiça responsável pela tortura de Maria Amélia de Almeida Teles, César Augusto Teles e Criméia Schmidt de Almeida, irmã de Maria. Um dos responsáveis pelas maiores atrocidades na época ditadura continua andando solto por aí, mas agora carrega a pecha de torturador. Pode não parecer muito, mas já é um avanço e tanto. Tem um monte de gente que relata as torturas bárbaras cometidas por ele, e a anistia continua igual para torturadores e torturados. o Diário Gauche conta um caso emblemático. É um primeiro passo, espera-se que não seja o último.
E o Magadan ficou em 295º lugar nas eleições para vereador de Porto Alegre, com 362 votos. E quer saber? Bem feito!
“Não nos violentamos um minuto sequer durante a campanha.”
Manuela D’Ávila, candidata do Partido Comunista do Brasil aliada ao PPS das privatizações





