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O projeto de revitalização do Cais Mauá leva, em sua definição, uma conotação positiva. Está embutido ali a informação de que a área está decadente e um projeto vai salvá-la, revitalizá-la. A ideia é construir prédios de até 33 andares na beira do Guaíba, no Centro de Porto Alegre, além de shopping e o escambau. Agora imaginem o impacto de tamanha construção, não apenas pela altura dos prédios – que dificulta a circulação de ar e impede a visibilidade do Guaíba, elitizando o espaço -, mas para o trânsito, já caótico no Centro, em especial na avenida Mauá.
Um analista afirma na Zero Hora de hoje, dia 9, página 38, que o projeto, que será votado dia 21 pela Câmara de Vereadores, não deve gerar polêmica. Afinal, representaria progresso, e quem é contra o progresso, né?
Mas sim, ele é polêmico. E, como tal, tem uma quantidade grande de pessoas contrárias a ele. A começar pela vereadora Maria Celeste, do PT, também entrevistada pelo jornal. O problema é que, enquanto uma pessoa “neutra” como o analista Edemar Tutikian afirma que o projeto é bom porque traz progresso, na fala de Maria Celeste é cortada a argumentação. Diz apenas que tem pontos problemáticos, mas o jornal não publica os motivos disso, o que impede o controverso da matéria.
Não interessa para a Zero Hora nenhuma crítica ao governo que ela apoia desde o início, ainda mais quando o prefeito será candidato a governador.
No quadro apresentado na mesma página, são entrevistadas duas arquitetas e urbanistas, supostamente pessoas isentas. Mas fica claro que uma defende enfaticamente o projeto e a outra está meio em cima do muro. Nenhuma é explicitamente contrária, o que gera um desequilíbrio. Embora o quadro seja sobre “Os pontos polêmicos”, ambas são favoráveis ao uso residencial dos prédios, ponto levantado pela vereadora Maria Celeste como problemático, e cujo motivo o jornal não explica. Mas se fazendo um esforço é possível inferir pelo menos uma razão: os apartamentos não poderão ser vendidos, já que a área é pública. Para quem, então, eles seriam destinados? Paira no ar.
A altura dos prédios é outro ponto controverso. É evidente, são 33 andares! Na orla do Guaíba, no Centro.
A arquiteta e urbanista que defende incondicionalmente o projeto, Maria Isabel Marocco Milanez, diz que o trânsito no Centro já é “crônico”. Mas, enquanto isso deveria ser um empecilho para a construção de mais prédios grandes, ela diz que o problema já existe, então, que diferença faz? É claro, para quem está preso no trânsito dá na mesma 15 minutos ou duas horas, suponho.
Com esse projeto, perde-se uma ótima oportunidade de revitalizar de verdade o Centro. A área ali é subutilizada, concordo, mas tem um potencial imenso. A vista é linda, a localização excelente. Poderia ser desenvolvido um projeto que possiblitasse a visitação dos porto-alegrenses, de forma ampla e democrática. Trabalhadores do Centro poderiam circular por ali em seu horário de almoço – poderiam inclusive ser construídos restaurantes na área. Agora, fazer um shopping?? Muito bacana, ter uma baita vista e fechá-la. Inteligente, não? Mais uma vez, defende-se para a Orla um projeto elitista, que reduz seus benefícios a um número mínimo de pessoas.
Porto Alegre costumava ostentar o título de capital cultural do Brasil. Entre as características que lhe conferiam o posto, estava o de ter maior número de salas de cinema por habitante e a qualidade dos filmes que exibia. O número de salas eu não sei como anda, mas a qualidade tem deixado muito a desejar. Nem o Guion, tradicional por exibir filmes que não param no circuito comercial, tem se salvado nos últimos tempos.
Peguei o guia de cinema de ontem para marcar quais filmes eu queria ver, já que terminei a monografia de conclusão de curso e tenho bastante tempo livre. Marquei vários, mas os que não eram americanos, os blockbuster, eram exibidos em raríssimas salas, geralmente em um único horário. Que, claro, era no início da tarde.
