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Amigos

25 julho, 2008

Esse negócio de amizade é um troço esquisito. Não tenho bem certeza de por que a gente se torna amigo de alguém, se é mais por afinidade ou por oportunidade. De um modo geral, acho que as oportunidades geram as afinidades. Quando eu escolho uma faculdade ou trabalho na área que eu escolher, vou conhecer pessoas que tenham as mesmas motivações que eu. Tá parecendo um papo meio auto-ajuda, né? Mas eu explico. Essa semana reencontrei uma colega do colégio. A guria é insuportável, e eu andava sempre com ela. E é burra, coitada. Vai se formar agora, veio me convidar, e passou o tempo inteiro falando em como ela é boa. É metida, ainda por cima. Agora me explica, por que diabos eu desperdicei anos da minha vida com uma amizade assim? Será que por falta de companhia melhor? Sei lá, acho que aí é muito mais uma questão de oportunidade mesmo. Quando se tem seis anos e se é extremamente tímido, fica difícil tentar conversar com muita gente pra ver quem é mais parecido contigo. Até porque, aos seis anos, todo mundo é meio parecido e meio diferente. Ninguém ainda formou opiniões sobre muitas coisas. No máximo um prato de comida ou um time de futebol. Mas nada é definitivo, todo mundo está descobrindo junto. E de repente, mesmo crescendo no mesmo colégio e partilhando os mesmos amigos e professores, a gente cresce diferente. Bem diferente. Aí a gente vê o peso da família, da criação, do tipo de vida. E vê quem é quem mesmo, o que a pessoa é de verdade. A gente vai se descobrindo. E de repente, cinco anos depois de quase não se ver, eu descubro que não sei quem é a pessoa que andou comigo durante onze anos. Essa tal de vida é estranha mesmo. As amizades vão mudando tanto. Reflexo do nosso crescimento, do nosso amadurecimento. Perder um amigo e ganhar outro (não que a gente tenha que ter apenas um amigo) pode ser um grande ganho ou uma grande perda. Às vezes, eles se vão. Às vezes, a gente manda eles embora, talvez até sem querer. Outras vezes, ninguém faz nada. Com essa do colégio, foi assim. Ninguém se mandou embora. Ninguém brigou. Na verdade, nos despedimos com beijos e abraços, comemorando uma formatura que parecia o fim, mas que não chegava nem perto disso. Na verdade, ali a vida começava de fato. Mas assim é. Perdi ali uma amiga, mas quem sabe não ganhei muito mais?

E que ela não leia o meu blog, pelamordedeus.

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3 Comentários leave one →
  1. 25 julho, 2008 23:37

    Vixi.
    Quem a gente não quer que leia, sempre acaba lendo.
    Mas parabéns pelo post corajoso – ou seria impensado?
    Teu texto tá muito bom.
    E pois é, as coisas funcionam assim, e é porque a gente faz funcionar desse jeito meio louco. É assim com todo mundo e todo mundo – que se faz perguntas – se faz essas perguntas e acha isso tudo estranho.

  2. 25 julho, 2008 23:55

    mas o mundo seria um lugar bem mais sem graça sem os amigos idiotas…

  3. Isma permalink
    5 agosto, 2008 06:30

    É por isso que tu escolheu ser minha amiga.

    E ela lerá, a burra.

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