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E essa agora de o Marcelo Cavalcante ter procurado informações sobre o serviço de proteção às testemunhas um tempinho antes de morrer? A coisa está ficando cada vez mais pesada…
Se tinha alguma coisa no MST que era praticamente incontestável eram as escolas. Especialistas viam nelas um modelo, ainda mais para o modo de vida itinerante do movimento. As crianças nunca ficavam sem aulas e tinham um ensino de acordo com as suas necessidades, seguindo métodos modernos e respeitados de ensino.
Pois bem, a Secretaria Estadual da Educação e o Ministério Público Estadual mandaram fechar as escolas itinerantes do MST (faz parte do novo jeito de governar, com democracia, sem autoritarismo, como já estamos vendo há um tempo). Agora tem um monte de crianças precisando de escola. A Zero Hora, claro, dá uma manchete dizendo que a rede pública estadual vai acomodar todos os alunos, mas só no texto da matéria ela explica que o governo do estado admite que existam 70 crianças nessas condições, enquanto o Incra diz que são 300. E 300 alunos São Gabriel (onde há quatro assentamentos e os tais 300 alunos) não tem condições de receber. Sim, porque a solução do problema ainda ficou a cargo do município e não do governo do estado.
Bacana esse novo jeito inconsequente de governar.
Parecia uma baita duma indiada. Até foi um pouco. Chegamos lá e estava tudo vazio, tri pouca gente. Uma coisa meio melancólica até, não parecia Carnaval. Já era Porto Alegre, onde as arquibancadas não ficam totalmente cheias nem no desfile das escolas do Grupo Especial. Elas estão melhorando até. No primeiro dia, tinha uns carros grandes, daqueles que se mexem, cheios de efeitos. Não como no Rio, mas já nem parecia mais Porto Alegre. Vi esses pela televisão.
O domingo era o primeiro dia das escolas do Grupo Especial do Rio. Era também o dia do desfile do Grupo de Acesso de Porto Alegre. Me fui para o Porto Seco. Eu, meu pai e minha mãe. Deveríamos chegar lá pelas 18h, segundo as informações do meu pai. Chegamos meia hora antes, pra garantir. Vazio. Ninguém da “nossa” escola. Na verdade escola de uns amigos, com quem meu pai trabalha e que nos convidaram para estar lá. Uma escola que existe desde 1989 e já esteve no Grupo Especial.
Por telefone, descobrimos que eles chegariam umas 18:30. Teríamos uma hora para, sei lá, conhecer o Porto Seco. O bar ainda estava fechado, não tinha nem brigadiano ainda. Estávamos lá, de calças brancas, sapatos brancos. A calça que antes eu fui buscar na casa de uma prima, não tenho calças brancas. Ainda isso, cuidar para não sujar as tais calças. Lá pelas 18:30 que eles nos falaram foi quando conseguimos comprar uma água. Eram 19h e nada. Pelo menos chegaram os garis, sinal de que não faltava muito pra coisa toda começar.
Mais uns 20 minutos e lá estavam eles, vindos da Restinga, um bairro bem no sul de Porto Alegre. O Porto Seco fica no extremo norte. De ônibus, levaram acho que uma hora e meia pra chegar. Se não tiver sido mais, coitados. Recebemos a túnica e o chapéu. O desfile era sobre o movimento negro, o enredo era bonito. Depois de trocar de roupa, já estava quase na hora de começar, às 20h. Antes das duas tribos, que desfilavam antes do Grupo de Acesso. Atrasou um pouquinho, mas tudo bem. Foi meia hora na avenida. Meia hora tentando sambar para mais ou menos umas 20 pessoas que nos assistiam. Eu estava na ala que fechava o desfile. A última ala de uma escola sem carros, quase sem fantasias, quase sem pessoas. Contei os que estavam comigo, com a mesma túnica, o mesmo chapéu, calças e sapatos brancos. Eu e mais treze.
Quando o desfile terminou, passada aquela meia hora em que praticamente nos arrastamos na avenida para não passar muito rápido, seu Nelson, que não é o presidente, mas talvez seja o vice, estava contente, radiante. Nos agradeceu e tinha plena convicção de que a escola estivera magnífica. “Só quando passarem as outras escolas eles vão ter uma noção da nossa. Vão ver como estava bonita e vão se perguntar o que estamos fazendo fora do desfile.” É triste, mas é bonito. É uma dedicação total, irrestrita, para desfilar para uma arquibancada vazia e nem ser julgada. Ano que vem é a mesma coisa, a escola só volta para o Grupo de Acesso em 2011. E, ainda assim, eles dedicam um ano inteiro para preparar aquele desfile.
Não só vou desfilar no Carnaval de Porto Alegre, como vou desfilar numa escola do grupo de acesso do Carnaval de Porto Alegre. Eu que nunca curti Carnaval. Mas tô tri pela diversão.
Eu tava pensando em não voltar a escrever mais aqui. Cansei um pouco da internet, da obrigatoriedade de se postar com frequência. É bom quando acontece por prazer, por vontade, não por obrigação. Pois agora me deu vontade de vir, pelo menos uma vez, e tudo por causa dessa falcatruagem que é o jornalismo gaúcho.
Ontem o PSOL fez nove denúncias contra o governo do estado. A deputada federal Luciana Genro e o vereador Pedro Ruas afirmam ter provas, mas ainda não as apresentaram. Antes de comentar a cobertura em si, elaboremos uma hipótese: digamos que quem tivesse feito a denúncia fosse um deputado do PMDB (ou PSDB ou o ex-PFL) contra o governador Olívio Dutra no ano 2000. As manchetes provavelmente girariam em torno de algo como “Olívio desmascarado”, alguma coisa que já assumisse todas as denúncias como verdades. Pediriam o impeachment do governador petista, mostrariam como o governo era ruim.
O caso em questão, o verdadeiro, o atual, é de denúncias da esquerda contra a direita, certo? Todas as manchetes de todos os textos da RBS são referentes à falta de provas, para mostrar que quem está fazendo coisa errada é o PSOL, não o PSDB. Ontem, a Rosane de Oliveira chegou ao cúmulo de dizer em seu blog que o PSOL havia feito “supostas denúncias”. Pelamordedeus, as denúncias são concretas, não são supostas. Se serão confirmadas é outra história, mas a necessidade de mostrar que nada disso é verdade é tão grande que acabam resbalando até no português. O título do editorial da Zero Hora de hoje é “E as provas?” (voltemos praquela situação hipotética de nove anos atrás… seria algo como “Vergonha para o povo gaúcho”).
Tudo bem, um jornalista não pode assumir denúncias como se fossem provas, há que se comprovar. Pena que isso só sirva em alguns casos. Que quando interessa a denúncia se torna verdade absoluta.

