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Reeleição de Evo Morales é conquista do povo

6 dezembro, 2009

É impressionante como a mídia brasileira não se importa com suas próprias contradições na hora de defender o que lhe convém. Quando fala do PSDB, especialmente de Fernando Henrique Cardoso, da sua reeleição, nunca lembra da compra de votos que garantiu a manobra. Tudo absolutamente normal.

Hoje, eleições bolivianas, a GloboNews destacava a cada momento que a reeleição de Evo Morales se tornara possível por uma mudança constitucional do presidente, com aquele tom de reprovação como quem diz que ele mudou a Constituição visando interesses próprios, e como se isso fosse mais importante nesse momento do que o resultado das eleições em curso. A informação de que foi o povo que decidiu pelas mudanças na Constituição que, entre outras coisas, permitiram a candidatura à reeleição de Evo, não atenuava o grave fato de que ele queria era permanecer no poder.

A reeleição com ampla maioria, em primeiro turno, de Evo Morales, é muito significativa. Não é apenas um governo de esquerda, que governa para o povo. É um governo DO povo. Pela primeira vez, um país de mais de 75% de população indígena havia eleito um presidente com as suas feições. Mesmo que um branco pudesse governar por todos e para todos – e de fato pode, basta querer -, até antes de Evo, todos os presidentes bolivianos eram representantes de menos de 25% da população do país. E, de fato, nenhum branco que governou o país quis de fato governar por todos e para todos. Em um país pobre, a elite insistia em ter o poder.

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Coloco-me no lugar de um índio boliviano. Pela primeira vez, ele se enxergou no posto mais alto da Bolívia. Ele viu seus traços, suas feições em um presidente. E isso aconteceu com mais de três quartos do povo. Isso não é pouco, e eles sabem. A reeleição de Evo Morales é a prova de que os bolivianos gostaram da experiência democrática de ter a maioria no poder. E que usa o poder para a maioria, o que é mais importante ainda.

Do aviltamento que marca as páginas da história da população indígena não só na Bolívia, mas em toda a América Latina, para a eleição de um presidente. Pela primeira vez desde a colonização, desde 1492, o povo indígena é visto, é lembrado, é valorizado por quem tem o poder. E isso tem uma capacidade transformadora enorme. Não é apenas um reconhecimento, é a melhoria na qualidade de vida, é o fim da exploração. É um tratamento igual. É dignidade.

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