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Zero Hora continua cobertura golpista

11 outubro, 2009

A Zero Hora se esmera mais uma vez. Hoje, várias matérias mereceriam comentários, mas vou focar apenas em Honduras e, mais especificamente, nas Cartas do Editor, Ricardo Stefanelli.

zelaya rodrigo lopesAntes, uma rápida observação sobre a matéria do Rodrigo Lopes falando da embaixada brasileira. Matéria golpista, de novo. Críticas a Zelaya e ao governo brasileiro dão o tom. Não importa que o mundo inteiro aprove a atuação do Brasil em Honduras, que só a mídia nativa se ponha contrária. Ela insiste. Os destaques de Rodrigo Lopes são a bagunça da embaixada e o fato de Manuel Zelaya, segundo o repórter, se achar o “dono” do lugar, esquecer que é só um “hóspede”. “O modo como Zelaya utiliza a embaixada como palanque irrita a oposição e constrange o Itamaraty”, cujos diplomatas estariam desesperados, na visão reacionária do jornalista. Para ele, as picuinhas do dia-a-dia são muito mais importantes do que o contexto político global. Através delas, pode-se criticar. Já a situação política não se presta a críticas, não mostra por onde. Afinal, o ministro de Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, foi apontado essa semana como o melhor chanceler do mundo por David Rothkopf, no blog da revista Foreign Policy. O Financial Times diz que o povo brasileiro é sortudo por ter um líder reconhecido no mundo todo. Menos na imprensa local, evidentemente.

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caricatura gilmar fragaMas então vamos às Cartas do Editor da Zero de hoje, dia 11. Em primeiro lugar, a gafe óbvia de colocar no mesmo nível uma reportagem sobre a Lagoa Mirim e a cobertura da crise em Honduras. Acreditem, ele compara, na maior cara dura. Aliás, é o mote do texto, ele vai de uma pra outra, como se fossem da mesma importância.

Agora, me apego às partes do texto que falam de Honduras:

1. “Rodrigo tinha de tentar traduzir a polêmica diplomacia brasileira de dar guarida às estripulias do deposto Manuel Zelaya” – Em primeiro lugar, é “polêmica” só no Brasil, como já enfatizado na primeira parte do post. Em segundo lugar, “estripulias” é uma palavra no mínimo inapropriada para descrever as ações de um presidente deposto por um golpe de Estado e que está lutando para recuperar o seu posto e a legalidade. Uma forma do jornal de desmerecer Zelaya, de descaracterizar sua política e até de ridicularizá-lo.

2. “Como ainda não existe um Turismo do Golpe, por exemplo, que permitiria a viajantes abonados se instalar na bagunçada embaixada de Tegucigalpa” – Dá a ideia – e tenho certeza que é proposital – que o golpe em Honduras não passa de uma brincadeira, que deveria atrais olhares turísticos, como qualquer ponto que desperte interesse e curiosidade. É bem isso, deve despertar curiosidade, segundo o jornal, não revolta ou protestos por uma situação POLÍTICA descabida. Fora isso, a reiterada afirmação da ZH de que a embaixada é uma bagunça, para desmerecer a atitude do governo brasileiro em Honduras. Como se a “bagunça” que eles dizem existir anulasse a excelente política diplomática do melhor chanceler do mundo.

3. “sete barreiras, todas com policiais descontentes com o que consideravam intromissão verde-amarela em seu território” – Mais uma crítica sem sentido ao governo brasileiro, por estar se metendo onde não foi chamado.

4. “teve de mandar seu primeiro texto do país conflagrado por telefone, ditado para a base em Porto Alegre” – Parece que Rodrigo Lopes está enfrentando grandes dificuldades e é o repórter mais esforçado do mundo. Balela.

5. “Em Honduras, Rodrigo enfrentava as mesmas dificuldades de conexão com o Brasil devido a bloqueadores instalados pelo Exército para isolar a embaixada e impedir a comunicação internacional” – Isso o jornal não critica.

6. “Na América Central, no mesmo dia, Rodrigo contava com a boa vontade de funcionários da embaixada ao ser presenteado com um naco de papelão suficiente para estender seu corpo por algumas horas nas madrugadas – a mochila era o travesseiro.” – Olha como ele sofre! E certamente a culpa é do governo brasileiro, que dá todo conforto para o hondurenho Manuel Zelaya e maltrata o pobre do jornalista porto-alegrense, cidadão brasileiro. Ah, me poupe!

charge_bier7. “Poderíamos, sim, nos contentar com textos das agências internacionais para noticiar um dos principais fatos do ano envolvendo o Brasil. (…) Poderíamos ter nos conformado, como fazem outros jornais, a resumos sem cheiro nem cor de fatos do dia – ou, pior, de fatos do dia anterior. Mas aí não seria Zero Hora.” – Esse é o encerramento do texto. É pra mostrar como a Zero Hora é dedicada e realmente faz matérias boas. Pelamordedeus, mandar um reporterzinho chinfrim pra Honduras pra fazer uma cobertura golpista e fraca de um golpe de Estado é bom jornalismo? Não, é Zero Hora.

* A caricatura é do Gilmar Fraga e a charge é do Bier, ambas tiradas do Tinta China, o blog da Grafar.

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