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As veias pulsantes da Venezuela

19 outubro, 2009

tal como somosUm documentário chamado Los venezolanos – Sus protagonistas, exibido no programa Tal como somos, pela TV Brasil, mexeu bastante com minhas veias (abertas?) latinas, americanas, socialistas, populares… Toda a programação de Tal como somos, que não é mais inédita, foram produzidos por um pool de emissoras e produtoras independentes de 21 países que formam a Televisão da América Latina (TAL).

Não lembro o nome do vídeo, mas sei que era sobre a Venezuela. Tinha quase uma hora de duração, que passou voando. A ideia era mostrar as pessoas da Venezuela. Para isso, era preciso explorar o lugar em que elas vivem, as condições em que vivem, em que formaram seu ser.

Fiquei muito impressionada. Muito mesmo. A música, os sons. Era tão forte. Quando mostrava a festa popular, era bonito. Se falava da religião, o som entrava, dominava. A religião como representação de cultura, não de fanatismo ou de cegueira. Era o som do povo. Que quase se converte em outra religião, que faz com que nos dediquemos ao povo, a estudar a cultura, a nos enxergar em cada um. Até a melodia do idioma espanhol emocionava pela sonoridade.

Mas o mais incrível, o que me deixou arrepiada, mais do que sensações, foram os conteúdos das falas. No inicinho do documentário, apareceu uma comunidade pobre, muito pobre, que vive sobre a água, literalmente. Suas casas são construídas em cima de uma lagoa e seu meio de locomoção são barquinhos improvisados. As crianças estão sempre na água. “A gente se habitua”. A vida deles é essa, parece mentira. Ainda assim, nesse povo pobre e relativamente isolado pelas condições geográficas, um senhor dizia que era feliz, porque a Venezuela estava se desenvolvendo, porque se tinha cidadania.

Em um petroleiro, um trabalhador desses que dedicam a maior parte da vida a um trabalho bem árduo, ainda jovem, disse que não queria passar os próximos 20 anos ali. Só isso já fascina, não tem o conformismo tão comum nessas situações. Seus sonhos iam além, ele queria fazer outras coisas da vida, realizar coisas. torres garciaImaginei que se tratava de constituir família, viajar… Ele queria unir a Venezuela e dar de comer a tantas crianças pobres que existem na Venezuela.

O nível de consciência do povo simples é impressionante. As históras de vida comovem e chocam. Quando o tema era o bairro 23 de enero, em Caracas, foi um ponto alto. Mutirões, imagens de Zapata, movimentos populares, dedicação da população com a população, que ensina as crianças, exibe vídeos, realiza atividades. Achei uma definição no google de que o bairro é uma “zona subversiva de Caracas”.

Já no fim, um homem falava com dificuldade, porque subia um morro com grande carga nas costas. Disse que, como indígenas, sabiam como viviam os indígenas, mas não sabiam como viviam os crioulos. Então, queriam saber como era que viviam os “nossos irmãos crioulos”. Por isso, continuou, mandou os filhos estudarem, para aprender como era a vida dos irmãos e para aprender a falar, falar vários idiomas. Fez uma lista de línguas indígenas que eu não conhecia – e que não me lembro. Não inglês, francês, português. Esses também, era importante para saudar pessoas, mas vieram em segundo plano. As línguas principais são as indígenas, as da cultura desse povo.

“Somos todos venezuelanos, somos todos iguais. Não tem outro sangue, sangue é tudo, por isso somos irmãos.”

As veias abertas da América Latina estão abertas, sim. Mas estão pulsando. E se movimentando, se transformando.

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