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Voando para Israel

18 junho, 2009

bandeira IsraelAcabo de voltar de viagem e achei que era uma boa hora de dar as caras por aqui. Pra quem não sabe, passei dez dias no Rio de Janeiro e emendei com outros dez dias em Israel. Ganhei a viagem para a Terra Santa porque judeus ricos decidiram que todo jovem judeu entre 18 e 26 anos tem direito de conhecê-la. É uma forma de incentivar o judaísmo, para que não morra. Comprovei que meus avós eram judeus e me fui.

Mais adiante eu falo sobre o Rio, que também merece várias linhas, mas agora Israel está mais recente e mais forte na minha cabeça. A viagem começa no aeroporto. Vou direto para o de Guarulhos, que sobre Porto Alegre não tem muito o que dizer (fora que, apesar de pequeno, nosso aeroporto é o melhor que eu conheço). Fiquei horas passeando pelos corredores sem-graça do aeroporto de Guarulhos. Encontrei umas pessoas que foram de POA para o Taglit (o nome do programa), assim como eu, e ficamos arranjando o que fazer até chegar a hora de fazer o check in.

A El Al, companhia israelense, tem apenas três voos por semana para o Brasil, então não tem guichê fixo, ele foi montado na hora. Formou-se uma fila imensa, em que conhecemos o resto do pessoal (tinha gente de São Paulo, Rio, Floripa, Curitiba). O check in não acontece antes de uma entrevista com o pessoal da El Al. Apesar de eu estar no Brasil, fui entrevistada em inglês. Não adiantava eu dizer que não entendia alguma palavra ou frase, a mulher não falava mais devagar. E me encarava com olhos inquisidores, procurando me fazer cair em contradição. Isso era muito claro pra mim. Ela queria saber se eu era judia, o que eu fazia para preservar meu judaísmo, que datas eu comemorava, de que forma. Tive que enrolar. A sorte foi que eu não entendia tudo, o que abreviou um pouco a entrevista, mas foi um momento bastante tenso. A minha entrevista foi leve, comparando com a de alguns colegas de Taglit. Um guri com cara de árabe teve mais dificuldade e uma menina de Porto Alegre, convertida ao judaísmo para casar, há cerca de um ano, foi a que mais sofreu. Ela é pequena, quietinha, tem uma cara absurdamente inocente. Mas ficou séculos falando em inglês com um israelense careca com cara de mau (muitos israelenses são carecas por causa do exército). Fizeram ela recitar um negócio do judaísmo que eu nem sabia que existia. Em hebraico. A guria sabia porque os judeus são super exigentes na conversão. Ela estudou bastante e fez uma prova difícil, segundo ela. Era a mais judia de todos. Dizem que escolhem as pessoas com mais cara de inocente porque são os que aceitam mais facilmente levar encomendas que podem ser perigosas.

Depois, nossos guias brasileiros, que vou chamar de madrichim (no plural), madrich (o guia homem) e madrichá (a guia mulher), porque foi assim que me acostumei, nos explicaram que aquele era o esquema de segurança da empresa, que os israelenses são grossos mesmo e que a El Al é a companhia aérea mais segura do mundo por causa disso. Aí vem uma reflexão que me ocorreu um pouco depois. Poxa, não é à toa que ela precisa fazer tudo isso para tirar um avião do chão. Esse ódio desmedido entre judeus e muçulmanos (sobre o qual vou falar mais adiante) faz com que ambos os lados tenham medo de tudo, sempre. Um ódio que eles alimentam me faz ser humilhada para poder visitar Israel, uma terra que deveria ser patrimônio da humanidade, que tem importância fundamental para as três principais religiões monoteístas do mundo, que é história por todos os poros. Uma terra linda. Até consigo entender, mas me é impossível justificar. Fora que nos fizeram quase provar nosso judaísmo sendo que não é preciso ser judeu para visitar Israel. Como me tratariam se eu me dissesse católica, por exemplo? Ou atéia?

Nos disseram que na volta seria pior, que lá eles eram mais estúpidos e tal. Foi bem tranquilo, na verdade. Um cara simpático, falando espanhol, me perguntou se era eu que tinha feito minha mala, se eu levava alguma coisa pra alguém, se a mala tinha ficado comigo o tempo todo e tal.

Ah, e só para encerrar. A parte de os israelenses serem grossos foi comprovada já no avião. Eita comissários antepáticos. E depois em qualquer mercado, em qualquer boteco (por justiça devo dizer que me refiro à maioria, porque tem alguns muito simpáticos). E nos justificam que eles são assim por causa da situação de Israel, a convivência com a guerra, que é muito difícil pra eles lidar com isso e patati patatá, mas que por dentro eles são doces e não sei mais o quê. Bom, falta descobrir essa parte.

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2 Comentários leave one →
  1. André Tavares permalink
    18 junho, 2009 22:46

    Legal o relato. Barram-me no Taglit… experiência ruim. Mas no final, vc gostou?

    • 19 junho, 2009 12:17

      André,

      Por que te barraram? Na verdade eu gostei muito. É claro que a gente tem que ter uma visão aberta e ao mesmo tempo crítica pra absorver as informações sem introjetar qualquer coisa que venha. Mas vale muito a pena. O pessoal é muito bacana e nossos madrichim eram ótimos.

      Abraço

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