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A vida sem juízo

25 junho, 2008

Sabe aquela coisa que dizem que dá juízo pra quem tem? Acho que eu posso ser bem irresponsável, sem medo de me perguntarem se eu não aprendi a me comportar. Agora definitivamente não tenho mais juízo. Tudo bem que pra isso eu tive que ficar com as mãos frias, molhadas de um suor gelado, o corpo teso, tenso e a boca meio aberta. Lá se foi meu último dente lá do fundão, que eu nunca soube direito se se escreve com cê ou com esse. O tal do juízo.

Tem umas pessoas que são, sei lá, abençoadas. Eu tinha uma colega no colégio que, por uma evolução genética, não sei direito, nasceu sem os cisos, sisos, scisos e çisos. Ela nunca ia precisar tirar. Isso me fez pensar se eu sou mais retardada no mundo evolugenético, já que tive que tirar os quatro, que me infernizaram direitinho.

Se bem que eu também não fui das mais azaradas. Nesse último, o cara me deu anestesia, cortou a gengiva e tirou o dentão pra fora em menos de dez minutos. Depois foi só costurar e me dar a receita do antiinflamatório. Em quinze minutos eu saí da sala do dentista. Lembro que no dia que eu tirei o terceiro comi um monte de pizza e tomei tequila à beça de noite. Quer dizer, não lembro muito bem. Mas foi tudo em casa, de forma bem responsável. Afinal, eu ainda tinha um quarto de juízo. Agora que eu tirei o último, devia ter ido pra uma rave.

As minhas primas penaram um poquinho mais, ficaram deitadas, de cara inchada. Elas não sabiam do que uma garrafa de tequila é capaz. Aliás, isso me faz lembrar… Desculpa, Agni, da próxima vez que eu precisar de dentista, vou no teu consultório, mas sacomé, o cara já tinha me tirado os outros três, tri tranqüilo, de repente é sorte, melhor não arriscar. Fui até com a mesma calcinha. Tá, não, eu não lembro com que calcinha eu tirei dentes anos atrás. Mas a idéia era de superstição mesmo e tal.

Agora tem uns troços pretos dentro da minha boca. Cada vez que eu passo a língua me dá vontade de arrancar. Mas aí deve doer, e eu sou meio fraca pra dor. Não tanto quanto meu namorado ou meu pai, mas ainda meio cagona. Uma semana com esses fios ali pendurados. Parece que ficou um feijão no dente. Desculpa se parecer nojento, mas é a clara sensação de ter uma coisa ali que não pertence àquele lugar. Bom, mais uns dias e eu posso finalmente me considerar sem nada dessas coisas: dente, juízo e fios pretos esquisitos.

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2 Comentários leave one →
  1. 26 junho, 2008 03:26

    Eu tenho os quatro. E sem previsão de tirar.

  2. 26 junho, 2008 12:20

    os dois que eu tinha, perdi na alemanha. quero dizer, nao perdi, exatamente, porque eles ainda estao la, bem guardadinho me tentando a fazer aquela experiencia das propagandas da colgate. mas enfim o pouco juizo que me cabia foi-me arrancado nessa vida de alemoa.
    o que rende muitas metaforas filosoficas.

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