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Exploração de mão-de-obra

17 outubro, 2009

Sábado ao meio-dia, supermercado Nacional da José de Alencar, em Porto Alegre. A atendente do caixa, muito simpática, conversa sobre comida. Conta da infecção intestinal que teve por conta da comida que a empresa serve de almoço para os funcionários. Que o frango tem que ser partido ao meio antes de ser provado porque geralmente está cru. Risco de salmonela.

O almoço é sempre tarde, ela não consegue se liberar cedo para ingerir a gororoba disponibilizada. Ela não come, empurra. Afinal de contas, comer é prazer, que essa comida não dá.

Ela trabalha todos os fins de semana, sem exceção. Sábado e domingo. Oito horas por dia. Geralmente não consegue sair do supermercado na hora que consta no contrato. O salário é menor do que o número de horas de trabalho. Se trabalha no domingo, tem uma folga na semana. Senão, tem que emendar.

Legislação trabalhista? Se fosse um minimercado, poderia fechar por conta da indenização a pagar aos funcionários nesses casos. Em um estabelecimento multinacional, as leis de mercado fazem com que o lucro seja maior explorando mão-de-obra, mesmo que depois ele tenha que bancar a conta dos processos que alguns funcionários devem abrir. Por que a norte-americana Wal Mart, dona da bandeira Nacional, se preocuparia com uma funcionária? São 70 mil os explorados da rede só no Brasil, em 355 lojas. Faturamento de R$ 17 bilhões em 2008. Realmente, um processo trabalhista de R$ 10 mil, R$ 20 mil, não faz nem cócegas.

As informações sobre a Wal Mart não foram recolhidas de nenhum site de denúncia. Foram tiradas da página da própria Wal Mart. Eles acham que é motivo de orgulho, não de vergonha.

O salário da funcionária eu não tive cara de perguntar. Mas com certeza está abaixo do nível de dignidade que essa exploração toda exigiria – se é que algum valor cobriria essa exploração.

Aumenta-se a tecnologia e, em vez de aumentar o tempo de lazer das pessoas e melhorar as condições de vida – afinal, diminui o trabalho, dá pra explorar menos -, aumenta o desemprego, porque a exploração continua. Faz sentido?

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One Comment leave one →
  1. Luciane permalink
    3 junho, 2012 11:09

    É, infelizmente esta é só uma das várias expresões da questão social no Brasil e até pode-se dizer, no mundo, pois não é só no Brasil que isto acontece, afinal falamos de uma multinacional. Porém, em alguns países as leis são mais rigorosas. Agora eu pergunto? O que faz uma pessoa explorar a outra para seu próprio benefício e ainda dormir sem se quer pensar que 70 mil pessoas estão literalmente deixando de viver, por um mísero salário e condições indignas de trabalho. O pior que estas pessoas não tem nem uma condição de sair deste contexto, pois não possuem nem tempo nem condições financeiras para estudar. E podem apostar! 99% ainda agradecem por ter um emprego destes e ter um mísero salário no fim do mês, pois a realidade de muitos é ainda bem pior que isso, a realidade de muitos é não ter o que comer, é não ter o que dá para os filhos…
    Esta realidade, faz com que pessoas sem escrúpulos e consciência achem que são heróis por empregarem, ou melhor, explorarem estas 70 mil pessoas.
    Mais uma pergunta e encerro minha indignação.
    Que consciência e escrúpulos possuem nossos “amados e queridos” governates eleitos por nós?!
    Infelizmente isso nunca terá fim. Não consigo ver uma luz no fim do túnel.
    Grande abraço e força para todos que se encontram em vulnerabilidade social e em situação de exploração, seja ela qual for. Fiquem com DEus!

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