Entram nessa lista de não tão comerciais filmes que até têm tido uma certa divulgação, como os brasileiros “Besouro” e “Do começo ao fim”. Esse último estreou há pouquíssimo tempo e está em uma única sala. Junto com eles, “Che 2 – A Guerrilha”. É um filme americano, mas que, por razões óbvias, não interessa divulgar. Foi bem pouco comentado e agora está penando um abandono das salas porto-alegrenses. A única que o salva é a Casa de Cultura Mário Quintana, essa sim apoiadora de produções não tão vendáveis.
O fato é que a exibição cinematográfica de Porto Alegre está decepcionante. A decadência política e cultural que se nota nas ruas atingiu também o cinema.
“Na última sexta-feira, fui a uma dermatologista. O consultório ficava em uma outra cidade, localizada próxima ao Parcão, Moinhos de Vento, etc… e tal, como diria o ‘poeta’. Essa outra cidade, que podemos chamar de Parcãozópolis, diferentemente de Porto Alegre, tem ruas limpas e asfaltadas, sem buracos e sem mato crescendo junto ao meio-fio. Uma cidade agradável, com um prefeito zeloso. Coisa de dar inveja a quem mora em Porto Alegre, mesmo em bairros de classe média, como o Menino Deus.”
Li na TV do ônibus ontem: “Chuva em Porto Alegre deixa sete sinaleiras sem funcionar”.
Agora não funciona mais nenhuma então. Acabaram com as últimas.
#prefeiturapoa #caos
A parte midiática da Feira do Livro está de doer. Tanto a publicitária quanto a jornalística, oficial ou semi-oficial.
A parte publicitária e oficial é meio macabra, com aquela mão saindo de dentro dos livros. Os marcadores de páginas são feios e mais afastam da leitura do que aproximam. Emoção? Bah, será que a prefeitura realmente acha que passa a ideia de que o livro transmite emoção porque tem uma mão a la filme de terror saindo dele? Não só não passa a ideia pretendida como é feia a campanha publicitária.
Já a parte semi-oficial (de tanto que elogia a prefeitura do Fogaça, já é quase quase parte dela) e jornalística também decepciona. O Caderno da Feira que a Zero Hora produziu é bem fraquinho. É em ocasiões como essa que se pode aprofundar um pouco mais o conteúdo, explorar o aspecto cultural da coisa, ir além do óbvio, ser criativo. Mas a criatividade do jornal é bem duvidosa. Admito, eles até se esforçam. Estão vinculando bastante ao twitter, integrando mídias e tal. Mas a cobertura está superficial demais. Fica naquela de “qual teu livro preferido?” que não dá mais. Aliás, que nunca deu.
A Feira do Livro é um engodo. Quer dizer, não exatamente, mas em parte.
Não critico só por criticar, porque eu adoro a Feira. Adoro as mudanças que ela promove em Porto Alegre e nas pessoas de Porto Alegre. Adoro andar pelo Centro em tempos de Feira, circular pelos corredores. E as atividades culturais que ela promove são realmente louváveis. Não sei se há outro evento semelhante em termos de movimentação cultural na nossa capital. A programação – ainda não vi a desse ano – tem sido bastante extensa, com coisas ruinzinhas, outras passáveis e algumas realmente boas.
O problema da Feira são os livros. Tá, ela não existiria sem eles e, mesmo que fossem promovidas as atividades todas, não seria nem de longe a mesma coisa. Mas 20% de desconto é de fato um engodo. Compro com descontos maiores ao longo do ano inteiro em lojas virtuais, que frequentemente me oferecem fretes grátis, ou até em algumas lojas bem reais, que têm dias do mês destinados a um desconto desse porte.
Não bastassem os livros no Brasil já serem absurdamente caros… Basta comparar com nossa vizinha Argentina. Deveria, sim, haver um incentivo maior. Como querer que as pessoas leiam mais se a maioria de nossas bibliotecas são pobres – e as pessoas nem sabem que podem retirar livros de graça nelas – e se os nossos livros são muito muito caros?
