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A matéria é sobre impressões dos gaúchos que convivem de perto com a crise hondurenha. Aparentemente inocente, ela é muito mais. O repórter Rodrigo Lopes, de Zero Hora, utiliza essas impressões para dar a sua opinião. Coloca na boca dos outros o que ele mesmo quer dizer. Tanto que todos os gaúchos entrevistados dizem a mesma coisa. O título e a linha de apoio são confusos, mas de caráter nitidamente golpista.
Mais uma vez, uma matéria golpista, que não só justifica o golpe de Roberto Micheletti contra Manuel Zelaya como faz crer que a população concorda com o golpe. E, de quebra, ainda critica o governo Lula e o governo Chávez. A estratégia é simples: Honduras está um caos (não há nenhuma menção ao fato de estar um caos por ter sofrido um golpe e estar com as liberdades cerceadas por um governo ilegítimo) e a culpa, segundo Rodrigo Lopes, é de Lula e Chávez.
Como se não bastasse, termina colocando nas mãos de Deus, falando em igreja, em religião. Desse detalhe, a primeira conclusão é mais evidente: a solução não será dada por Deus, as coisas têm que ser resolvidas politicamente. Há uma situação de golpe, ela tem solução e essa solução deve ser buscada pelos agentes envolvidos. Colocar nas mãos de Deus é dizer que não há solução.
Mas há uma outra conclusão a se tirar dessa alusão à religião: ela reforça valores burgueses, elitistas. É por causa desse tipo de coisa que os ateus são a categoria que mais sofre preconceito. O jornal reforça um preconceito e uma visão conservadora, de manutenção do status quo. Porque, nada contra quem acredita em Deus, mas os valores católicos são completamente conservadores.
Não sei como ele conseguiu dizer tanta besteira em tão pouco espaço.
Quem me falou da tal matéria foi o Isma Cardoso, que, teimoso, desativou o blog que tinha.
O Tarso (Genro, PT) continua em primeiro, mas o Rigotto (PMDB) agora aparece com maior vantagem que o Fogaça (PMDB) na disputa pro governo do Estado, segundo pesquisa do Instituto Methodus, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais. O que chama a atenção, e é óbvio que seja assim, é a rejeição ao governo Yeda. Quase 60% dos eleitores não votariam nela de jeito nenhum. O Tarso está em terceiro em rejeição, o que talvez aponte para uma diminuição desse fanatismo anti-petista que tomou conta do Estado nos últimos vários anos. Outro que aparece relativamente bem no cenário é o Beto Albuquerque (PSB), em terceiro. Talvez isso contribua para que o partido não feche com o PT mesmo. No site do Methodus, dá pra baixar a pesquisa completa, com todas as porcentagens.


Domingo, ato show organizado pelo Comitê Fora Yeda.
Não sei por que eu ainda me surpreendo.
No Bom Dia Brasil de hoje, Míriam Leitão, pra variar, fez seus comentários reacionários. Mas eles eram tão reacionários quanto incongruentes hoje de manhã.
Por exemplo: “A atuação do Brasil em Honduras está sendo muito boa, mas por que não fez a mesma coisa na Venezuela quando o presidente Hugo Chávez fechou os jornais? E por que não fez a mesma coisa na Argentina quando a Cristina Kirchner tentou censurar o Clarín?”.
Preciso explicar que uma coisa não tem nada a ver com a outra? Parece que ela está se referindo a países que sofreram, todos da mesma forma, porque seus governos cercearam a liberdade de imprensa. E só fizeram isso.
Primeiro, em Honduras toda a imprensa está realmente censurada. Na Venezuela, o que se fez foi não renovar a concessão vencida de um canal de televisão que mente descaradamente. Ou seja, que não faz jornalismo. A Globo morre de medo que se possa pensar em fazer alguma coisa parecida por aqui, então melhor descer o pau. Na Argentina, a presidente está brigando contra o monopólio, o que é extremamente saudável para a democracia. Democracia pressupõe pluralidade, diferenças de opinião, espaços iguais.
Segundo, em Honduras, houve um golpe de Estado. Não é apenas a imprensa que sofre, quase todas as liberdades estão cerceadas. O presidente em exercício não é o presidente do país, o que justifica toda a atuação do Brasil, na defesa do respeito ao presidente eleito, à democracia, em suma. Argentina e Venezuela estão na sua mais perfeita ordem, com presidentes legitimamente eleitos e tal. Ou seja, situações completamente distintas.
Mas nada disso é novidade. A Míriam Leitão sempre me impressiona com a quantidade de besteiras que ela é capaz de dizer. Todas de direita e muito forçadas. Sempre, em todos os seus comentários, na TV e n’O Globo.
Descobri na Carta Capital que chegou ontem na minha casa (edição n° 565), na coluna Andante Mosso, do Maurício Dias (sempre muito boa, por sinal) uma informação interessante:
“Orestes Quércia e Michel Temer trocaram de posição.
Em 2002, Quércia apoiava Lula e tentou demover Temer que apoiava Serra. Agora, Quércia apoia Serra e tenta demover Temer que apoia Lula.
Na conversa entre os dois, Temer se sustentou na coerência para sair do cerco de Quércia. E disse:
‘Tanto naquela época como agora meu argumento é um só: o PMDB está no governo e deve apoiar o candidato do governo’.”
É um oportunismo bem coerente mesmo. Agora, do ponto de vista ideológico…
Mas bom, afinal de contas, dentro do PMDB alguém ainda sabe o que é ideologia?
(Para quem leu e pensou que eu podia ter dito “dentro da política brasileira” em vez de “dentro do PMDB”, vai uma breve explicação: se eu dissesse isso, pecava pela generalização, já que colocava os poucos que se salvam dentro do mesmo balaio do restante que já está podre. Mas, restringindo ao PMDB, não corro esse risco. Não há os poucos que se salvam!)

