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O Globo publica editorial autista

7 dezembro, 2009

Chega a ser assustador o editorial d’O Globo de hoje, dia 7. Ele afirma com todas as letras que não há democracia na Venezuela com base em argumentos bastante discutíveis. Dizer, por exemplo, que não há imprensa livre naquele país é uma afirmação que parte do mesmo pressuposto de que não deve haver um marco regulatório para a imprensa brasileira. Confunde-se liberdade de imprensa com liberdade de empresa. É essa segunda que temos atualmente no Brasil.

Mas voltemos ao editorial. O jornal consegue misturar a entrada da Venezuela no Mercosul com o asilo de Zelaya na embaixada brasileira em Honduras como se se tratasse da mesma coisa. E consegue ser igualmente retrógrado em ambos os casos. Mesmo a direita brasileira, ou grande parte dela, é favorável à aceitação da Venezuela no Mercosul. E essa direita compartilha da visão d’O Globo de que lá não há democracia, mas vê o momento como uma oportunidade de ajudar o país a voltar a um regime democrático.

Com relação a Honduras, O Globo se posiciona como toda a mídia brasileira tem feito. Todos os veículos devem ter ido juntos à mesma loja comprar o tapa-olhos que os está impedindo de ver o que o resto do mundo inteiro enxerga e comenta. A diplomacia brasileira foi exemplar, inclusive para os norte-americanos, que deixaram o espaço vago nas negociações em Honduras. Espaço providencialmente ocupado pelo Brasil, de forma muito inteligente.

Mas, para O Globo, receber Zelaya na embaixada era compactuar com um “projeto chavista” que transformou a embaixada em um “bunker de agitação e propaganda contra o governo interino de Micheletti”. Ou seja, parece querer perguntar como o Brasil ousa incentivar as críticas a um governo golpista. Para O Globo, que compactuou com a ditadura militar brasileira que chegou ao poder através de um golpe na década de 60, isso parece inadmissível. Se há golpe, deve-se apoiá-lo. Suponho que esse princípio deve fazer parte da política editorial do jornal.

Segundo o texto de hoje, o asilo a Zelaya só trouxe dividendos negativos não só para o Brasil, “inclusive para o Lula, sócio de um projeto que visa apenas a converter Honduras em possessão bolivariana”. E termina dizendo que “alianças com Chávez são contagiosas”. Além de esse final ser meio incompreensível, parece absurdo que algum veículo ainda seja capaz de dizer tal quantidade de barbaridades. Mais uma vez, comprova-se que o mundo inteiro vê uma coisa e a imprensa brasileira, autista, vê outra.

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2 Comentários leave one →
  1. 7 dezembro, 2009 21:00

    É inacreditável a quantidade de impropriedades e sandices que um jornal pode cometer…

  2. 7 dezembro, 2009 21:01

    A “grande imprensa” e os setores reacionários se realimentam, causando a ressonância de um discurso fabricado e monocórdio. Pior é que essa gente se orgulha de ser “bem informada”.

    Num país em que emissoras de tevê suam sua concessão para fomentar um golpe, dizer que não há liberdade é o fim da picada. Há abuso da liberdade, tal e qual na Terra de Santa Cruz.

    Bom artigo.

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