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(In) dignidade

8 maio, 2008

E o Agripino, hein, que papelão! Depois do depoimento da Dilma Rousseff até ele se deu conta da cagada que tinha feito. Questionar as suas “mentiras” aos torturadores durante a ditadura foi uma bela pisada na bola. É uma mistura de reacionarismo, conservadorismo, direitismo, autoritarismo e muita burrice.

É burrice porque, naquelas circunstâncias, não importa se quem fala é a ministra do governo Lula ou qualquer outra pessoa. Importa que é uma pessoa que foi torturada e isso já é senso comum de que é absurdo. Ninguém mais duvida do heroísmo daqueles que conseguem se manter leais aos companheiros no meio de uma sessão de tortura. Questionar esse momento da vida da ministra é questionar toda a opinião pública. É a fase de sua vida que todos são obrigados a admitir como digna e a respeitar pela sua coragem.

Discordar da política do atual governo é uma coisa. Acusar o PAC é uma coisa. Questionar a legitimidade da atuação dos que lutaram contra a ditadura é outra bem diferente. Burro é quem não consegue ver isso e se queima com esse tipo de pergunta. Imbecil é quem admite que acha que mentir para os torturadores é indigno e que essa é uma mentira como outra qualquer, e portanto condenável. Conservador, reacionário e indigno é quem se permite pensar dessa forma ainda hoje.

A perguta de Agripino: “Eu tenho medo de estarmos voltando ao regime de exceção. O Estado policialesco permite o Estado de exceção. O dossiê, na minha opinião e de muitos brasileiros, é o retorno do regime de exceção para encostar algumas pessoas na parede, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e dona Ruth Cardoso. Com todo o respeito, eu gostaria que dessa reunião resultasse o esclarecimento definitivo.”

A resposta de Dilma: “O que aconteceu ao longo dos anos 70, não é ditadura policialesca, mas a impossibilidade de se dizer a verdade em qualquer circunstância. O direito a livre expressão estava enterrado. Não se dialoga com o pau-de-arara, o choque elétrico e a morte. É isso que é importante hoje na democracia brasileira. Qualquer comparação entre ditadura e democracia, só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira. (…) Isso integra a minha biografia da qual eu tenho orgulho. Me orgulho de ter mentido, mentir na tortura não é fácil. Diante da tortura, quem tem dignidade fala mentira. Agüentar tortura é dificílimo. Todos nos somos muito frágeis, somos humanos, temos dor, a sedução, a tentação de falar o que ocorreu. A dor é insuportável o senhor não imagina o quanto. Me orgulho de ter mentido porque salvei companheiros da mesma tortura e da morte.”

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