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O cara da auto-ajuda

13 março, 2009

“Por que todo mundo que gosta de literatura odeia auto-ajuda?”, me perguntou um rapaz que lia na Saraiva alguma coisa como Como fazer amigos e influenciar pessoas. Eu ainda acho que ele estava botando em prática o que o livro mandava, porque antes disso ele me perguntou as horas, me pediu uma caneta emprestada e me perguntou o que eu estava lendo, se eu gostava de literatura e se gostava de auto-ajuda (aliás, ainda tem hífen porque o prefixo termina com vogal e a palavra seguinte começa com a mesma vogal). Tudo bem que ele só tinha lido o índice (durante uns 10 minutos), mas deve ter aprendido alguma coisa. E demorou um tempão pra entender que eu estava lendo um livro sobre Rubem Braga e não do Rubem Braga. E que o Rubem Braga era cronista, mas acho que ele não sabia direito o que era uma crônica. Ah, e ele falava tudo bem direitinho, me chamando de você e tentando pronunciar todos os erres e eles. E usava uma camisa social. E me elogiou muito porque eu estava sofrendo agora estudando pra aproveitar depois. Não adiantou eu tentar explicar que agora é que era a parte boa e que depois é que eu ia sofrer. Ele não se convenceu muito mesmo eu dizendo que fazia jornalismo.

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