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David Coimbra e sua visão Zero Hora de mundo

18 dezembro, 2009

A coluna de David Coimbra na Zero Hora de hoje, 18, é sobre Lula. Ou seja, luzinhas amarelas piscando, atenção. Mais ainda quando se lê o título: “Lula não é Evo”.

Ao mesmo tempo em que quer parecer de esquerda, seu discurso reflete uma visão bastante conservadora de mundo. Uma visão PSDB, digamos assim.

Resumindo grosseiramente o texto: para ele, Lula é igual aos políticos dos países ricos, que “fez o que faria qualquer líder do Norte nababo”, um social democrata, tal qual os tucanos. Sua única diferença é na aparência, “grosseira”, por querer se mostrar “do povo”, quando fala palavrões, por exemplo. Um “ser exótico”, na ironia do jornalista.

Maniqueísmo

David Coimbra erra feio. Primeiro, ao dividir o mundo político em duas partes antagônicas. E só duas. Ou se é Obama, ou se é Evo Morales. E aí já vem a primeira contradição. Depois de defender essa postura maiqueísta, critica Lula por não ter tomada uma terceira via. Justamente a terceira via que ele não enxerga. A via que Emir Sader chama de esquerda moderada.

A elite

O mais bizarro da coluna de David Coimbra é quando ele fala que Lula é aceito pelas elites, que gostam dele, “o sonho realizado da intelectualidade ocidental”. Se considerarmos a grande imprensa como representativa da elite brasileira – afinal, é parte dela e só diz o que essa elite quer ouvir -, é absurdo. A grande imprensa, que tenta boicotar Lula diariamente.

Política externa

Chega a ser ridículo quando afirma que “na política externa, o general Geisel foi mais contestador, mais duro e mais rebelde do que o operário Lula”. O governo do presidente Lula pode ter milhões de falhas, e tem muitas mesmo, mas a política externa é praticamente incorrigível. Se há uma área em que houve um avanço tremendo, reconhecido internacionalmente, é na política externa. Lula conseguiu fazer o Brasil influenciar nas relações entre os grandes, Lula mexeu na geopolítica do mundo.

Irresponsabilidade

E aí, David Coimbra cai numa via de mão dupla, em que ambos os lados são prejudiciais. Ao mesmo tempo em que assimila em sua visão pessoal, de forma até ingênua quase, o que a grande imprensa brasileira diz, ele é essa grande imprensa e repassa essa visão para os seus leitores.

Faz referências grosseiras, sem conhecer a história como deveria para poder dizer tais coisas. Uma postura irresponsável. Compara Lula a Geisel, Médici e Juscelino. Geisel, pela política externa, como já citado, colocando Lula à direita do general. Médici e Juscelino, pela política desenvolvimentista. Como se todo projeto desenvolvimentista fosse igual. Não o eram o de Médici e Juscelino, como não o é o de Lula.

Revolução

A única parte boa de seu texto é o final, quando afirma que “Lula poderia promover uma mudança mais profunda. (…) Poderia promover algo parecido com uma revolução”. Só que não é nisso que David Coimbra demonstra acreditar. O jornalista critica o presidente por ter só aparência de esquerda. Só que quem é só aparência é ele, David Coimbra.

Ao longo do texto, enxerga uma coisa e no final defende outra. É preconceituoso ao falar do jeito “do povo” de Lula, ironizando-o. Afinal, chamá-lo de “exótico” é extremamente agressivo. Critica Lula em todos os seus pontos mais ousados, como a política externa, e no fim pede uma postura revolucionária. O objetivo me parece ser o de parecer um intelectual de esquerda inconformado com o governo e tentando agradar quem se encontra nessa situação. Mas seus argumentos são de direita, David, sinto muito.

