O Fórum Social Mundial de 2010 vai acontecer na Grande Porto Alegre. Quando eu fiquei sabendo, faz um tempo já, fiquei muito feliz. Era uma oportunidade de ter de volta a vida dos fóruns anteriores que aconteceram aqui. Aquilo movimentou a cidade de um jeito incrível.
Mas agora ando meio desanimada. Primeiro porque esse próximo FSM me parece muito desorganizado. Estamos entrando em novembro e a página oficial do Fórum ainda mostra no cabeçalho a inscrição “Belém do Pará (Brasil), de 27 jan a 1º fev 2009″. Não tem para o público nenhuma previsão do que vai acontecer no ano que vem, daqui a pouco mais de dois meses.
Fora isso, a proposta é fazer um evento descentralizado. Teoricamente, isso parece muito bacana, porque ampliaria as possibilidades de mais pessoas participarem. Mas pensando friamente eu acho que na prática diminui a participação, tem um efeito contrário. Lembro das edições das quais eu participei. Eu ainda era muito nova – e por isso fiquei muito contente por ter o Fórum de volta e poder aproveitar melhor o que ele tem para oferecer -, mas fui em diversas atividades. A gente tinha um guia enorme com a programação, que era variadíssima, com trocentas opções. Muitas, muitas mesmo. Milhões de coisas acontecendo ao mesmo tempo.

Era tudo no centro de Porto Alegre. No Gasômetro, no Cais, no MARGS, no Memorial, onde tivesse espaço. Um calor infernal, bem janeiro portoalegrense. A gente marcava diversas coisas que tinha vontade de ver e saía de uma correndo pra outra. Como fazer isso se uma for em Canoas, outra em Guaíba e outra em Viamão? Ainda não sei onde vão ser as atividades, em quais cidades – aliás, a essa altura do campeonato já deveríamos ter essa informação – mas mesmo que sejam só as dali de perto de Canoas. Não dá pra ir de Canoas a Gravataí e voltar a Esteio tudo no mesmo dia.
Assim, acredito que as pessoas vão participar de menos atividades. O Fórum Social Mundial de 2010 não vai ter a mesma magnitude dos anteriores. Já tive a impressão de que isso aconteceria com a saída de Porto Alegre, em 2004, mas não sei se os posteriores foram efetivamente mais fracos ou se a nossa mídia simplesmente ignorou-os, o que é bem provável.
Quando me dei conta disso, fiquei chateada. Mas ainda torço para que o Fórum aconteça da melhor forma, movimente o maior número de pessoas e contribua para a construção de um outro mundo possível.


6 comments
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30 Outubro, 2009 às 16:10
Rodrigo Cardia
Percebo a mesma coisa, Cris. Inclusive, Porto Alegre, do jeito que tá, não combina mais com o Fórum, como nas primeiras edições. Não que ele não deva ser realizado aqui, mas o clima já não é o mesmo. Não falta gente que o considere um “encontro de baderneiros que não querem trabalhar”, o que é muito triste.
30 Outubro, 2009 às 19:44
Cris
Concordo plenamente. Até acho que na época já tinha gente com esse pensamento tacanho, mas a cidade é outra, é completamente diferente.
Tenho estudado América Latina pra minha monografia e fiquei muito impressionada com a quantidade de menções a Porto Alegre como referência de cidade democrática e participativa, de experiência de uma democracia efetivamente participativa e não somente representativa. Hoje o melhor que temos a falar da cidade é que a gente pode levantar a mão e (alguns poucos) carros param para atravessarmos a rua. E o pior é que aqueles de visão tacanha enxergam muito mais esse tipo de coisa (que é útil e tal, mas não tem a mesma importância social) do que o Orçamento Participativo e outras iniciativas de transformação da realidade social.
30 Outubro, 2009 às 22:33
Rodrigo Cardia
Realmente, falar em Porto Alegre, no exterior, ainda é referir-se a uma cidade democrática. Foi o Fórum que projetou a cidade para o mundo. Tanto que é quase desnecessário falar em “Porto Alegre, Brasil”, basta falar “Porto Alegre”, e as pessoas entendem.
Aliás, esse fato é um dos critérios levados em conta para classificar uma cidade como “global”. Mas essa classificação é fundamentalmente econômica, levando em conta inclusive o número de bilionários (???) e grandes corporações com sede na cidade – ou seja, economicamente forte, mas pouco importando a distribuição de renda.
E claro que o sonho dos que chamo carinhosamente de “concretoscos” é que Porto Alegre seja uma cidade global (para eles o FSM é o encontro dos maconheiros…), e eles acham que para isso aconteça é preciso encher a cidade de espigões…
1 Novembro, 2009 às 18:36
Lucio Uberdan
Olá Cris,
O FSM 10 Anos Grande Porto Alegre vai acontecer no eixo POA até Novo Hamburgo, sendo que terão algumas atividades em Sapiranga, um dos motivos principais para isso é a pré-disposição das prefeituras da região em colaborar com o FSM, Porto Alegre já não tem tanta “disposição” como tempos atrás, e sem um governo do estado parceiro, a coisa tem piorado. Muito do atraso até agora com relação a programação, infra-estrutura, informações em geral da-se entre tantas coisas pela falta de recursos infelizmente. Mas a organização esta andando, com atraso é verdade, mas andando. Teremos um fórum hiper-descentralizado, até pq acontece aqui, e ao terminar começa na Bahia, e aqui acontecerá em várias cidades, onde cada uma abordará uma (umas) questões de grande relevância. Em breve, muito breve, as informações começarão a circular.
Um abraço,
Lucio Uberdan
Da coordenação do Fórum Social de Economia Solidária (Atividade do FSM 10 Anos Grande Porto Alegre)
4 Novembro, 2009 às 20:18
pedalante
Olá Cris,
Nós aqui de SP, com muitas dificuldades de obter informações sobre a realização desse fórum comemorativo e descentralizado. Já enviamos email, para o correio eletrônico indicado na página do fórum e até o momento…
Pensamos seriamente em nos deslocar para Salvador, que aparentemente se encontra mais mobilizada, para o fórum.
5 Novembro, 2009 às 06:58
Economia Solidária: 1º Fórum social e 1ª Feira mundial « Pedalante
[...] Desânimo pelo FSM [...]