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Duas crianças

24 setembro, 2008

Passei hoje por um menino andando de bicicleta. Ele dava voltas sempre no mesmo lugar em uma rua tranqüila em que quase não passam carros. Devia ter uns oito anos. Eu passei por ele bem de canto, às vezes as crianças perdem o equilíbrio e não conseguem desviar da gente. E elas se machucam mais, mesmo se são elas as que ocupam o assento em cima das rodas, são menores, ainda não aprenderam a cair, embora suas feridas curem mais depressa.

Passei ao longe – não tão ao longe, já que a rua era estreita -, mas fiquei cuidando seus movimentos. Era alegre, como a maioria das crianças. De repente largou a bicicleta e saiu andando com uma agilidade que me impressionou. Encontrava uma menina de uns seis anos, talvez irmã, talvez amiga ou vizinha. Bonita a cena de duas crianças se encontrando, brincando juntas.

Foi aí que o menino denunciou qual seria a brincadeira. Agarrou a menina pelo pescoço e a outra mão deixou fechada, apenas com dois dedos esticados voltados para a cabeça da amiga. Era uma arma. Não atirava, não matava, mas assustava. Talvez não a menina, já acostumada às brincadeiras do colega. Mas os adultos desavisados, desacostumados de seu tempo de criança, quando brincavam de casinha ou carrinho, não sabiam direito como reagir àquilo. Ele se divertia dizendo “Passa tudo senão eu atiro”. Será que ele vê isso na televisão ou na rua? É nos jornais ou nos vizinhos? É na vida.

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