Confecom abre espaço para discutir Comunicação

18 dezembro, 2009

A Confecom terminou e pode-se considerá-la um sucesso. Durante quatro dias, de 14 a 17 de dezembro, mais de 1.600 delegados estiveram reunidos em Brasília para discutir os rumos da comunicação no Brasil, na Conferência Nacional de Comunicação. Apesar do boicote da grande imprensa, que não deu a mínima pro evento, conseguiu se discutir e aprovar projetos muito importantes para a democratização da comunicação.

Infelizmente, a Confecom não tem caráter deliberativo, e os projetos não vão entrar em vigor em função das decisões tomadas lá, mas foi formulado um relatório que será enviado ao Congresso Nacional. Esse, sim, tem poder de deliberar e mudar o rumo da comunicação. E fará isso sob pressão, depois de a sociedade ter discutido e praticamente entrado em consenso.

A importância da Confecom se dá, então, pela discussão que se travou, em que ficou claro que os interesses convergem, e que deve haver políticas públicas de comunicação que ampliem o acesso da população aos meios de produção e distribuição. Os que divergiam, a grande maioria das grandes empresas, retiraram-se, mostrando-se intransigentes e não abertos ao diálogo.

Os que ficaram progrediram muito, inclusive com a participação do presidente Lula. A Conferência abriu um espaço para se discutir comunicação. Um espaço até então inexistente e fundamental. Mesmo que as propostas não entrem em vigor, agora é possível discuti-las, para avançarmos no futuro. Para o sociólogo e professor da USP Laurindo Leal Filho, que participou ativamente do evento, a Confecom “conseguiu fazer em quatro dias, em termos de análise crítica e propostas consistentes, mais do que se fez nos últimos 80 anos”.

Desistência de Aécio é parte do jogo

18 dezembro, 2009

Fernando Rodrigues, colunista do UOL e repórter da Folha, analisa a decisão de Aécio Neves de abandonar a corrida presidencial, que comentei ontem. Eu não tinha pensado por esse ponto, mas concordo: as possibilidades não estão descartadas. É possível ainda que o governador mineiro volte atrás e decida concorrer, caso as pesquisas indiquem que essa é a melhor solução para o PSDB. Ou seja, é tudo parte de um grande jogo político. O partido precisava de uma decisão urgente, e ele foi o responsável por efetivá-la.

Ele fala a respeito em um vídeo no site da Folha.

Serra suspira. Dilma e o PT também.

17 dezembro, 2009

Serra estava criticando o PT, mas não deixa de ser engraçado quando ele se coloca, junto com Aécio Neves, nesses termos: “Trabalhamos, ambos, sempre, pela soma, não pela divisão. Somos brasileiros que apostam na construção e não no conflito”. Peraí, mas não eram eles que estavam em disputa acirradíssima dentro do PSDB até ontem pela candidatura à Presidência?

Aliviado, José Serra suspira. Aécio Neves finalmente desistiu do confronto interno e retirou sua pré-candidatura à Presidência da República, em carta divulgada hoje. Serra estava encurralado, precisando tomar uma decisão antes que sua candidatura naufragasse. Aécio deu uma ajudinha, embora ao mesmo tempo esteja forçando o governador paulista a anunciar a candidatura de uma vez. Serra queria esperar até março.

Ainda não tenho clareza sobre o que teria levado o governador mineiro a tomar a decisão de se retirar do jogo. Ele parecia sedento pela candidatura, e com boas chances de levar o jogo adiante e ganhar a disputa dentro do PSDB. Talvez seus propósitos sejam mesmo em prol do partido. Será? O PSDB sai menos desgastado com a desistência. A disputa ainda mais prolongada enfraqueceria o partido, que já não é exatamente uma rocha.

Talvez o anúncio venha no sentido de fortalecer sua provável candidatura ao Senado. Se insistisse na disputa e perdesse para Serra, sairia por baixo. Assim, ninguém perde em prestígio, embora Aécio adie o sonho de se tornar presidente (espero eu que nunca o concretize, mas ele ainda deve concorrer em outras eleições).

