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Crueldade

5 março, 2009

cruzÉ notícia hoje, todos os jornais falam. Uma menina de onze anos está grávida de sete meses, internada no hospital, a gravidez é de risco. Foi estuprada pelo padastro. Os jornais também lembram outro fato recente e parecido. Dessa vez a menina tinha nove. Crianças. Nesse caso, optou-se por não levar a gravidez adiante, ela era muito nova, não se sabia como seu corpo reagiria, que sequelas aquele absurdo poderia deixar. Nenhum jornal fala em como a criança lida com isso, em como ela sofre com isso, embora esteja implícito. A interrupção da gravidez foi recomendada pelo médico, por motivos clínicos, não psicológicos ou sociais. Pelo menos o médico foi sensato.

No Jornal Hoje, um padre velho, com cara de velho, não só de idade, mas de espírito, aparência feia de pessoa de alma feia, foi justificar a excomunhão do médico e da mãe da menina. Onde já se viu interromper uma gravidez? E a vida? “Os fins não justificam os meios”, ele disse. A menina tinha nove anos. Ela provavelmente não vai se recuperar do que lhe aconteceu nunca. Ela foi estuprada, dá pra imaginar? Ela, que brincava, e que brincaria ainda por muito tempo. Sabe-se lá o que ela pensa agora, como ela vai pensar no futuro. E era essa menina que o padre queria que carregasse outra criança. Isso tudo me é tão absurdo que não consigo nem articular um pensamento que explique esse absurdo. Para mim, está explícito, qualquer um vê. O que a Igreja (Católica, ressalte-se) fez, o que ela faz, o que ela sempre fez e parece que vai continuar fazendo por muito tempo ainda é crueldade. Crueldade.

Esse caso escancara a crueldade. Mas ela é cruel quando não permite o prazer às pessoas, quando defende a elite e pune quem ousa falar pelos pobres. Ela é cruel quando persegue outras religiões, quando mata em nome de deus. Que deus? Quando pune quem pensa diferente, quando joga na fogueira, quando faz velhinhas pensarem que deus é amor. O deus dessa Igreja é ódio. Será tão difícil de ver que tudo o que a Igreja traz para o mundo é maldade? E não é nenhuma obra de caridade feita em alguma paróquia por aí, ou algum pensamento ecumênico mais recente que vai me fazer mudar de ideia. É fachada. A Igreja é cruel em seu cerne. É má, ponto.

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6 Comentários leave one →
  1. 5 março, 2009 15:50

    A leitura já começou com lamentos, claro! Não poderia ser diferente, ainda mais tratanto-se de um assunto tão inquietante para a criança e para toda a sociedade que assiste embasbacada a tudo isso, lê nos jornais, vê nos noticiários de rádio e TV…

    A menina de 9 anos estava grávida de gêmeos, e certamente não sobreviveria, tinha 1,33 de altura e pesava 36 kg. Vinha sendo abusada desde os seis anos de idade pelo padrasto que ameaçava matar a mãe da menina caso ela abrisse a boca, isso sem falar da irmã deficiente que o fdp do padrasto abusava. Lamentável! Lamentável demais! Como é que uma mãe não percebe esse tipo de coisa e com tanto tempo? Me pego pensando numa desumana conivência! Ela levou a menina para se consultar em um hospital de um município vizinho, como quem tenta esconder alguma coisa. PQP!

    Quanto ao padre, reservo-me em ignorá-lo, o mais: dane-se o Padre! Desculpe o calibre da intensão da palavra, já apostando que você deve ter tido pensamentos que culminaram basicamente pro mesmo raciocínio.
    Um Padre não é nada, uma religião não é nada, uma denominação não é nada, uma Igreja é um lugar e lugares não são maus, pessoas são más!
    Igreja é o lugar onde pessoas se reúnem com o propósito de buscar a Deus, mas cara, existe tudo quanto é tipo de gente: existem pessoas boas de bom coração, existem pessoas de índole duvidosa, existem pessoas péssimas e sim… a Igreja sempre de portas abertas permite o acesso e o envolvimento de pessoas péssimas também, talvez acreditando que são boas, talvez sabendo que são más e o que é pior(ou melhor), na esperança de, sabendo que fulano é mau, que possa ficar bom, mudar. Não julgue a Igreja, mas sim perceba que pessoas são às vezes inacreditáveis!

    • 5 março, 2009 18:20

      Sobre a menina, não tenho nem mais o que comentar, concordamos, a situação é absurda.

      Sobre a Igreja, não falo nela como o lugar que as pessoas vão para rezar, ali na esquina. Falo dela como instituição. E, mesmo tendo pessoas bem intencionadas, pessoas boas dentro dela, ela, a instituição fez muito mais mal do que bem. Muito mais. Respeito quem acredita nas coisas que ela prega, respeito de verdade a fé. Não respeito é a instituição, pela falta de respeito que ela sempre teve com a humanidade, inclusive usando a fé e usando as pessoas boas.

