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Transporte do pão e circo

24 junho, 2008

“Quando vi, achei que era uma lotação, pelo tamanho, mas depois vi escrito ‘Carris’”. Rosana Gazzola demorou para reconhecer o ônibus que tinha que pegar para ir ao dentista. O tamanho reduzido do C2, assim como dos outros circulares da Companhia Carris Porto-alegrense, chama a atenção de quem espera nas paradas. Com um trajeto majoritariamente central, os motoristas tinham dificuldade de dirigir pelas ruas estreitas. Agora os ônibus, que circulam desde 4 de junho, têm cerca de dois metros a menos no comprimento. Mas os passageiros continuam com o mesmo tamanho e em mesmo número.

Para o estudante Caio Turbiani, que pega o C2 e o C3 diariamente, a redução causa lotação excessiva: “Antes era difícil ver gente em pé, agora tem sempre”. Às 17h15min de sexta-feira, dia 13, 35 pessoas se amontoavam em pé no C3 que passava pela avenida Venâncio Aires.

O C2 tinha três carros de 47 assentos. Agora tem quatro com 27 lugares cada. Mesmo com o aumento no número de veículos, a procura ainda é maior que a oferta. Antes, o total de assentos da linha era de 141. Com a mudança, os passageiros passaram a ter 108 bancos.

A mudança integra o projeto Viva o Centro e, segundo o diretor técnico da Carris, Hélio Mendes, o objetivo é trazer maior qualidade de vida. “Os carros são mais leves, então consomem menos combustível e poluem menos”, explica. Para um motorista do C3, o tamanho ajuda nas manobras: “na Demétrio (Ribeiro) às vezes tinha que esperar um carro mal estacionado sair para poder passar”.

A população exige um aumento na freqüência dos ônibus, para compensar. O C2, que atende 3.000 pessoas, foi a única linha que teve aumentado o número de carros. No entanto, para seus 2.600 passageiros, o C3 perdeu um veículo. Os 1.500 usuários do C1 continuam tendo quatro carros à disposição. No total, o número de ônibus é o mesmo, enquanto os assentos passaram de 517 para 297. O motorista Agilberto Quiroz, no C2 há 22 anos, admite que os veículos ficam mais cheios do que antes. Uma passageira do C3 reclama que a linha não dá conta: “Fiquei 20 minutos esperando hoje”. Mendes argumenta: “se houver mais demanda, vamos cobrir com outros ônibus”.

A televisão é a novidade mais anunciada pela prefeitura. Mas ela passa despercebida para muitos passageiros, que têm que se esticar para desviar das cabeças que ficam na frente e enxergar a tela. “Eu nem vejo TV. No ônibus a gente quer olhar pra fora, ver a rua”, afirma uma passageira que pega o C2 de duas a três vezes por dia. Outras melhorias são o telefone e o câmbio automático.

Metade dos passageiros do C1, C2 e C3 tem mais de 60 anos, reflexo da população do centro da cidade. Para atendê-los, os ônibus têm a entrada rebaixada. A porta de saída fica no meio do veículo e também é mais baixa. Logo depois dela, porém, há dois degraus, atrás dos quais fica a maioria dos assentos. Essa é a parte mais criticada, considerada perigosa para os idosos. “Já vi muita gente caindo”, afirma uma passageira do C3. Hélio Mendes diz que o problema não tem solução e os carros vão continuar com os degraus.

Os ônibus foram comprados por R$ 333 mil cada. Os antigos tinham dez anos de uso e estavam no limite da sua capacidade, segundo Mendes. Eles foram vendidos por R$ 50 mil para prefeituras do interior do estado.

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