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Começando de novo

2 fevereiro, 2010

Olá, quatro leitores e meio do Interpretando.

Trago a prometida novidade. A partir de hoje, meus textos e afins poderão ser lidos em um outro endereço. Quem quiser acompanhar meus pensamentos, pode acessar http://somosandando.wordpress.com/

O Somos andando é a mais nova casa dessa que vos fala, recém graduada jornalista, Cristina Pasqualetto Rodrigues, também conhecida por Cris Rodrigues.

Espero que gostem.

Novidades

8 janeiro, 2010

Digamos que as coisas andam meio tumultuadas. O tempo para a internet vai bem restrito, devido a viagens e diversos afazeres. Por isso, peço desculpas, mas vou seguir escrevendo pouco até a semana que vem. Depois, apareço com novidades. Espero que meus quatro leitores e meio apreciem.

Para 2010, 2011, 2012, 2013…

31 dezembro, 2009

“Embora não possamos adivinhar o tempo que será, temos, sim, o direito de imaginar o que queremos que seja. Em 1948 e em 1976 as Nações Unidas proclamaram extensas listas de direitos humanos, mas a imensa maioria da humanidade só tem o direito de ver, ouvir e calar. Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar? Que tal delirarmos um pouquinho? Vamos fixar o olhar num ponto além da infâmia para adivinhar outro mundo possível:

o ar estará livre de todo veneno que não vier dos medos humanos e das humanas paixões;

nas ruas, os automóveis serão esmagados pelos cães;

as pessoas não serão dirigidas pelos automóveis, nem programadas pelo computador, nem compradas pelo supermercado e nem olhadas pelo televisor;

o televisor deixará de ser o membro mais importante da família e será tratado como o ferro de passar e a máquina de lavar roupa;

as pessoas trabalharão para viver, ao invés de viver para trabalhar;

será incorporado aos códigos penais o delito da estupidez, cometido por aqueles que vivem para ter e para ganhar, ao invés de viver apenas por viver, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca;

em nenhum país serão presos os jovens que se negarem a prestar o serviço militar, mas irão para a cadeia os que desejarem prestá-lo;

os economistas não chamarão nível de vida ao nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à quantidade de coisas;

os cozinheiros não acreditarão que as lagostas gostam de ser fervidas vivas;

os historiadores não acreditarão que os países gostam de ser agredidos;

os políticos não acreditarão que os pobres gostam de comer promessas;

ninguém acreditará que a solenidade é uma virtude e ninguém levará a sério aquele que não for capaz de rir de si mesmo;

a morte e o dinheiro perderão seus mágicos poderes e nem por falecimento nem por fortuna o canalha será transformado em virtuoso cavaleiro;

ninguém será considerado herói os pascácio por fazer o que acha justo em lugar de fazer o que mais lhe convém;

o mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza, e a indústria militar não terá outro remédio senão declarar-se em falência;

a comida não será uma mercadoria e nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos;

ninguém morrerá de fome, porque ninguém morrerá de indigestão;

os meninos de rua não serão tratados como lixo, porque não haverá meninos de rua;

os meninos ricos não serão tratados como se fossem dinheiro, porque não haverá meninos ricos;

a educação não será um privilégio de quem possa pagá-la;

a polícia não será o terror de quem não possa comprá-la;

a justiça e a liberdade, irmãs siamesas condenadas a viver separadas, tornarão a unir-se, bem juntinhas pelas costas;

uma mulher, negra, será presidente do Brasil, e outra mulher, negra, será presidente dos Estados Unidos da América; e uma mulher índia governará a Guatemala e outra o Peru;

na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, porque se negaram a esquecer nos tempos da amnésia obrigatória;

a Santa Madre Igreja corrigirá os erros das tábuas de Moisés e o sexto mandamento ordenará que se festeje o corpo;

a Igreja também ditará outro mandamento, do qual Deus se esqueceu: ‘Amarás a natureza, da qual fazes parte’;

serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma;

os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, porque eles são os que se desesperaram de tanto esperar e os que se perderam de tanto procurar;

seremos compatriotas e contemporâneos de todos os que tenham vontade de justiça e vontade de beleza, tenham nascido onde tenham nascido e tenham vivido quando tenham vivido, sem que importam as fronteiras do mapa ou do tempo;

a perfeição continuará sendo um aborrecido privilégio dos deuses; mas neste mundo fodido e trapalhão, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro.”

Eduardo Galeano, em De pernas pro ar: a escola do mundo ao avesso, de 1999

Contradições, por Quino

27 dezembro, 2009

O significado do Natal

24 dezembro, 2009

Natal.

Faz tempo que ele não tem pra mim o significado religioso. Melhor, nunca teve. Quando eu era pequena, ainda não decidira que essa coisa de religião não serve pra mim, passava o Natal com minha família católica, que continua tendo a religião como uma coisa séria e importante. Poderia ter tido natais comemorativos do nascimento de Jesus. Afinal, essa é a data mais importante para os católicos (muito embora incongruente, já que a contagem dos anos começou a partir do nascimento de Cristo, o que nos levaria a crer que isso teria ocorrido em primeiro de janeiro – nunca entendi direito essa parte).

Mas mesmo quando eu ainda me deixava levar apenas pelo que os outros diziam, o Natal era a data de comer bem e ganhar presentes, muitos, os melhores. E só.

Depois, passaram a ler algumas orações, mas nada que prejudicasse a parte dos presentes e da comida. Eu sentia que aquilo era mais pra dar um sentido à coisa. A oração vinha como uma forma de diminuir a culpa, de dizer “olha, eu não sou tão interesseiro assim, eu vejo o verdadeiro significado do Natal”. Mas ele continuava girando em torno do pecado – a gula, a avareza, a soberba. Houve épocas em que celebrei o Natal com um certo sentimento de obrigação. Criticava a data, o consumismo exagerado me irritava, via hipocrisia em todas as palavras de todas as pessoas. Uma fase mais adolescente.

Hoje, a celebração do consumo ainda me incomoda profundamente e tenho diversas críticas à forma com que essas datas são celebradas, até à existência das datas em si. Enfim.

Mas tenho uma visão um pouco mais otimista. Não tenho mais meus avós, mas agora já aparecem as primeiras crianças da família depois de mim. Se antes o Natal era uma forma de reunir a família e deixar minha avó feliz, hoje é uma forma de reunir a família e celebrar as crianças. Esse ano voltam as armações para fingir que o Papai Noel entrou pela janela enquanto a Ester dorme. É meio mágico. É inocente, bonito.

Não, o Natal não tem significado religioso pra mim. Muito longe disso. Mas percebi que o que mais me marcou nos natais, o que nunca era diferente, e o que é bacana, é que eu estava sempre com minha família. E acho que esse foi o significado bom que ficou, resumindo. Família. Em memória dos meus avós.

FHC, por Kayser

21 dezembro, 2009
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Do Kayser:

Quantidade de incêndios em favelas é assustadora

19 dezembro, 2009

Não estou acusando ninguém e posso estar redondamente enganada – aliás, espero sinceramente que esteja mesmo -, mas essa quantidade nunca antes vista de incêndios em favelas me assusta e tem me deixado com uma pulga atrás da orelha.

Sei que as favelas estão crescendo e que muitas delas são constituídas de grande parte de material altamente inflamável, mas é no mínimo estranho essa incidência de incêndios. Eu nunca tinha ouvido falar de tantos, com tanta frequência, antes. Em uma pesquisa rápida na busca da Folha Online, utilizando os termos “incêndio favela”, encontrei menção a 14 incêndios em 2009 (11 de janeiro, 11 de fevereiro, 10 de março, 17 de abril, 01 de maio, 26 de junho, 16 e 30 de agosto, 09 e 11 de outubro, 02 e 23 de novembro e 05 e 19 de dezembro). Todos em São Paulo.

Repito, não quero fazer insinuações levianas, mas ou a imprensa começou a noticiar incêndios em favelas apenas recentemente ou eles não aconteciam tanto no passado próximo. E essa ocorrência tão grande me faz lembrar de pessoas, que não são poucas, que dizem que resolver o problema das favelas é simples, é só tacar fogo. Essa é uma visão fascista, de limpeza social, que me dá muito medo.

Realmente espero estar enganada.

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