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Assessoria de imprensa

18 maio, 2009

O mundo dá voltas, né? Agora está todo mundo falando no Paulo Feijó e no Rubens Bordini. Um tempo atrás, comecei a trabalhar na assessoria de imprensa do Banrisul e, confesso, nunca tinha ouvido falar do tal Bordini. Quando leio as matérias da Zero Hora falando de todo esse fuzuê do vice-presidente do Banrisul e do vice-governador, fico pensando sempre na trabalheira que seria se eu ainda estivesse trabalhando no banco. O corre-corre, as ligações de jornalistas, minha chefe enlouquecida.

Não preciso de muito mais que dois neurônios pra saber que o tesoureiro da campanha da Yeda santo não é. Mas é engraçado que dentro do Banrisul, por mais que se soubesse disso, ninguém nunca ousava falar, nem aos cochichos com o colega mais próximo. Durante as conversas, mesmo as particulares, todos os diretores do banco eram tratados como super sérios, equilibrados, responsáveis, alguém a se defender com unhas e dentes. Certo, o papel da assessoria de imprensa é essa, e minha chefe não teria sido contratada se não levasse essa responsabilidade a sério. Mas o resto dos profissionais era de estagiários e funcionários públicos. Os estagiários passam por ali, ficam um tempo e não criam esses laços com o lugar. Alguns mais, outros menos, mas é possível manter um distanciamento e um espírito crítico. Mas os funcionários públicos… Não consigo entendê-los direito. Estão lá há anos, décadas. Passaram por diversos governos. PMDB, PT, PMDB de novo, PSDB. Já viram de tudo. Será que foram sempre assim? Fico me perguntando se em todos os governos eles eram a favor, os melhores amigos do presidente atual do banco. Um concurso público anula o espírito crítico das pessoas?

Além disso, tem todo o papel da assessoria de imprensa de um modo geral. Que me desculpem os assessores, mas isso não é Jornalismo. Isso não é sequer Relações Públicas. A menos que essa profissão – não falo dos profissionais, que aí temos muitos, nas mais diversas áreas, mas da profissão mesmo, de seus objetivos – se configure por uma prostituição. Porque para camuflar todo o seu pensamento, sua ideologia, sua forma de ver o mundo, em prol de informações forjadas, releases construídos, notícias manipuladas, o profissional tem que ter um desapego muito grande de si mesmo. Tem que se detestar, entregar o que tem de mais íntimo. É ou não uma prostituição? E o pior é que muitos se entregam dessa forma sem nem terem consciência do que estão fazendo. É tão… triste.

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3 Comentários leave one →
  1. Alexandre Haubrich permalink
    19 maio, 2009 01:27

    Falemos com clareza:
    Nada contra quem faz, sem preconceitos, cada um tem suas razões e temos que entender boa parte delas (não todas). Mas assessoria de imprensa, em muitos casos, é prostituição. Só que, em vez de vender o próprio corpo, se vende a verdade para entregar ao público a mentira. Com exceções (fique BEM claro que não estou generalizando), é, mais do que trabalho de puta, trabalho de filho dela. Mesmo que, em alguns casos, tenhamos que fazê-lo.

  2. 27 maio, 2009 00:22

    Permito-me perguntar: e fazer jornalismo chapa-branca, sem compromisso com nada a não ser o contracheque, ou vendendo as idéias dos patrocinadores como se fosse “notícia”, não é prostituição também? Quantos putos e putas temos trabalhando nos jornais e veículos de imprensa desse mundão de Meu Deus – e o que é pior, muitas vezes achando que eles sim são jornalistas? Acho que o importante é ter algum tipo de compromisso, no sentido de ter uma regra de conduta, um ideal, algo que seja o teu norte nesse mundo. Assessoria de imprensa não é um emprego sacana por excelência, embora eu pessoalmente fuja dele – simplesmente porque minha visão de mundo e da minha função dele vai numa direção totalmente oposta. O principal é isso – saber o que se quer da vida, mesmo nos termos mais gerais possíveis.

    Perdão pela filosofada =P

  3. Sapo permalink
    6 outubro, 2010 14:04

    E o jornalista que trabalha na Folha, na Veja, na ZH, no NH – que censurou matéria contra o Rigotto na coluna do jornalista (?) Cláudio Humberto-, na Carta Capital, no Conversa Afiada, na Globo, são o quê?

    Sabem que quem comando é o Dpto Comercial e os amigos dos patrões e seguem com seus empreguinhos?

    E quem dá leitura a esta mídia é o que?????

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