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Não é só futebol e carnaval

2 dezembro, 2009

Acho que o governo Lula tem, sim, milhões de problemas – e eu começaria a lista pela falta de uma reforma política. Mas há de se convir que, em matéria de política externa, está dando um banho em qualquer oposição, em qualquer país. O primeiro passo foi romper com a relação de submissão aos Estados Unidos. E os elogios que Obama dá a Lula não são porque o Brasil continue nas mãos dos norte-americanos. Afinal, para que elogiar quem já está no papo?

Quando eu paro pra pensar, parece mentira que um operário que veio lá do interior do interior do Nordeste, pobre, que virou sindicalista e acabou caindo na cadeira de presidente da República esteja influenciando de forma tão contundente as relações entre nações. E não só entre as nanicas, mas entre as grandes ou as pequenas mas com grandes problemas.

Alguém há de dizer que não é só o Brasil o responsável por essas coisas todas, mas é inegável o seu protagonismo em questões como o golpe de Honduras, a inversão nas trocas comerciais dos países do Sul – antes Sul/Norte, agora cada vez mais Sul/Sul – que está em curso e, por que não?, até nos conflitos do Oriente Médio. Ok, não vai haver paz na região de uma hora pra outra porque o Lula meteu o bedelho. Mas, diante da indefinição norte-americana, o Brasil vai se destacando como um mediador, uma referência. Receber os três líderes – de Israel, da Autoridade Palestina e do Irã – foi uma sinalização nesse sentido. De que aqui é possível haver diálogo. Não foi uma concordância com tudo o que acontece dentro de cada país, muito pelo contrário.

O caso de Honduras é exemplar. O Brasil se posicionou enfaticamente contra o golpe de Estado enquanto os EUA acabaram acatando as eleições. Mas não só isso, a política externa norte-americana se mostrou confusa, com cada um dizendo uma coisa diferente, sem uma política clara.

O Lula vai ocupando o espaço que o Obama vem deixando em aberto, por apatia, por inação. As reuniões do G-20 hoje são mais importantes que as do G-7. O Brasil aparece como o líder dos BRIC’s (Brasil, Rússia, Índia e China). E isso não é bom só para o Brasil. O que vai se consolidando é um mundo multipolar, que não depende apenas dos Estados Unidos para as coisas acontecerem.

E quando entram mais atores na jogada, quanto mais agentes estiverem participando, mais democrática é a relação de poder. Diminui a possibilidade – ainda que isso aconteça de forma muito incipiente, ainda muito restrita – de grandes e poucas potências interferirem em pequenas nações. Isso é bom para todos os países de Terceiro Mundo. É bom, na verdade, para o mundo inteiro.

Esse post foi baseado em matéria de Antonio Luiz M. C. Costa, na Carta Capital, para a qual não encontrei o link.
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