Ah, a Feira vale pelos saldos também. Tem que ser nos primeiros dias, mas se acha coisas muito boas garimpando bem.
Ontem quase postei sobre um artigo do Voltaire Schilling na Zero Hora, sobre a Bienal, Porto Alegre, arte contemporânea e as coisas que chamam de arte e que estão espalhadas aí pela cidade. Exemplos são a cuia gigante no Gasômetro, a casa monstro da Rua da Praia, um monumento em homenagem ao marechal Castello Branco (!) no Parcão (!!) e mais uns quantos monumentos que ele chama de monstruosidades. Acabei deixando pra hoje e, quando peguei a Zero Hora, vi que deu o maior bafafá. Agora tem uns quantos representantes do cenário artístico que ficaram indignados.
E
reclamaram porque ele não sabia do que estava falando, não tinha conhecimento de onde tinham vindo as obras. Voltaire disse que era pra prefeitura não aceitar mais “obras de arte” como essas. A crítica que fizeram a ele foi de que ele não sabia que por algumas a prefeitura tinha pago e que outras foram escolhidas por concurso. Pior ainda, oras. E ainda por cima não era nada disso o objetivo do historiador. Ele só queria reclamar que a cidade estava feia. Ponto.
Também ontem vi um trechinho de uma entrevista na TV Brasil com o Ferreira Gullar. Infelizmente, vi muito pouquinho, porque estava ótimo. Uma das coisas que ele falou, nada a ver com Bienal, nem tinha se tocado no assunto, é que arte é o que fica. Que é o que marca, que tem um significado. Um dia ele viu uma das frases dele em um copo sem indicação de autoria. Ele disse que ficou muito feliz, porque, “se não tem meu nome, é de todo mundo”.
A arte de verdade, segundo ele, é aquilo do que as pessoas se apropriam, porque gostam e, portanto, perdura.
Para o Voltaire Schilling, os monumentos de Porto Alegre não são arte porque são feios.
As obras da Bienal não perduram. Não são bonitas. O conceito de arte é muito pessoal. Não ouso dizer que a Bienal não é arte, porque não quero me meter em um campo que não é o meu. Se bem que, ao mesmo tempo, o campo artístico tem um quê do jornalístico. Não é específico de quem o domina. Assim como o jornalismo deve ser discutido pela sociedade de um modo geral, acho que a arte também se presta a isso.
E nesse sentido, insisto: na medida em que tudo é arte, nada é arte. Se a qualquer coisa é atribuído valor, o que efetivamente tem valor o perde.
Demorou um pouquinho, mas no último post eu disse que tinha uns comentários pra fazer. Não foi no dia seguinte, que minha internet caiu, o mundo caiu e patati patatá. Mas antes tarde do que nunca, aqui vai um deles, e vai ser tri xoxo tanto tempo depois. É sobre a especulação imobiliária em São Paulo.
Eu estava preocupada com os rumos que as coisas estão tomando em Porto Alegre, que a cidade está sendo tomada pelos prédios altos, que daqui a pouco teremos um Plano Diretor atendendo aos interesses das construtoras e todas essas coisas. Pois bem, a coisa é ainda mais preocupante. Sabemos já que a tendência a isso é mundial (vide Dubai), mas agora fico sabendo que em São Paulo as providências já estão sendo tomadas. A maioria kassabista de uma comissão da Câmara de Vereadores aprovou um projeto proposto pelo prefeito Kassab de revisão no Plano Diretor. Pelo pouco que fala na Carta, deu pra perceber que a coisa vai pelo pior rumo, de liberar tudo o que as construtoras quiserem, tirar os obstáculos, ignorar os movimentos sociais. Não é só preocupante, é assustador.
Aniversário de Porto Alegre. Em vez de louvar a cidade, a RBS louva o prefeito: http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=56831&channel=45 (ver a partir de 4 minutos).
