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Desigualdade a partir da riqueza

7 novembro, 2009

Riqueza-DesigualdadeUma das coisas mais interessantes no seminário Riqueza e Desigualdade na América Latina, que eu assisti essa semana, foi a perspectiva de que ele parte. Está no nome, mas demorei pra me dar conta. Na verdade, só percebi quando o coordenador, Antonio Cattani, disse com todas as letras.

Noventa por cento dos estudos sobre desigualdade são associados à pobreza. É preciso estudar também a ótica da riqueza. Pobreza e riqueza, segundo o sociólogo (seu currículo é realmente extenso e rico), estão interligadas. Uma existe por causa da outra. É tão óbvio, não? Só que a gente não vê.

A ideia corrente é de que a riqueza é boa. Ela é invejada, é a solução dos problemas. A pobreza, essa sim, é o problema. Essa é uma visão deslumbrada da riqueza. Na verdade já faz um tempo que eu insisto que é um absurdo existirem pessoas tão ricas e que o fato de elas existirem é que gera pessoas tão pobres – em muito mais quantidade. Mas o professor Cattani colocou essa questão de forma tão simples e clara…

4 mil pessoas têm renda mensal declarada de 120 mil reais
200 pessoas têm renda mensal declarada de 500 mil reais
138 pessoas têm renda mensal declarada de 27 milhões de reais

Nas palavras de Cattani: é uma mega sena por mês!

O poder, tido como a possibilidade de controlar o Congresso, a mídia, a cultura, a vida e a morte, ter impunidade, está nas mãos de muito poucos. O Brasil não é um país pobre, é uma potência. O fato de ter uma brecha social tão grande mostra que algo está errado. O que acontece é uma “apropriação privada do que é produzido socialmente”. A tese neoliberal de que, ao produzir riqueza, haveria um debordamento que beneficiaria os demais mostrou-se falha. Quem a desmistifica é Sonia Alvarez, também palestrante do seminário e citada por Cattani.

Em um resumo meu bastante grosseiro: para combater a desigualdade, para eliminar o problema da pobreza, é preciso combater a riqueza. Impedir essas grandes fortunas. Distribuir, em suma.

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  1. Ismael permalink
    8 novembro, 2009 04:21

    O Homem mais rico do Mundo, Bill Gates, apronta poucas e boas com o poder que tem.

    Sou formado em Ciência da Computação e quem é da área sabe tudo que a empresa dele apronta. Monopólio é pouco para descrever, é uma palavra que denota algo inerte.

    A MS não é assim, é seria um “Monopólio militante”. Porque além de possuirem o monopólio, ficam ativamente influenciando governos e órgãos internacionais para manterem seu poder.

    O caso mais recente foi a aprovação do novo formato do Office, OOXML. A MS conseguiu corromper e desmoralizar um órgão até então reconhecido, a ISO. Usaram do dinheiro e influência para inscrever países Africanos que nem base significante de informática instalada tem para conseguirem votos.

    Enquanto isso o cidadão Bill Gates está querendo se transformar em santo, pois doou Bilhões de dólares para caridade. Claro, ninguém menciona que o sustento da empresa dele vem de vender licenças de software, que ele convence que é necessário atualizar usando marketing pesado.

    Sem contar que nos EUA, o IR é especialmente duro com esses multimilhonários. Então as doações na verdade servem como forma de marketing pessoal.

    É um assunto meio pesado para se falar, mas embora seja de um nicho, tem muito a ver com o que tu escreve. Uma dica interessante é falar com o @samadeu . Ele é Sociólogo e briga muito na causa do Software Livre. A Microsoft inclusive já tentou intimidá-lo com ações judiciais devido as denúncias que ele faz.

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