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Os soldados de Israel

19 junho, 2009

soldados israelHoje em dia é feio defender Israel. Especialmente quem é de esquerda não pode achar nada de positivo na Terra Santa. É o país apoiado pelos Estados Unidos, militarizado, especialista em guerra, que oprime os palestinos e blá blá blá. Ok, é tudo isso, sim. Mas convivi durante dez dias com uma realidade um pouco diferente. Na verdade, com um ponto de vista diferente.

Israel é o Estado judeu defendido por um povo oprimido inúmeras vezes ao longo da história. A mais famosa é recente ainda. Seis milhões de judeus foram mortos no Holocausto. Seis milhões é muita gente, ainda mais pra um povo fechado, que não cresce muito. Ok, atrocidade não justifica atrocidade, mas esses repressões de que o povo judeu foi vítima explicam muita coisa.

Falo com relação ao povo. Sobre o governo, não me sinto apta a falar, pelo menos por enquanto. Convivi diretamente com soldados israelenses. Meu guia israelense, não o que organizava as atividades, mas o que explicava o que estávamos vendo, na verdade era gaúcho. Ele merece um post só pra ele, então não vou falar muito. É suficiente dizer que ele decidiu ir para Israel para lutar no exército e defender esse Estado judeu. Virou paraquedista, da elite do exército. Agora não está mais lá, mas é reservista até os 40 anos e pode ser chamado em caso de guerra, como qualquer soldado. Além dele, cinco soldados israelenses se juntaram ao nosso grupo durante cinco dias. Nenhum deles era terrorista, eles não gostavam de matar pessoas. Eram gente boa, jovens como todos nós, alguns muito bonitos, fizeram festa com a gente. Normais, o que é óbvio, mas nem tanto. Três deles eram mulheres. Conversamos também com mais alguns soldados que passaram pela gente em alguns momentos.

O que se vê lá é um amor por aquela terra que é muito diferente do amor imenso que o brasileiro sente pelo Brasil. Lá o que é muito forte é a necessidade de defender Israel para que ele não deixe de existir. É um Estado muito recente, mas os israelenses têm um sentimento de pertencimento àquela terra de séculos, milênios. Aquela, para eles, é a terra do povo judeu. Apenas um dos soldados me deu a impressão de que odeia os muçulmanos. Os outros parecem acreditar de verdade que fazem o que podem, que não matam porque são maus, mas só quando há necessidade extrema. Que o fato de morrer menos israelenses do que palestinos deve-se apenas à qualidade do exército, que se defende bem, e isso é um ponto positivo. Um deles me disse que o exército de Israel é um exército de defesa, não de ataque. E falou sinceramente, pude notar.

Israel é a terra para onde todos os judeus do mundo podem ir. É onde eles querem que se una o povo judeu e onde ele se fortaleça. É um porto seguro pra quem teve que fugir tantas vezes de suas casas, de suas terras. Para os judeus sionistas, ali é sua casa, a casa de todos os judeus. A terra de Israel é uma proteção para esse povo, e isso não é errado.

Sionismo, só pra esclarecer, é a defesa da existência de um Estado judeu. Em suma, a defesa da existência de Israel, a terra do povo judeu. O programa de que eu participei, como não poderia deixar de ser, é sionista. Senão não nos levariam pra lá, certo? E essa ideologia nos foi passada durante todos os dias do programa. Nos foi passada, não nos enfiada goela abaixo. Foi de forma muito intensa, mas muito sincera. Nos falavam do Estado de Israel com muita sinceridade e muito amor. Por conta disso, era muito forte a forma com que essa ideologia chegava até nós.

Só pra ficar claro, não estou defendendo guerra, evidentemente, muito menos a postura de Israel. Só estou tentando entender a motivação dos soldados comuns, daqueles que não têm poder de decisão e ainda assim sentem orgulho de lutar em nome de um Estado judeu. Eles não são criminosos por conta disso. Eles defendem uma causa, não querem matar pessoas (de um modo geral). E eles querem paz, sonham com isso. Mas, se perguntares a um soldado se há solução para os confrontos, ele vai dizer que não enxerga nenhuma. E vai ficar triste com isso.

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One Comment leave one →
  1. Alexandre Haubrich permalink
    22 junho, 2009 19:09

    Eu vejo e não morro tudo.
    Tava faltando essa agora.

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