E não é que o projeto foi aprovado? Agora, se o executivo não fizer uma consulta popular em 120 dias (sem espaço para propaganda e sem obrigatoriedade de voto), o projeto é aprovado automaticamente. E a Zero Hora finge que não acontece nada. Chega a embrulhar o estômago, de raiva.
Reunião num canto da Câmara de Vereadores de Palomas. João da Garupa cochicha com seus coleguinhas:
- Agora vai. Palomas precisa de espigões. Vamos autorizar a construção de um conjunto residencial de luxo na Ponta do Denílson. Coisa de país desenvolvido. Mas primeiro temos de expulsar o pobrerio dali das proximidades.
- Bueno, com qual argumento? – inquieta-se Tinão.
- Ora, com a lei: a beira do rio não é para moradia.
- Entendi, muito boa essa, depois a gente muda a lei.
- Calma, Tinão. Só depois que a área for vendida.
- Genial, João – entusiasma-se Carvãozinho. – Assim quem comprar poderá pagar mais barato e depois ganhar muito. O progresso exige investimentos arriscados e visionários.
- Hummm… Aquela área não foi doada pelo poder público? Tendo perdido a função, não deveria voltar a ser pública?
- Bobagem, Aniceto, um dos nossos interventores, gente boa da redentora, eliminou essa exigência, alegando questão de segurança nacional. Não tem pra ninguém.
- E se tiver muita pressão da opinião pública, João?
- A gente recua e pede ao prefeito para vetar.
- Nossa, tu pensas em tudo, João.
- Mas se o prefeito veta, não acaba tudo?
- A gente sugere que ele recomende um referendo.
- E se ele topa?
- A gente derruba o veto.
- E se, de novo, a opinião pública pressionar?
- A gente confirma o veto, aprova antes outros projetos de clubes de futebol, mistura tudo, confunde um pouco e transforma o referendo em consulta popular.
- Qual a diferença, João? Já não me lembro.
- O voto na consulta popular não é obrigatório.
- Mas que argumento usar para cancelar o referendo?
- O preço. Vamos dizer que sai muito caro.
- Nossa, João, tu pensas em tudo mesmo.
- Eu me inspiro em Carlos Lacerda. Uma vez, quando Getúlio se candidatou à Presidência, em 1950, Lacerda saiu-se com esta: ‘Vargas não deve ser candidato. Se for candidato, não deve ser eleito. Se for eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar. Se governar, deve ser pressionado até ser deposto.
- É… Mas ele foi eleito, tomou posse e governou…
- Deu no que deu, não é, Aniceto?
- Que cultura! Que preparação!
- É que eu me preocupo com o futuro de Palomas.
- E o resto da orla, vai continuar igual?
- Não sejas bobo, Aniceto. Onde passa um boi, passa uma boiada. Depois de passar uma cabecinha, vai o resto.
- Hummm… Os ecologistas vão berrar até o fim.
- Deixa que berrem, Carvãozinho, teremos a mídia a nosso favor. A Rede Baita Sol vai fechar com a gente, não é?
- Essa é quente mesmo. Sempre do lado do progresso.
- E se mesmo assim o berreiro for grande demais?
- Ora, Aniceto, nossos visionários vão pressionar o restante da mídia. Todo empresário já foi patrocinador ou será patrocinador um dia. É gente com poder de fogo.
- É, não tem erro, João, é tiro certo.
- Certeiro, Aniceto. Rumo ao futuro grandioso.
- Mas pode demorar. Sabe como é, tudo é lento.
- A gente aprova regime de urgência.
- Agora vai! Precisa mesmo essa consulta popular?
- Vamos ver…
Por Juremir Machado da Silva, no Correio do Povo de hoje
Imagina que tu tens uma casa há muitos e muitos anos. Ela já é quase parte da família. Aí um dia tu decides vendê-la, porque tiveste quadrigêmeos e precisas de mais quartos, mas não podes construir mais um andar, ali é proibido. Tu fazes uma pesquisa de mercado e descobre que ela vale 10 mil reais. Pões à venda e, depois de um tempinho, ela é comprada por esse preço. Alguns meses depois, um amigo do novo dono da tua casa propõe uma lei que permita construir mais ali. A lei é aprovada e o cara constrói uma casa de três andares e aluga os quartos. Ganha uma grana. E agora, por causa da nova lei, o terreno vale 100 mil. Agora imagina essa situação em proporções bem maiores.
