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A morte e a vida – um lamento

3 novembro, 2009
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O dia hoje foi de lamentar a morte de duas pessoas de quem eu gostava muito. Não adianta muito agora tentar prestar qualquer tipo de homenagem que não os trará de volta, mas cabe lamentar a banalidade da vida que esses tempos pós-modernos trouxeram.

O caso do Morency e da Vilma muito provavelmente não foi de imprudência. Foi um acidente mesmo, que infelizmente matou os dois e uma pessoa que estava no carro com o qual eles colidiram na Estrada do Mar. Os outros quatro passageiros do outro veículo ainda estão hospitalizados.

A verdade é que todos os feriados temos acesso a estatísticas, números de acidentes, de feridos, de mortos. São números que sempre alarmam, que nos fazem comentar, condenar o excesso de velocidade, as ultrapassagens perigosas, a combinação entre bebida e direção. Mas são números, só. Distantes, frios. Nesse feriado, os números trouxeram com eles a realidade da morte de um casal que, apesar de idosos, eram muito, muito vivos. Eram felizes, queridos, amados, tinham milhões de amigos e um amor pela família muito grande.

Os números têm por trás pessoas. Vidas, que não são só as que se vão, mas as que ficam. Vidas dos filhos, netos, amigos que ficam e sofrem.

O Morency e a Vilma tinham o poder de espalhar uma onda de alegria ao seu redor. Tinham sempre um sorriso estampado no rosto. O Morency me cumprimentava sempre com um beijo na testa. A Vilma reclamava que eu estava muito magra ou elogiava que agora eu estava gordinha, mais corada, e me dizia que nos víamos muito pouco e que gostava muito de mim. Não sei se algum dia eu disse, mas eu gostava muito deles também.

A vida é muito rápida. Não só porque os anos passam ligeiro, mas porque hoje temos muita pressa, tudo tem que ser correndo. Correndo acordamos, nos vestimos, comemos, vemos TV. Correndo dirigimos. Correndo, a vida passa, a vida acaba. A vida se banaliza.

Que a morte do Morency e da Vilma nos dê um instante de reflexão sobre a vida. Eles que viveram com calma. Outros tempos. Tempos pré-pós-modernos. Tempos mais felizes, talvez. Talvez?

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2 Comentários leave one →
  1. Alexandre Haubrich permalink
    4 novembro, 2009 13:28

    Cris, muito obrigado por tudo. Tenha certeza que eles gostavam demais de ti, e que ficariam muito felizes com a força que tu tem dado.
    Beijos

  2. Cristina Haubrich permalink
    14 novembro, 2009 22:49

    Cris
    Tua homenagem sentida e sincera é prova de que o amor e a amizade estão sempre acima de tudo.
    Beijos

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