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Dedicação

23 fevereiro, 2009

portoalegre-tingaParecia uma baita duma indiada. Até foi um pouco. Chegamos lá e estava tudo vazio, tri pouca gente. Uma coisa meio melancólica até, não parecia Carnaval. Já era Porto Alegre, onde as arquibancadas não ficam totalmente cheias nem no desfile das escolas do Grupo Especial. Elas estão melhorando até. No primeiro dia, tinha uns carros grandes, daqueles que se mexem, cheios de efeitos. Não como no Rio, mas já nem parecia mais Porto Alegre. Vi esses pela televisão.

O domingo era o primeiro dia das escolas do Grupo Especial do Rio. Era também o dia do desfile do Grupo de Acesso de Porto Alegre. Me fui para o Porto Seco. Eu, meu pai e minha mãe. Deveríamos chegar lá pelas 18h, segundo as informações do meu pai. Chegamos meia hora antes, pra garantir. Vazio. Ninguém da “nossa” escola. Na verdade escola de uns amigos, com quem meu pai trabalha e que nos convidaram para estar lá. Uma escola que existe desde 1989 e já esteve no Grupo Especial.

Por telefone, descobrimos que eles chegariam umas 18:30. Teríamos uma hora para, sei lá, conhecer o Porto Seco. O bar ainda estava fechado, não tinha nem brigadiano ainda. Estávamos lá, de calças brancas, sapatos brancos. A calça que antes eu fui buscar na casa de uma prima, não tenho calças brancas. Ainda isso, cuidar para não sujar as tais calças. Lá pelas 18:30 que eles nos falaram foi quando conseguimos comprar uma água. Eram 19h e nada. Pelo menos chegaram os garis, sinal de que não faltava muito pra coisa toda começar.

Mais uns 20 minutos e lá estavam eles, vindos da Restinga, um bairro bem no sul de Porto Alegre. O Porto Seco fica no extremo norte. De ônibus, levaram acho que uma hora e meia pra chegar. Se não tiver sido mais, coitados. Recebemos a túnica e o chapéu. O desfile era sobre o movimento negro, o enredo era bonito. Depois de trocar de roupa, já estava quase na hora de começar, às 20h. Antes das duas tribos, que desfilavam antes do Grupo de Acesso. Atrasou um pouquinho, mas tudo bem. Foi meia hora na avenida. Meia hora tentando sambar para mais ou menos umas 20 pessoas que nos assistiam. Eu estava na ala que fechava o desfile. A última ala de uma escola sem carros, quase sem fantasias, quase sem pessoas. Contei os que estavam comigo, com a mesma túnica, o mesmo chapéu, calças e sapatos brancos. Eu e mais treze.

Quando o desfile terminou, passada aquela meia hora em que praticamente nos arrastamos na avenida para não passar muito rápido, seu Nelson, que não é o presidente, mas talvez seja o vice, estava contente, radiante. Nos agradeceu e tinha plena convicção de que a escola estivera magnífica. “Só quando passarem as outras escolas eles vão ter uma noção da nossa. Vão ver como estava bonita e vão se perguntar o que estamos fazendo fora do desfile.” É triste, mas é bonito. É uma dedicação total, irrestrita, para desfilar para uma arquibancada vazia e nem ser julgada. Ano que vem é a mesma coisa, a escola só volta para o Grupo de Acesso em 2011. E, ainda assim, eles dedicam um ano inteiro para preparar aquele desfile.

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