Mas o fato é que, posso estar rendondamente enganada, vejo nesse gesto um alívio para Dilma e o PT. Embora os números de Aécio ainda fossem menores que os de Serra nas pesquisas, eu via nele maiores possibilidades de crescimento, inclusive em função de um carisma que o paulista não tem. Nem Dilma, diga-se de passagem.

A eleição deve, sim, ficar plebiscitária. Mas, nesse caso, será o projeto de governo contra a oposição. E o governo é Lula. Se o povo atribuir a Dilma a aprovação que dá a Lula, já se sabe, é lavada. É esperar para ver.

Política do governo para a Comunicação é caótica

15 dezembro, 2009

A Confecom é o exemplo mais nítido para mim hoje das divisões que assolam o governo Lula e que prejudicaram em muitos aspectos a sua governabilidade ao longo desses quase oito anos. Enquanto o próprio Lula critica os empresários por não comparecerem e perderem “uma ótima oportunidade para conversar, defender suas ideias, lançar pontes e derrubar muros”, e ainda chamar o evento de “nossa conferência” em uma clara demonstração de que o apoia, o ministro Hélio Costa foi a maior barreira para a democratização da Comunicação. Não só para a realização da Confecom, mas para toda a política de Comunicação do governo.

Política que, aliás, foi imensamente prejudicada pela absurda divisão de funções. Quando assumiu, Lula nomeou um porta-voz da Presidência, tinha assessor de imprensa, ministro das Comunicações, Ministério da Cultura… Diversos setores para tratar de um mesmo tema. Dividiu incumbências, confundiu os representantes dos cargos e tirou força da área.

Jornalistas que trabalharam no governo e que ainda defendem Lula em relação a diversos outros temas dizem que sua política para a Comunicação foi desastrosa, que o presidente subestimou a importância que ela tinha, e tem.

Ainda assim, Lula demonstra um certo interesse em fazer as coisas do jeito certo, depois de tantos erros cometidos. Apoiou a criação de uma Conferência Nacional de Comunicação, bateu o pé de que ela deveria ser realizada apesar da má vontade dos empresários, que tentaram boicotá-la, viabilizou-a de fato. Mas infelizmente isso não anula o fato de que, na verdade, seu grande, seu maior erro, ainda não corrigido, foi aceitar a indicação do PMDB do nome de Hélio Costa para o Ministério das Comunicações. Erro que traz mais prejuízos do que a Confecom traz benefícios para a Comunicação.

Como na agricultura, com a divisão entre o Ministério da Agricultura e o do Desenvolvimento Agrário, sem contar o do Meio Ambiente, a Comunicação pena com a tal governabilidade que essa política de alianças do governo busca conseguir a todo custo. Talvez esses custos devessem ser melhor calculados em alguns casos.

Eu indico e levo fé!

15 dezembro, 2009

Tá precisando de acessórios novos? Chaveiros, flores para o cabelo, broches, faixas? Quer coisas bem coloridas e bonitas? Tá difícil de encontrar?

Pois AQUI tem a solução. Fernanda Schossler é o nome da moça que decidiu comprar uma máquina de costura e aprender a costurar. E olha, ela leva jeito pra coisa. Até porque, como quase publicitária, ela é bastante criativa. E tem bom gosto, já que não adiantaria de nada ser criativa sem esse detalhe.

Então, já encomendei minhas florzinhas e deixo aqui a sugestão pra quem quiser fazer o mesmo.

Para enfatizar bem a coisa, chega-se no Meia Tigela clicando aqui.

Mais uma jornalista por aí

14 dezembro, 2009

Agora não tem mais motivo para não me darem um diploma. No dia em que a história registra a primeira Conferência Nacional de Comunicação no Brasil, a minha história pessoal se contenta com a defesa de uma monografia que me concede o título de jornalista depois de cinco anos de Fabico. Meu conceito foi A (alguma novidade em se tratando de Fabico?), a quem interessar possa.

O que fazer com isso já são outros quinhentos. Emprego, responsabilidade social, dinheiro, nessas coisas eu penso amanhã.

O que importa nesse exato momento é que agora já podem me dar os pêsames…