  2. 7 março, 2009 08:57

    Claro, provavelmente deves estar falando na instituição católica, concordo com você.

  3. Heloísa Marinho permalink
    11 março, 2009 11:16

    Vi seu orkut no Jornalismo B e terminei olhando seu blog,Cris.
    Achei muito interessante vc ter tocado neste assunto da excomunhão dos médicos pelo padre em Recife.
    Sou contra ao aborto praticado por uma mulher ADULTA q pode ter acesso a metódos contraceptivos gratuitamente,ou até mesmo,por uma adolescente que tenha acesso a informação.Mas no caso dessa criança com apenas 9 anos,que além de ser estuprada pelo próprio padastro,engravidou de GÊMEOS,o que colocaria em risco sua vida.:O Os médicos tomaram a decisão correta.
    O padre foi totalmente INCOERENTE em suas declarações,pois,segundo ele, estava DEFENDENDO A VIDA,no entanto não percebeu que ao dar continuidade a gravizez a MENINA tinha GRANDES chances de MORRER.Além disso,ele declarou que um ESTUPRO é MENOS grave que um ABORTO!:O Para mim as ações têm o mesmo peso,já que ambas,querendo ou não,matam um ser humano,fisicamente ou moralmente.Claro,q no caso desse aborto feito pelos médicos devemos reconsiderar.Por que ele não excomungou o padrasto da menina também?;)
    Gostei muito do tema abordado e de sua opinião no geral,exceto a seguinte frase:”…Será tão difícil de ver que TUDO o que a Igreja traz para o mundo é maldade?…”Creio q em seu texto vc só tenha “pecado”(rsrsrsr)(ou melhor,cometido um deslize)(rsrsrsr) nessa simples palavra “TUDO”.Talvez essa seja sua visão,daí respeito,mas não concordo,pois NADA na vida pode ser TUDO,isso é uma opinião minha. 😉 O Islamismo prega a jihad,logo TODO mulçumano é terrorista?:O Sabe-se q isso não tem fundamento,pois ALGUNS grupos islâmicos deturparam as palavras de Maomé para obter proveito político.
    Com isso não quero passar uma borracha no passado e até mesmo no presente sombrio da Igreja,já que as Cruzadas,a Inquisição,as práticas de simonia,a cobrança de indulgências,censura da leitura de certos livros pela Igreja através do INDEX(uma lista de livros proibidos),a assinatura do Tratado de Latrão legitimando assim os governos totalitários(facistas e nazistas),entre outras ações,comprovam o que vc escreveu em outros trechos.Mas,vale salientar que essas ações foram feitas por HOMENS.Acredito que todas as religiões sejam válidas,basta apenas os fiéis discernirem o que está correto ou errado nas PALAVRAS dos HOMENS que as pregam.E até mesmo,a pessoa que não tem religião ou é ateu também é válido,desde que essas façam o BEM,é claro!Estamos no CÉU ou no INFERNO de acordo com nossa consciência.
    Gostei do seu blog,Cris!

    • 11 março, 2009 19:16

      Heloísa, que bom que gostaste do meu blog, fico contente e te convido para aparecer sempre, és muito bem vinda. Pois é, lendo teu comentário, fiquei pensando nessa questão do “tudo” que eu coloquei no meu texto. Concordo contigo que essas afirmações absolutas são perigosas e acredito que eu tenha me equivocado com ela.
      Explico melhor o que eu quis dizer, mas concordo que me expressei mal: o que eu penso é que, se colocarmos toda a história da Igreja Católica como instituição numa balança, o resultado é negativo. É importante ressaltar que a minha crítica é à instituição (e aos homens que a constituem, os responsáveis por fazer dela o que ela é e foi), não aos fiéis, desde que eles não compactuem com atitudes incoerentes e, no meu ver, cruéis, como a desse padre. Mas então eles estarão sendo criticados por mim por suas opiniões, não por acreditarem em Deus ou serem católicos, protestantes, muçulmanos…
      Discordamos em alguns pontos. Eu sou a favor do aborto, por exemplo. Mas, de um modo geral, somos a favor da vida, dos homens. E, independente de religião, concordamos que o importante é a contribuição social de cada um. Como disseste, que façam o bem.
      De novo, agradeço pela visita. Volta sempre.
      Um abraço

  4. Heloísa Marinho permalink
    13 março, 2009 23:46

    Fico feliz por ser bem-vinda ao seu blog! 😉
    Quanto as divergências de opiniões,eu acho ótimo q existam ! 😉
    É muito chato vc viver em mundo em que todas as pessoas seguem o mesmo estilo de vida e pensam do mesmo jeito,ou seja,são cópias umas das outras.
    A polêmica e o debate é o q nos tornam originais.

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