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O povo não quer mais a direita no poder

29 novembro, 2009

As eleições no Uruguai – com a provável reeleição de Pepe Mujica – me trouxeram uma perspectiva sobre a América Latina que na verdade só confirma com outras palavras o que já é óbvio. O povo latino-americano tomou gostou pela esquerda, não quer mais governos de direita. Mesmo que em muitos países a esquerda seja ainda muito moderada, ela não é a direita que vendeu o continente, que aumentou a desigualdade, que priorizou as elites.

Mesmo que as pessoas em geral não pensem nos aspectos mais políticos e teóricos da coisa, elas sabem, sentem. A esquerda tem o interesse de melhorar a vida delas. E a vida delas está melhorando, é fato, é comprovado. A pobreza está diminuindo, a classe média aumentando, o acesso a bens antes tão distantes está se consolidando para muita gente. Se, por outro lado, em vários países a riqueza ainda esteja muito concentrada, isso não anula o fato de que quem nunca comia carne agora come. De que a faxineira está comprando sua casa.

Pode-se questionar que não são mudanças estruturais nos países em que a esquerda é mais moderada. Concordo. Ainda essa semana eu reclamava que minha principal crítica ao governo Lula era que ele não tinha feito a reforma política. Entendo que essa reforma possibilitaria que mudanças mais amplas acontecessem, por não haver uma dependência tão grande de alianças, o que leva a uma politicagem suja. Acho que isso se aplica a vários lugares.

Mas sou muito otimista, ainda assim. Vejo um bolivarianismo se consolidando, com a esquerda radical confirmando o apoio popular. Isso deve acontecer agora, dia 6 de dezembro, com a reeleição de Evo Morales na Bolívia. Junto com isso, Hugo Chávez mantém sua liderança, Rafael Correa vai firme no Equador. Vejo a esquerda moderada elegendo sucessores na maioria dos outros países. Ela traz mudanças mais sutis, mas é o que temos. Se não há espaço para uma esquerda mais radical no resto do continente é porque não há mobilização suficiente. Resta o consolo de estarem se firmando essas políticas mais moderadas.

Pelo que defende Emir Sader, elas ainda representam uma política de esquerda, que ele chama de moderada, porque têm em comum com a radical duas características: privilégio à integração regional em contraposição a acordos bilaterais com os Estados Unidos (o fortalecimento do Mercosul foi um ponto importante da campanha de Mujica) e a adoção de políticas sociais, em maior ou menor grau. É uma inversão na perspectiva, uma mudança na direção do olhar. Acho que ainda estamos no lucro.

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