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As consequências da queda do muro de Berlim

9 novembro, 2009

MuroEm última análise, em visão histórica grosseira de quem não está apta a fazê-lo, pode-se dizer que a queda do muro de Berlim incentivou a adoção do neoliberalismo como sistema econômico e político. Não apenas a vitória do capitalismo sobre o socialismo, mas do neoliberalismo. Derrubar a barreira entre as duas Alemanhas foi um pouco internacionalizar o país, globalizar, diminuir o papel do Estado.

Mas venho falar da cobertura do Jornal Nacional de hoje sobre os 20 anos da queda do muro. Enquanto a Folha de S.Paulo entrevistou o historiador marxista Eric Hobsbawm e inverteu a perspectiva de análise do acontecimento histórico, o JN, apesar de ter dedicado bastante tempo ao tema, não saiu do óbvio. E o óbvio é que a queda do muro libertou pobres berlinenses que tinham seus direitos cerceados por um socialismo malvado.

Sim, o socialismo real foi incrivelmente falho. Cruel até. Mas o que o Jornal Nacional comemorou foi o fim da divisão do mundo entre dois sistemas. E deixou bem claro que a adoção do capitalismo foi a melhor – e a única – alternativa possível. Que não existe outra opção entre o consumismo desenfreado de um sistema capitalista de acumulação de capital e um socialismo que de socialista não teve nada. Isso não é verdade.

Na Folha de ontem – que eu analisei no Jornalismo B -, Hobsbawm ousa analisar o momento histórico a partir de uma perspectiva crítica. Diz que a queda do muro consolidou a hegemonia de uma única superpotência, o que gerou violência e desigualdade principalmente para a Europa oriental. Se a Guerra Fria entre duas potências não é a situação dos sonhos de nenhum humanista, a hegemonia de uma só nação e a imposição de uma única visão de mundo, de um só sistema econômico, de um só tudo, não é nada alentadora. Mas o JN comemorou essa hegemonia.

desigualdadeNão vou ao ponto de Hobsbawm – e quem sou eu perto dele? – de contestar tão enfaticamente os benefícios da queda do muro e do fim da Guerra Fria. Mas concordo completamente que o sistema que se originou a partir de então foi o responsável por perpetuar e agudizar a desigualdade. Não mais entre Leste e Oeste, mas entre “Centro” e “periferia”, entre “Norte” e “Sul”, “desenvolvidos” e “subdesenvolvidos”. E acima de tudo, uma desigualdade que o sistema impõe dentro de cada sociedade, entre classes.

O jornal foi manipulador também ao afirmar que Cuba ficou incrivelmente pobre – não lembro qual foi o superlativo usado, mas “pobre” foi o termo adotado – porque não se adaptou ao sistema. Ignorar o embargo econômico sofrido pela ilha é mentir, nesse caso. É dar uma meia verdade que não explica a verdade inteira. É manipular a informação em benefício de um ponto de vista.

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6 Comentários leave one →
  1. Jorge Santos permalink
    8 novembro, 2011 19:33

    Muito legal,mas as pessoas vão querer os benefícios em si

    • Beatriz Passos permalink
      27 março, 2012 18:23

      Legal mesmo né parceiro!!!
      vlw

  2. Beatriz Passos permalink
    27 março, 2012 18:22

    Bate bumbum…..
    ouvindo um funk akkiii
    e lendo é bem dificil né??
    Maneirinho o texto
    me ajudou akii
    vlw!!

  3. 9 maio, 2013 17:23

    excelente texto… passarei por aqui mais vezes. agradeço como leitora pelas belas palavras.

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