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Meus ouvidos (e o futuro dos otorrinolaringologistas)

1 novembro, 2009

9B1B1_1Quando Albert Einstein elaborou sua teoria, relatividade, efeito fotoelétrico e afins, ele não previa que seria o responsável indireto pelo desenvolvimento da bomba atômica. Einstein não queria isso, nunca quis matar pessoas com suas pesquisas.

Muitos anos depois, quando o professor Dieter Seitzer iniciou seus estudos sobre codificação de áudio, em 1970, ele provavelmente imaginava coisas boas com isso. Facilitar a vida das pessoas e blá blá blá. Ele não podia prever que o resultado das suas pesquisas tornariam possível o desenvolvimento do mp3 e que esse trocinho viraria uma bomba nas mãos erradas.

Não, eu não odeio o mp3. Acho ótimo, fantástico, facilita horrores a vida da gente, democratiza o acesso à música e tudo isso. Mas ele devia vir com limite de volume. Ou alguma coisa que ensinasse os donos desses trequinhos a ter educação. Porque o pessoal não se dá conta que o ônibus inteiro não necessariamente tem o mesmo gosto musical. E está cada vez mais difícil pegar um coletivo sem dividir o assento com alguém que queira dividir também a música. De repente é um bem intencionado que vê que eu estou sem mp3 e quer compartilhar comigo o som que ouve, vai saber.

O fato é que não, eu não quero ouvir a música que ELE escolheu. Ou ela, pode ser também. Fora que eu leio no ônibus, geralmente textos acadêmicos, e a música tira totalmente minha concentração. E normalmente a gente ouve só a batida, aquela coisa que nem dá pra identificar direito. A não ser quando o cara é meio surdo e daí dá pra identificar toda a letra da música também, como aconteceu essa semana.

Aliás, uma coisa que essa geração vai ficar é surda. Quero só ver daqui a uns 50 anos. O pessoal que hoje ouve esse negócio nesse volume vai fazer a felicidade – e a fortuna – dos otorrinolaringologistas. Já li em algum lugar que o limite máximo aconselhável para não prejudicar a audição é aquele em que o colega do lado não ouve contigo. Como isso só acontece com a minoria da minoria, teremos que nos acostumar a falar mais alto para sermos compreendidos daqui a alguns anos.

Sobre a apurrinhação de ouvir a música que a outra pessoa escolheu, seria bacana que ela lembrasse aquela velha história de que a liberdade de um termina quando começa a do outro. Ou seja, que baixasse o volume e me deixasse ler em paz.

* Ah, e só pra constar: nenhum parâmetro de comparação entre os efeitos da bomba atômica e a incomodação aos meus ouvidos.

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2 Comentários leave one →
  1. Isma permalink
    1 novembro, 2009 20:43

    O grande mal foi terem inventado os alto-falantes. O que tem de gente ouvindo música (e cantando música) pelo alto-falante do celular nos ônibus não tá escrito.

  2. silvia permalink
    12 julho, 2014 21:44

    o ouvido pode sagra quando bombas tipo rojão estoura perto de você.?

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