Skip to content

Identidade, nacionalidade, fronteiras

16 outubro, 2009

Esses dias eu conversava, não lembro com quem, sobre questões de identidade, nacionalidade, fronteiras. Por motivos diferentes, as nações de um modo geral acabam valorizando um nacionalismo que não deveria existir. Às vezes isso acontece porque o país – ou a região – se considera superior aos outros e por isso os cidadãos têm que valorizar o pertencimento a essa pátria. Outras vezes é porque o povo é tão explorado, tão ultrajado que precisa se agarrar a um sentimento de nação para se sentir vivo, para acreditar que tem um lugar no mundo – embora na maioria dos casos esse povo acabe interiorizando a cultura do colonizador e mantendo um nacionalismo de aparência. Isso leva a lembrar de casos como os governos populistas ou as ditaduras militares, principalmente as últimas, que recorreram a esse artifício para engambelar a população.

Para não generalizar

salgado_sebastiao_2007_6_1

Apenas utilizar esse argumento para afirmar que o nacionalismo exagerado é mau seria tomar o todo pela parte, uma generalização grosseira. Prefiro, então, argumentar com aspectos mais socialistas, talvez. O comunismo e o socialismo – o ideal, não o real – se baseiam no internacionalismo. É bastante simples, e confesso que cheguei a conclusões semelhantes, ainda que de forma bem mais simplificada – mais ou menos como a que eu vou expor agora – muito tempo antes de conhecer as bases do internacionalismo. 

Consiste em entender que não é porque eu sou de um país ou outro que eu sou melhor ou pior. Assim como acontece dentro de cada país, o pensamento é transferido para uma escala maior. Se eu não sou melhor ou pior que um negro, um amarelo ou um índio, por que eu seria diferente de um francês, um chinês, um guatemalteco ou um americano? Mas atenção: é importante não confundir internacionalismo com globalização, que aniquila as culturas locais em nome do consumo, que pasteuriza as pessoas, que as descaracteriza. Em nenhum momento acreditei que as culturas, que são sim diferentes, devem ser suprimidas em prol desse sentimento de unidade entre os povos.

Mas…

Isso tudo não significa que eu não reconheça a soberania dos países ou que não ame o meu país de um jeitinho especial, pela cultura à qual eu pertenço e pelo povo que é meu irmão. A questão se resume em uma frase, do Eduardo Galeano:

“existe uma pátria que é a que mais me dói, a mais pátria de todas, embora reconheça minha pátria em qualquer lugar do mundo e reconheça como compatriota qualquer pessoa que tenha acesa a vontade de justiça e a vontade de beleza: qualquer pessoa, nascida onde for, morando onde for”.

Anúncios
3 Comentários leave one →
  1. 17 outubro, 2009 10:10

    Não sei se vc já viu isso, mas acho q tu vai curtir: http://www.vitorramil.com.br/estetica.htm

    é uma bela discussão. Abraço!

    • 17 outubro, 2009 14:47

      Eu conhecia só de nome, já tinha ouvido falar, mas não sabia direito do que se tratava. Dei uma lida lá no site e é muito bacana. Gostei da indicação, brigada =)
      Beijo

  2. 18 outubro, 2009 22:14

    Aqui no Rio Grande do Sul em geral as pessoas têm uma forte identificação com o Estado, antes mesmo do Brasil. Ainda mais que muita coisa no RS é realmente bem diferente do “tipicamente brasileiro” (claro que sem aquela balela de “Estado mais politizado”), é a “estética do frio” da qual fala o Vitor Ramil no link indicado no 1º comentário. Inclusive achamos que temos muito mais características em comum com o Uruguai do que com o Brasil.
    Porém, em 1998 estive pela primeira vez em Montevidéu e passei UMA SEMANA SEM COMER FEIJÃO. Foi então que percebi o quão brasileiro sou: quando o ônibus parou no Chuí para almoçarmos, enchi o prato de feijão, e nada mais.
    Em 2006, quando fui ao Uruguai pela última vez, novamente fiquei sem comer feijão enquanto estava fora do território nacional.
    Eu não sofro pela Seleção Brasileira, nem morro de amores por praia nem por carnaval.
    Agora, ficar sem feijão é um suplício…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: