Libra: “Pode não estar se manifestando no mundo das formas, mas certamente está bem vivo e pulsante dentro de você… Sua atividade psíquica está movimentada, não? Observe-se, procure não cortar o fluxo cp, racionalizações e julgamentos. Abra o canal para os bips do inconsciente.”

Hein?

Do Donna, na Zero de amanhã. Por Amanda Costa.

O que fazer quando a gente está entrando no último semestre da faculdade, só falta a monografia, mas não se tem tema nem orientador? E muito pior, não se tem perspectiva nenhuma? E ainda pior, não se tem vontade de fazer jornalismo?

Não aguento mais ver leis!

imprensa

Devido crédito ao Quanto tempo dura

Por que diabos All Star novo machuca tanto?

soldados israelHoje em dia é feio defender Israel. Especialmente quem é de esquerda não pode achar nada de positivo na Terra Santa. É o país apoiado pelos Estados Unidos, militarizado, especialista em guerra, que oprime os palestinos e blá blá blá. Ok, é tudo isso, sim. Mas convivi durante dez dias com uma realidade um pouco diferente. Na verdade, com um ponto de vista diferente.

Israel é o Estado judeu defendido por um povo oprimido inúmeras vezes ao longo da história. A mais famosa é recente ainda. Seis milhões de judeus foram mortos no Holocausto. Seis milhões é muita gente, ainda mais pra um povo fechado, que não cresce muito. Ok, atrocidade não justifica atrocidade, mas esses repressões de que o povo judeu foi vítima explicam muita coisa.

Falo com relação ao povo. Sobre o governo, não me sinto apta a falar, pelo menos por enquanto. Convivi diretamente com soldados israelenses. Meu guia israelense, não o que organizava as atividades, mas o que explicava o que estávamos vendo, na verdade era gaúcho. Ele merece um post só pra ele, então não vou falar muito. É suficiente dizer que ele decidiu ir para Israel para lutar no exército e defender esse Estado judeu. Virou paraquedista, da elite do exército. Agora não está mais lá, mas é reservista até os 40 anos e pode ser chamado em caso de guerra, como qualquer soldado. Além dele, cinco soldados israelenses se juntaram ao nosso grupo durante cinco dias. Nenhum deles era terrorista, eles não gostavam de matar pessoas. Eram gente boa, jovens como todos nós, alguns muito bonitos, fizeram festa com a gente. Normais, o que é óbvio, mas nem tanto. Três deles eram mulheres. Conversamos também com mais alguns soldados que passaram pela gente em alguns momentos.

O que se vê lá é um amor por aquela terra que é muito diferente do amor imenso que o brasileiro sente pelo Brasil. Lá o que é muito forte é a necessidade de defender Israel para que ele não deixe de existir. É um Estado muito recente, mas os israelenses têm um sentimento de pertencimento àquela terra de séculos, milênios. Aquela, para eles, é a terra do povo judeu. Apenas um dos soldados me deu a impressão de que odeia os muçulmanos. Os outros parecem acreditar de verdade que fazem o que podem, que não matam porque são maus, mas só quando há necessidade extrema. Que o fato de morrer menos israelenses do que palestinos deve-se apenas à qualidade do exército, que se defende bem, e isso é um ponto positivo. Um deles me disse que o exército de Israel é um exército de defesa, não de ataque. E falou sinceramente, pude notar.

Israel é a terra para onde todos os judeus do mundo podem ir. É onde eles querem que se una o povo judeu e onde ele se fortaleça. É um porto seguro pra quem teve que fugir tantas vezes de suas casas, de suas terras. Para os judeus sionistas, ali é sua casa, a casa de todos os judeus. A terra de Israel é uma proteção para esse povo, e isso não é errado.

Sionismo, só pra esclarecer, é a defesa da existência de um Estado judeu. Em suma, a defesa da existência de Israel, a terra do povo judeu. O programa de que eu participei, como não poderia deixar de ser, é sionista. Senão não nos levariam pra lá, certo? E essa ideologia nos foi passada durante todos os dias do programa. Nos foi passada, não nos enfiada goela abaixo. Foi de forma muito intensa, mas muito sincera. Nos falavam do Estado de Israel com muita sinceridade e muito amor. Por conta disso, era muito forte a forma com que essa ideologia chegava até nós.

Só pra ficar claro, não estou defendendo guerra, evidentemente, muito menos a postura de Israel. Só estou tentando entender a motivação dos soldados comuns, daqueles que não têm poder de decisão e ainda assim sentem orgulho de lutar em nome de um Estado judeu. Eles não são criminosos por conta disso. Eles defendem uma causa, não querem matar pessoas (de um modo geral). E eles querem paz, sonham com isso. Mas, se perguntares a um soldado se há solução para os confrontos, ele vai dizer que não enxerga nenhuma. E vai ficar triste com isso.

bandeira IsraelAcabo de voltar de viagem e achei que era uma boa hora de dar as caras por aqui. Pra quem não sabe, passei dez dias no Rio de Janeiro e emendei com outros dez dias em Israel. Ganhei a viagem para a Terra Santa porque judeus ricos decidiram que todo jovem judeu entre 18 e 26 anos tem direito de conhecê-la. É uma forma de incentivar o judaísmo, para que não morra. Comprovei que meus avós eram judeus e me fui.

Mais adiante eu falo sobre o Rio, que também merece várias linhas, mas agora Israel está mais recente e mais forte na minha cabeça. A viagem começa no aeroporto. Vou direto para o de Guarulhos, que sobre Porto Alegre não tem muito o que dizer (fora que, apesar de pequeno, nosso aeroporto é o melhor que eu conheço). Fiquei horas passeando pelos corredores sem-graça do aeroporto de Guarulhos. Encontrei umas pessoas que foram de POA para o Taglit (o nome do programa), assim como eu, e ficamos arranjando o que fazer até chegar a hora de fazer o check in.

A El Al, companhia israelense, tem apenas três voos por semana para o Brasil, então não tem guichê fixo, ele foi montado na hora. Formou-se uma fila imensa, em que conhecemos o resto do pessoal (tinha gente de São Paulo, Rio, Floripa, Curitiba). O check in não acontece antes de uma entrevista com o pessoal da El Al. Apesar de eu estar no Brasil, fui entrevistada em inglês. Não adiantava eu dizer que não entendia alguma palavra ou frase, a mulher não falava mais devagar. E me encarava com olhos inquisidores, procurando me fazer cair em contradição. Isso era muito claro pra mim. Ela queria saber se eu era judia, o que eu fazia para preservar meu judaísmo, que datas eu comemorava, de que forma. Tive que enrolar. A sorte foi que eu não entendia tudo, o que abreviou um pouco a entrevista, mas foi um momento bastante tenso. A minha entrevista foi leve, comparando com a de alguns colegas de Taglit. Um guri com cara de árabe teve mais dificuldade e uma menina de Porto Alegre, convertida ao judaísmo para casar, há cerca de um ano, foi a que mais sofreu. Ela é pequena, quietinha, tem uma cara absurdamente inocente. Mas ficou séculos falando em inglês com um israelense careca com cara de mau (muitos israelenses são carecas por causa do exército). Fizeram ela recitar um negócio do judaísmo que eu nem sabia que existia. Em hebraico. A guria sabia porque os judeus são super exigentes na conversão. Ela estudou bastante e fez uma prova difícil, segundo ela. Era a mais judia de todos. Dizem que escolhem as pessoas com mais cara de inocente porque são os que aceitam mais facilmente levar encomendas que podem ser perigosas.

Depois, nossos guias brasileiros, que vou chamar de madrichim (no plural), madrich (o guia homem) e madrichá (a guia mulher), porque foi assim que me acostumei, nos explicaram que aquele era o esquema de segurança da empresa, que os israelenses são grossos mesmo e que a El Al é a companhia aérea mais segura do mundo por causa disso. Aí vem uma reflexão que me ocorreu um pouco depois. Poxa, não é à toa que ela precisa fazer tudo isso para tirar um avião do chão. Esse ódio desmedido entre judeus e muçulmanos (sobre o qual vou falar mais adiante) faz com que ambos os lados tenham medo de tudo, sempre. Um ódio que eles alimentam me faz ser humilhada para poder visitar Israel, uma terra que deveria ser patrimônio da humanidade, que tem importância fundamental para as três principais religiões monoteístas do mundo, que é história por todos os poros. Uma terra linda. Até consigo entender, mas me é impossível justificar. Fora que nos fizeram quase provar nosso judaísmo sendo que não é preciso ser judeu para visitar Israel. Como me tratariam se eu me dissesse católica, por exemplo? Ou atéia?

Nos disseram que na volta seria pior, que lá eles eram mais estúpidos e tal. Foi bem tranquilo, na verdade. Um cara simpático, falando espanhol, me perguntou se era eu que tinha feito minha mala, se eu levava alguma coisa pra alguém, se a mala tinha ficado comigo o tempo todo e tal.

Ah, e só para encerrar. A parte de os israelenses serem grossos foi comprovada já no avião. Eita comissários antepáticos. E depois em qualquer mercado, em qualquer boteco (por justiça devo dizer que me refiro à maioria, porque tem alguns muito simpáticos). E nos justificam que eles são assim por causa da situação de Israel, a convivência com a guerra, que é muito difícil pra eles lidar com isso e patati patatá, mas que por dentro eles são doces e não sei mais o quê. Bom, falta descobrir essa parte.

O mundo dá voltas, né? Agora está todo mundo falando no Paulo Feijó e no Rubens Bordini. Um tempo atrás, comecei a trabalhar na assessoria de imprensa do Banrisul e, confesso, nunca tinha ouvido falar do tal Bordini. Quando leio as matérias da Zero Hora falando de todo esse fuzuê do vice-presidente do Banrisul e do vice-governador, fico pensando sempre na trabalheira que seria se eu ainda estivesse trabalhando no banco. O corre-corre, as ligações de jornalistas, minha chefe enlouquecida.

Não preciso de muito mais que dois neurônios pra saber que o tesoureiro da campanha da Yeda santo não é. Mas é engraçado que dentro do Banrisul, por mais que se soubesse disso, ninguém nunca ousava falar, nem aos cochichos com o colega mais próximo. Durante as conversas, mesmo as particulares, todos os diretores do banco eram tratados como super sérios, equilibrados, responsáveis, alguém a se defender com unhas e dentes. Certo, o papel da assessoria de imprensa é essa, e minha chefe não teria sido contratada se não levasse essa responsabilidade a sério. Mas o resto dos profissionais era de estagiários e funcionários públicos. Os estagiários passam por ali, ficam um tempo e não criam esses laços com o lugar. Alguns mais, outros menos, mas é possível manter um distanciamento e um espírito crítico. Mas os funcionários públicos… Não consigo entendê-los direito. Estão lá há anos, décadas. Passaram por diversos governos. PMDB, PT, PMDB de novo, PSDB. Já viram de tudo. Será que foram sempre assim? Fico me perguntando se em todos os governos eles eram a favor, os melhores amigos do presidente atual do banco. Um concurso público anula o espírito crítico das pessoas?

Além disso, tem todo o papel da assessoria de imprensa de um modo geral. Que me desculpem os assessores, mas isso não é Jornalismo. Isso não é sequer Relações Públicas. A menos que essa profissão – não falo dos profissionais, que aí temos muitos, nas mais diversas áreas, mas da profissão mesmo, de seus objetivos – se configure por uma prostituição. Porque para camuflar todo o seu pensamento, sua ideologia, sua forma de ver o mundo, em prol de informações forjadas, releases construídos, notícias manipuladas, o profissional tem que ter um desapego muito grande de si mesmo. Tem que se detestar, entregar o que tem de mais íntimo. É ou não uma prostituição? E o pior é que muitos se entregam dessa forma sem nem terem consciência do que estão fazendo. É tão… triste.

Meio em cima da hora, mas se alguém ainda não viu…

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cabelo+branco[1]Olha, eu tinha me preparado pra falar de política. O assunto mais importante do momento por aqui é a crise política do governo Yeda. Aliás, estão aparecendo os podres dos podres, ou seja, os motivos pelos quais a crise está aparecendo. A matéria da Folha de hoje me deu o estalo, eu ainda não tinha me dado conta. O objetivo é tirar a Yeda da jogada pro Fogaça ter o caminho livre pro governo do Estado. Ela está atrapalhando até o PSDB. Não que ela esteja limpa na história, óbvio que não, o troço é podre, e é todo o governo, toda a base, incluindo PSDB, PMDB etc. Mas isso não aparece, só ela é culpada, justamente pra não queimar o resto.

Mas não vim falar disso. Como eu comentei antes, até ia falar em política. Mas hoje aconteceu uma coisa muito mais importante, que inverte o sentido de rotação da Terra. Encontrei meu terceiro cabelo branco! Tenho 22 anos e já tive três cabelos brancos. O primeiro foi em dezembro, o segundo em fevereiro e agora o terceiro pra confirmar que é uma tendência, não adianta. Só me resta aprender a conviver com a idade que vai chegando…

Agora me diz, tinha notícia mais importante que essa?

Ficar muito sem postar é um problema. Não digo nem porque diminui o número de acessos ao blog, vários assuntos deixam de ser comentados, coisas deixam de ser ditas. O problema é que daí parece que a gente tem que dizer alguma coisa muito inteligente, fazer um super post pra voltar com tudo à ativa. Não posso ficar um mês sem dizer nada e de repente largar umas cinco linhas ali como se o diálogo fosse constante. A grande questão é que nenhum post parece bom o suficiente. Se meus textos já não são lá grande coisa pra ti, leitor, pra mim eles são vinte vezes piores. Sempre acho tudo que eu escrevo muito ruim. Insisto nisso porque tenho opiniões e preciso dizer elas pra alguém. Por sorte encontro um que outro disposto a lê-las e assim podemos conversar, chegar a novas conclusões. Mas bom, já estou tergiversando. O fato é que nesse tempo todo deixei de fazer vários comentários pertinentes porque eles pareciam muito pequenos depois de tanto tempo sem postar. E vários assuntos passaram em branco. E olha o quanto de coisa que aconteceu… Ministros do Judiciário se xingando (dá-lhe Barbosa!), todo o mundo morrendo de medo de espirro, lei de imprensa deixando de existir, candidata a presidente com câncer, o gol do Nilmar. Fora as coisas de sempre, que deveriam escandalizar, mas já fazem parte do cotidiano, como as denúncias de corrupção, deputado fazendo pouco caso da opinião pública e da imprensa, o Danrlei aparecendo na propaganda do PTB. Agora não vou fazer nenhum desses comentários, afinal, resolvi escrever um post de volta, pra mostrar que eu ainda existo e poder escrever meus textos rápidos e insignificantes. De repente daqui a pouquinho eu volto. Ou amanhã. Pois bem, cá estou eu só pra dar um oi.

E então, vem sempre aqui?

Não sei se o Obama vai ler o presente que ganhou de Chávez (deveria), mas um mérito o presidente venezuelano já tem: As veias abertas da América Latina está entre os mais vendidos na Amazon.com. Será que os americanos passaram a se interessar um pouquinho pelo resto do mundo?

* Informação obtida no blog O Caderno de Saramago.

O Verissimo na Zero de hoje:

“É fácil ter opiniões firmes sobre, por exemplo, o câncer (contra) e o leite materno (a favor). Já outros assuntos nos negam o conforto de pertencer a uma unanimidade, ou mesmo a uma maioria. São assuntos em que os argumentos contra e a favor se equilibram e sobre os quais a gente pode ter opiniões, mas elas estão longe de ser firmes.

Até opiniões que você julgaria indiscutíveis – exemplo: nada justifica a tortura – são controvertidas, e basta ler as seções de cartas dos jornais para ver como a pena de morte, oficial ou extraoficial, tem entusiastas entre nós. Em assuntos como aborto, cotas raciais nas universidades etc. coisas como a religião, a formação, a ideologia e até o saldo bancário de cada um determinam as opiniões divergentes. E não vamos nem falar nos extremos opostos de opinião provocados por qualquer avaliação do governo Lula.

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Mas há um assunto sobre o qual você talvez ingenuamente imaginasse que nenhuma discordância seria possível. A brutal evidência – geográfica, cartográfica, literalmente na cara, portanto independente de interpretação e opinião – da iniquidade fundiária no Brasil, um continente de terra com poucos donos, era tamanha que durante muito tempo uma genérica “reforma agrária” constou do programa de todos os partidos, mesmo os dos poucos donos da terra. Era uma espécie de reconhecimento da injustiça inegável que desobrigava-os de fazer qualquer coisa a respeito, retórica em vez de reforma.

O aparecimento do Movimento dos Sem Terra acrescentou um novo elemento a essa paisagem de descaso histórico: os próprios despossuídos em pessoas, organizados, reivindicando, enfatizando e até teatralizando a iniquidade, para contestar a hipocrisia. A evidência insofismável transformada em drama humano.

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Pode-se discutir os métodos do MST, e até que ponto as invasões e a violência não dão razão à reação e não desvirtuam o ideal, além de agravar a truculência do outro lado. Mas sem perder de vista o que eles enfrentam: não só a injustiça que perdura, apesar de programas governamentais bem intencionados e de alguns avanços, como um Congresso recheado de grandes proprietários rurais, o poder político e financeiro dos agrobusiness e uma grande imprensa que destaca a violência mas sempre ignorou a existência de acampamentos do MST que funcionam e produzem – inclusive exemplos de cidadania e solidariedade. É a minha opinião.”

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