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Visões sobre a terra

9 outubro, 2009

Tenho dois comentários sobre a Zero Hora de hoje, dia 9:

1. Título da nota à página 8: “Legislação sobre tema é ambígua”

Primeiro parágrafo: “Na falta de legislação específica, especialistas divergem sobre o que governantes podem e não podem comprar com dinheiro público para a própria casa. Para alguns, quase tudo é liberado. Para outros, as aquisições são justificáveis apenas quando relacionadas a trabalho”.

Sinceramente, não me importa tanto se foi legal ou não. Gastar 13 mil reais na Tok & Stok comprando puff pros netos foi antiético, imoral, uma pouca vergonha. Se a pessoa usa dinheiro dos outros pra mobiliar a casa, o que mais ela pode fazer, caso tenha certeza da impunidade?

cartas2. As cartas do leitor sobre a manifestação do MST nas terras da multinacional Cutrale publicadas na ZH de hoje fazem crítica a dois dos lados envolvidos na história: o MST e o governo, por, segundo o leitor em questão, apoiar o MST. O título dado pelo jornal? “Justiça agrária”, uma coisa assim… bem neutra. Foram três as cartas sobre o tema publicadas, inclusive a que ganhou o destaque do dia. Detalhe: segundo o próprio jornal, o assunto não está entre os três mais citados pelos leitores.

Enquanto isso, a Carta Capital publicou matéria, assinada por Denise Ribeiro – ok, já faz uma semana que a revista saiu, mas só li hoje -, sobre a concentração de terras no Brasil. Não tem diretamente a ver com a manifestação ecartas destaquem questão, mas tudo a ver com as reivindicações do MST. A matéria é meio chata, tem números demais, o que trunca a leitura, mas os números ali são realmente importantes. Além do mais, é curtinha, vale o esforço. Destaco alguns dados:

A agricultura familiar ocupa 80,25 milhões de hectares, divididos em 4,4 milhões de propriedades. A área média de cada propriedade é de 18,37 hectares, 84,4% do número total de propriedades. Apesar de aparentar tanta representatividade – vendo esse número de 84,4% se poderia pensar que quase todas as terras do Brasil são de pequenas propriedades familiares -, a agricultura familiar é responsável por apenas 24,3% da área ocupada.

Os outros 75,7% correspondem a estabelecimentos não familiares, que representam 15,6% do número de propriedades. A área média de cada uma delas é de 309,18 hectares, uma diferença aguda na comparação com os 18,37 das propriedades pertencentes a famílias.

São muitos números, mas, resumindo, a realidade é que os grandes são poucos e concentram a maior parte da terra, enquanto os muitos pequenos respondem por menos de um quarto das áreas. Mas nesse espaço muito reduzido, são eles, os pequenos, que produzem os alimentos da cesta básica, como mandioca (87%), feijão (70%), milho (46%) e café (38%). Os grandes produtores, de um modo geral, plantam soja e criam bovinos.

Estudei sobre a concentração da terra, a questão dos latifúndios e tal, quando eu estava no colégio, cerca de dez anos atrás. Parecia uma coisa ultrapassada, tempo dos coronéis, voto de cabresto, República Velha. Pois é…

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