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A cirurgia

22 abril, 2008

Eu estava no hospital acompanhando meu avô. Era uma sala branca, grande, com vários leitos sem divisórias ao redor de toda a sala, um espaço grande vazio no meio. Mas não era um lugar pobre. Era assim, pronto. Eu estava entre duas camas, sentada em uma poltrona, fazendo companhia ali. Meu avô estava diferente, mais alegre, apesar de no hospital.

Uma cirurgia ia acontecer em instantes. Não com meu avô, mas ali, no meio daquela sala, com um desconhecido qualquer. Os aparelhos foram sendo trazidos. Coisas grandes, modernas. Ia ser um acontecimento e tanto. Talvez o acontecimento do ano. E eu estava ali, ia poder assistir.

Começou o jogo. Era Brasil! Meu avô levantou, tocado pelo hino. Subiu na cama, colocou a mão no peito e cantou, como um bom brasileiro. E os caras arrumando as coisas pra cirurgia, nem aí pro Brasil. Que espécie de brasileiros eram eles?

Mas antes eu tinha que assistir a uma aula. O jogo já ia começar, mas a aula… Desci, a sala era no andar de baixo, um bando de gente, todo mundo interessado. Claro, aula com o Cazuza, quem não quer? Cheguei, cumprimentei o professor, com aquela faixa vermelha na cabeça. Ele me respondeu no seu legítimo carioquês. Sentei naquela cadeira pequena, àquela mesinha redonda, cheia de cadeirinhas ao redor. Sabe aquelas mesinhas de creche, uma cadeira de cada cor? Essa mesmo, a mesa azul claro. Ao meu lado, meus coleguinhas de faculdade, todos espremidos nas micro cadeirinhas.

A aula começou e acabou e eu nem vi. Caramba, o Cazuza ali e eu não consegui absorver nada. Maldita cirurgia, tenho que voltar logo, senão eu perco. Rápido, elevador. Escada, escada é mais rápido, é um andar só. Epa, quem são essas pessoas? Como assim já está lotado? Ei, meu avô está ali dentro. Droga, perdi a cirurgia. O acontecimento do ano. Por aquelas frestinhas não dá pra enxergar. E a cirurgia lá, acontecendo. Já deviam estar abrindo o paciente. A pessoa desconhecida. Meu avô assistia, assim como todos os outros pacientes daquela sala grande cheia de leitos. Eu estava do lado de fora.

Daí… Bom, daí eu acordei.

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One Comment leave one →
  1. 24 abril, 2008 22:23

    O primeiro sonho que tu lembra na história e é essa loucura. Imagina o que o mundo perdeu com os que tu não lembrou…

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