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Luta de classes

8 abril, 2008

Domingo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso assinou um artigo na Zero Hora em que aproveita os deslizes verbais do atual, Lula, para defender suas idéias neoliberais. Para ele, é absurdo “reviver a cantilena dos ‘dois Brasis'”, o dos pobres e o dos ricos. Compara a situação com a enfrentada por Obama e Mandela e seus discursos pró-igualdade e de união entre brancos e negros. Para FHC, deveria ser feito o mesmo entre os ricos e os pobres.

Incorre aí em dois erros graves. Primeiro, coloca o também neoliberal Barack Obama no mesmo patamar ideológico do líder popular sul-africano progressista Nelson Mandela. Que seja feita a devida distinção.

O segundo erro me surpreende na medida em que Fernando Henrique é um grande sociólogo, conhecido internacionalmente pelos livros escritos antes que ele nos mandasse esquecê-los. Mas é também um erro esperado de um político não só defensor do capitalismo, mas que se posiciona ao lado dos donos do capital dentro do sistema, buscando preservar essa sua condição. O erro, enfim, é que ele iguala as diferenças de raça às sociais. E invoca Nelson Mandela ao falar da “necessidade de reconciliação entre negros e brancos”.

Acontece que a “reconciliação” entre negros e brancos não acontece da mesma forma que a entre pobres e ricos. Reconciliar negros e brancos é acabar com o preconceito, é buscar a igualdade. Reconciliar pobres e ricos é fingir que não há aí um problema social, é aceitar a desigualdade como inerente ao sistema. Nesse caso, ao contrário do anterior, é não fazer nada.

Mas realmente, não é de espantar que FHC defenda essa inércia, pois, para o capitalismo, essa diferença de classe tem que existir, tem que estar sempre viva. É o típico pensamento, repito, neoliberal, que prefere ignorar que podem existir outros sistemas, que Marx falava na luta de classes, exatamente o oposto dessa reconciliação entre as classes proposta pelo ex-presidente. É melhor lembrar que existem classes, sim, do que ignorar as diferenças. Lembrar que existem os ricos e que existem os pobres. E que existem dois Brasis e que temos que fazer alguma coisa para mudar isso.

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2 Comentários leave one →
  1. 9 abril, 2008 14:06

    Sobre o artigo do FHC, é brabo mesmo, viu…mas é esperado. Ele esqueceu que é inteligente, deixou o raciocínio lógico de lado. A gente esquece o que ele escreveu e ele esquece de pensar.

    Agora, vou dizer um negócio: que puta texto o teu!

  2. 9 abril, 2008 19:28

    Puta texto o teu mesmo.
    E eu só não esqueço o que FHC escreveu pq nunca li.

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