Pois é, teu dinheiro está sendo desviado, caro contribuinte, mas de uma forma legal. A notícia já é meio velha, mas, dois dias atrás, foi aprovado na Câmara de Vereadores um projeto de lei pra lá de sacana. Em 2005, a área do antigo Estaleiro Só, na orla do Guaíba, foi vendida por 7 milhões de reais para o grupo SVB Participações, uma ninharia para o tamanho do lugar e pela sua localização. Inicialmente, não havia interessados em comprar a área porque ali não se podia construir nada muito grande, era proibido por lei. Era espaço público, tinha que construir para todos. Afinal, construir ali para poucos é como vender o pôr-do-sol.
Depois de adiar várias vezes por causa das eleições (podia pegar mal, né), essa semana, pois, foi aprovado o tal projeto. Ele permite que se construa. E não só, já tem até projeto pra construir ali, há muito tempo. São cinco prédios de 12 andares, com garagem e o escambau. Até marina tem, com espaço para estacionar o barco de cada morador do novo empreendimento. A região está sendo valorizada por conta do shopping Barra Sul ainda por cima. Toda a Zona Sul está valorizando. Foi construído o Museu Iberê Camargo, tem vários fatores melhorando o preço dos imóveis por ali. Os prédios vão ser de alto luxo, com uma vista panorâmica para o cartão postal de Porto Alegre. Imagina quanto não vai custar cada apartamento e qual não vai ser o lucro dessa construtora. Eu ouvi alguma coisa em torno de 20 milhões, mas aí acho um pouco de exagero. Mas pelo menos um milhão de reais eles tiram em cada apartamento. Se venderem sete, pagam o terreno. Está prevista a construção de 220, mais um hotel com 200 quartos, um píer e uma extensa área comercial.
Esqueçamos por um momento a questão ambiental, o direito de exclusividade que alguns poucos ricos terão sobre o pôr-do-sol, a questão urbana (todos importantíssimos, evidentemente, mas já tratados em outro post). Nos detenhamos a uma questão: é ético? Sinceramente, não consigo enxergar onde está a ética dos vereadores que votaram a favor disso. É uma forma de corrupção legal, pois põe no lixo dinheiro público.
Quem votou a favor:
Alceu Brasinha (PTB)
Almerindo Filho (PTB)
Bernardino Vendruscolo (PMDB)
Dr. Goulart (PTB)
Elias Vidal (PPS)
Ervino Besson (PDT)
Haroldo de Souza (PMDB)
João Carlos Nedel (PP)
João Antônio Dib (PP)
João Bosco Vaz (PDT)
José Ismael Heinen (DEM)
Luiz Braz (PSDB)
Maria Luiza (PTB)
Maristela Meneghetti (DEM)
Maurício Dziedricki (PTB)
Mauro Zacher (PDT)
Nereu D´Avila (PDT)
Nilo Santos (PTB)
Sebastião Melo (PMDB)
Valdir Caetano (PR)
Declarações de alguns deles, retiradas do blog RS Urgente (comentários meus):
Luiz Braz (PSDB)
“Para mim, tanto fez como tanto faz.”
Elias Vidal (PPS)
“Futuras gerações? Eu quero é para mim e agora”.
“Ecologia o caramba”.
“Essa empresa vem com responsabilidade para Porto Alegre devolver a orla para nós”. [nós quem, cara pálida?]
Brasinha (PTB)
“Eu queria que tivesse mais três, quatro pontal do estaleiro.” [ganhava mais dinheiro, né?]
“Eu votava duas vezes esse projeto”. [duas vezes mais dinheiro]
“Eles ali (os empresários) querem o crescimento. Vocês não querem?” [dos empresários? não, obrigada.]
Haroldo de Souza (PMDB)
“Machuca o meu coração quando levanta alguma suspeita de que pode estar correndo dinheiro por este projeto”. [o coração e o bolso]
“Esse é o momento mais sublime da vida do vereador”.
“Vai mostrar esse dinheiro para o teu pai”.
José Ismael Heinen (DEM)
“A iniciativa privada, auto-sustentável, vai trazer riqueza para nós”. [nós quem, cara pálida?]
“Chega do Império do Público.” [claro, ganhando dinheiro, é melhor o privado mesmo]
“De repente, nossos filhos universitários tenham que continuar indo aos Estados Unidos encontrar oportunidades”.
Nereu D’Avila (PDT)
“Presidente, os mal educados têm que se retirar”. [tenha a bondade, vereador]
“Essa casa aqui não é circo”. [até onde eu sei, é a casa do povo, certo? não é ali que tem que se defender os interesses do povo? ah tá.]
“Nós somos vereadores e temos o direito de usar a tribuna em silêncio”. [nesse caso, seria bem mais produtivo mesmo]
Nilo Santos (PTB)
“Reclamam que não se poderá ver o Guaíba, mas há uma via de 20 metros para o carro passar”. [aaaah, bom, agora sim.]
João Antônio Dib (PP)
“Não vai acontecer outra construção na orla do Guaíba”. [pra quê? essa já vai acabar com a vista mesmo.]
”Eu não quero ver aquilo virar outra vila do Chocolatão.” [melhor ficar bonito, bem rico, brilhando, mas pra bem poucos, né?]
Dr. Goulart (PTB)
“Aqui tá o Iberê no meio da selva.” (mostrando foto do museu)
“Quem manda aqui é o vereador, não é a Justiça.” [obrigada por avisar]
“A Justiça é para trabalhar com criminoso, não com vereador.” [ué, achei que fosse a mesma coisa]
“Quem decide altura de prédio é vereador.”
Quem votou contra:
Adeli Sell (PT)
Aldacir Oliboni (PT)
Beto Moesch (PP)
Carlos Todeschini (PT)
Cláudio Sebenelo (PSDB)
Dr. Raul (PMDB)
Guilherme Barbosa (PT)
José Valdir (PT)
Marcelo Danéris (PT)
Margarete Moraes (PT)
Maria Celeste (PT)
Mauro Pinheiro (PT)
Neuza Canabarro (PDT)
Professor Garcia (PMDB)
Abstenções:
Elói Guimarães (PTB)
Maristela Maffei (PCdoB)
Do site do Jornal Já, um resumo do projeto, pronto há muito tempo:
“O empreendimento, estimado em R$ 130 milhões, prevê a construção de cinco edifícios residenciais de 12 andares (220 apartamentos e uma área de 32.160 mil metros quadrados), um hotel com 200 apartamentos e centro de convenções, estacionamento com 1.449 vagas, prédios para escritórios e consultórios, uma marina, um píer para embarcações turísticas, uma esplanada pública de lazer e espaço para bares, restaurantes, lancherias e danceteria.”
Amanhã deve ser votado o projeto do Pontal do Estaleiro. Tenho diversos motivos para ser contra. Vários deles expressos aqui – é um post desse mesmo blog, então dá uma olhada lá e tal… O fato é que vai ter manifestação e eu não vou poder ir, mas para quem tiver interesse, é amanhã, às 13h, na Faculdade de Arquitetura da UFRGS. Aí começa uma caminhada. A votação acontece às 14h na Câmara de Vereadores. Ainda dá tempo de assinar o abaixo-assinado eletrônico. Diga não!


O Fórum Social Mundial de 2010 vai acontecer na Grande Porto Alegre. Quando eu fiquei sabendo, faz um tempo já, fiquei muito feliz. Era uma oportunidade de ter de volta a vida dos fóruns anteriores que aconteceram aqui. Aquilo movimentou a cidade de um jeito incrível.


